| |
| |  | |
HISTÓRIA Mestre
de obras Mostra reúne fotos de Fábio Prado,
prefeito que mudou a cara da cidade Isabela Barros
Fotos Acervo Fundação Crespi-Prado
 |
| Fábio Prado (à esq.) desfila em
carro aberto no dia de sua posse na prefeitura,
em 1934. Na foto à direita, o engenheiro e a mulher, Renata Crespi da Silva
Prado, recebem o príncipe Philip de Edimburgo (à esq.), marido
da rainha Elizabeth II, na fazenda de Araras, em 1962: visitas constantes de personalidades
do Brasil e do exterior |
Prefeito de São Paulo entre
1934 e 1938, o engenheiro Fábio da Silva Prado (1887-1963) pode não
ser um nome familiar para a maioria dos paulistanos de hoje. Todos conhecem, porém,
as principais obras tocadas sob o seu comando. Durante sua gestão foram
iniciados projetos fundamentais para a expansão da cidade, como as avenidas
Nove de Julho e Rebouças. Um novo Viaduto do Chá e o Estádio
do Pacaembu (inaugurado em 1940, quando ele já deixara o cargo) são
outros símbolos da capital erguidos por sua iniciativa. Além das
realizações à frente da prefeitura, Prado deixou outra herança
valiosa: o casarão de 8 000 metros quadrados na Avenida Faria Lima onde
viveu por dezoito anos com a mulher, Renata Crespi da Silva Prado. Atual sede
do Museu da Casa Brasileira, a mansão receberá, a partir de quarta
(16), a exposição Renata e Fábio Prado A Casa e
a Cidade. Formada por sessenta fotos e documentos, a mostra traz imagens do
crescimento da metrópole na década de 30 e da vida do casal.
Fotos Benedito Junqueira Duarte - Acervo SAN,
DPH, SMC, PMSP  |
| As avenidas Rebouças (no alto), no sentido
centrobairro, e Nove de Julho, no sentido bairrocentro, construídas
a partir de 1935: plano viário idealizado por Prestes Maia | "Fábio
Prado preparou São Paulo para a transição do transporte sobre
trilhos para o de ônibus e carros com a abertura de novas vias", afirma
Maria Ruth Amaral de Sampaio, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da Universidade de São Paulo (FAU) e uma das curadoras da exposição.
"Seu governo adiantou obras idealizadas por Francisco Prestes Maia, que o sucedeu
na prefeitura." Mais que um homem de idéias, Prado destacava-se como um
executor de obras deixadas de lado pelos antecessores. "O piso de madeira do Viaduto
do Chá estava deteriorado e, desde a primeira década do século
XX, os engenheiros discutiam a construção de uma nova estrutura",
diz o arquiteto Carlos Lemos, também professor da FAU e curador da mostra.
"Mas nenhum prefeito teve a iniciativa de realizar o trabalho antes dele." Além
de abrir avenidas, Prado foi um administrador preocupado com cultura e lazer.
Em 1935, numa medida inovadora, criou o primeiro Departamento de Cultura do município
e convidou o escritor Mário de Andrade para dirigi-lo. Para ampliar as
opções de lazer nos bairros, fez quatro parques infantis: no centro,
no Ipiranga, na Lapa e em Santo Amaro.
 |
| Mário de Andrade, quando era diretor do Departamento
de Cultura paulistano: visita ao Parque Infantil Dom Pedro II, em 1937 |
Tanto Fábio quanto Renata vinham
de famílias ricas. Ele era sobrinho de Antonio Prado, prefeito de São
Paulo entre 1899 e 1911, e neto de Martinho e Veridiana da Silva Prado. Ela, filha
do industrial italiano Rodolfo Crespi. A mansão do Jardim Europa, decorada
com peças de Victor Brecheret, Di Cavalcanti e Candido Portinari, vivia
cheia de políticos, intelectuais e artistas. Sobrinha de Renata e hóspede
constante do solar, Adriana Maria Crespi passou a infância brincando nos
jardins de 6.600 metros quadrados da tia. Hoje presidente da Fundação
Crespi-Prado, ela não esquece as refinadas ceias de Natal no casarão.
"Os raviólis com recheio de trufas e as castanhas cobertas com chantilly
ficaram famosos", lembra. Nas memórias de Adriana, Fábio Prado era
um homem inteligente, discreto, apreciador de vinhos e de cavalos, enquanto Renata
tinha uma personalidade mais marcante. Agora o público poderá conhecer
mais de perto sua história e a São Paulo que Fábio Prado
ajudou a transformar.
RENATA E FÁBIO PRADO A CASA E A CIDADE. Museu da Casa Brasileira.
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Europa,
3032-3727. Terça a domingo, das 10h às 18h. Até 1º
de outubro. A partir de quarta (16). |