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POLUIÇÃO VISUAL
Guerra aos anúncios Vereadores
discutem projeto polêmico da prefeitura que proíbe qualquer
tipo de propaganda na capital Marcella Centofanti Fotos
Nelson Kon/Mccann Ericson Brasil e Burti
 | | Prédios
na Rua Direita, no centro, recheados de faixas e banners e como ficariam sem as
propagandas em suas fachadas |
Avenidas sem outdoors, muros
sem lambe-lambes, postes sem cartazes, fachadas de lojas sem logotipos horrorosos...
Parece sonho. Um projeto de lei encaminhado em junho à Câmara Municipal
pelo prefeito Gilberto Kassab promete, pelo menos no papel, livrar a paisagem
de São Paulo do problema crônico da poluição visual.
A proposta está sendo analisada por comissões de vereadores e, caso
seja aprovada, pode sofrer mudanças. O texto é altamente restritivo
e proíbe qualquer tipo de publicidade na capital. Trata-se de uma idéia
positiva, sem dúvida. Todo paulistano de bom senso quer ver São
Paulo, uma das cidades mais poluídas do planeta, limpinha. O radicalismo
da proposta, no entanto, tem sido motivo de polêmica.
Nenhuma grande metrópole do mundo proibiu completamente anúncios
exteriores. Em geral, outdoors são tolerados em áreas específicas,
quase sempre longe dos centros históricos. Nova York e Tóquio convivem
bem com painéis eletrônicos, transformados em cartões-postais.
O projeto de lei paulistano é mais abrangente. Além de outdoors
e painéis, proíbe banners (à exceção dos de
eventos culturais), logotipos de empresas com medida superior a 4 metros quadrados,
independentemente do tamanho do imóvel, propagandas em ônibus e táxis
e faixas que anunciam preços em lojas, supermercados e postos de gasolina.
Prevê ainda medida-padrão de 1 metro quadrado para as placas de vende-se
e aluga-se pregadas em imóveis. Anúncios
publicitários poderão existir somente em peças do mobiliário
urbano. Mediante processo licitatório, empresas veicularão suas
propagandas em relógios, lixeiras, protetores de árvores, bancas
de jornais e em abrigos de parada de ônibus. "Se o projeto for aprovado,
vamos levar um ano até conseguir implantar as novas normas", afirma Regina
Monteiro, diretora de meio ambiente e paisagismo urbano da Empresa Municipal de
Urbanização (Emurb).  | | Marginal
Pinheiros, com e sem outdoors, na simulação: limpeza total |
Profissionais que exploram a chamada mídia exterior na capital existem
por volta de 200 empresas são os maiores críticos ao projeto.
Eles questionam dois pontos principais. O primeiro refere-se aos danos econômicos
que seriam causados no setor. De acordo com a Federação Nacional
das Empresas de Publicidade Exterior (Fenapex), o mercado movimenta aproximadamente
200 milhões de reais por ano. Em segundo lugar, argumenta-se que a prefeitura
não terá condições de fiscalizar um projeto de tal
magnitude. Faz sentido. Se a administração municipal não
dá conta de enquadrar os infratores da legislação atual,
bem mais branda, como fará quando a cidade inteira passar a ser considerada
irregular? "Imposta dessa maneira, a lei não se perpetuará", acredita
Rubens Damato, presidente da Fenapex. Ele defende uma proposta intermediária,
que restrinja o formato das peças e os locais para sua instalação.
No centro histórico da capital, por exemplo, outdoors seriam proibidos.
"Precisamos de uma solução em que ninguém saia perdendo completamente."
Entidades de design e arquitetura apóiam
a prefeitura. "Os empresários podem lutar pelos seus direitos", diz José
Eduardo Tibiriçá, vice-presidente da Associação Brasileira
dos Escritórios de Arquitetura (Asbea). "Mas sabemos que o atual quadro
de desordem é inviável." A legislação vigente pouco
limita o tamanho e a localização dos outdoors e painéis eletrônicos.
Vale tudo. Estima-se que São Paulo tenha 15 000 peças de publicidade
exterior. Segundo a prefeitura, cerca de 70% delas são irregulares. "As
sanções serão mais duras", afirma Andrea Matarazzo, secretário
das Subprefeituras. Hoje, a punição para um outdoor instalado sem
licença é de 1 000 reais. Se a peça tiver mais de 10 metros
quadrados, acrescentam-se 50 reais para cada metro quadrado excedente. Pelo novo
projeto de lei, a multa será bem mais pesada: 10 000 reais. |