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COMPORTAMENTO
O dom da flechada
Sensibilidade,
paciência e sutileza são
algumas qualidades
exigidas de um cupido
de sucesso. Seis craques no
quebra-cabeça
dos corações contam por que estão tão
orgulhosos neste Dia do Namorados
Lúcia Monteiro
Heudes Regis
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| Secretário
particular de Danielle Winits, Guilherme Oliveira foi
peça fundamental na aproximação da atriz
com Bruno Gagliasso, o Inácio de Celebridade.
Além de apresentá-los, Oliveira fez todo o meio
de campo, já que os dois tinham receio de expor publicamente
a paquera. "Eles não ligavam diretamente um para o outro",
conta. "Então, imagina quanto o meu telefone tocava!"
Oliveira foi testemunha até do primeiro beijo do casal,
trocado em dezembro durante um show da banda Jota Quest. |
Encontrar
o príncipe ou a princesa encantada nunca foi fácil.
Menos provável ainda é trombar com eles por acaso,
no meio da rua, numa cidade de 11 milhões de habitantes.
Não é à toa que 32% dos casais paulistanos
recebem a ajuda de algum tipo de cupido. Amigos, parentes e colegas
normalmente exercem bem esse papel. Uma pesquisa coordenada pelo
psicoterapeuta Ailton Amélio da Silva, professor da USP e
autor do livro O Mapa do Amor, mostra que a apresentação
é o segundo caminho mais usado no início de um relacionamento
(37% começam a namorar alguém que já conheciam
anteriormente). "Quem apresenta serve de fiador, pois empresta um
pouco de sua credibilidade ao apresentado", diz Amélio da
Silva. "Mostra pontos em comum e facilita a conversa entre duas
pessoas que acabaram de se conhecer."
Juntar pessoas é uma arte. Não
há uma receita pronta, mas alguns requisitos básicos
são fundamentais no quebra-cabeça dos corações.
Em primeiro lugar, é preciso ser sutil. Um empurrãozinho
para o amor vale. Forçar a barra, jamais. "As mulheres se
queixam principalmente da dificuldade de encontrar homens que queiram
relacionamento sério", afirma a professora Magdalena Ramos,
coordenadora do núcleo de casal e família da PUC.
"O cupido é importante para colocar em contato pessoas dispostas
a ter um namoro duradouro." Depois disso, cabe aos flechados decidir
seu destino. É preciso saber aceitar quando a combinação
não dá certo e é isso mesmo que acontece
na maioria das vezes. O caso da top Gisele Bündchen com o playboy
Ricardinho Mansur, por exemplo, tinha tudo para funcionar. Os alcoviteiros
eram Mônica Monteiro, a empresária da modelo, e seu
marido, Aluisio Ribeiro de Lima, amigão de Mansur. Não
adiantou: o romance se iniciou na temporada outono-inverno da São
Paulo Fashion Week e, na primavera-verão, Leonardo DiCaprio
voltava a ser o rei nas passarelas da musa.
Heudes Regis
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| A
assessora de imprensa Camila Lamoglia conheceu por acaso
no Parque do Ibirapuera sua futura sócia Fabiana Kherlakian,
herdeira da Zoomp. Nem o fato de Camila ser casada com o ex-marido
de Fabiana, Fábio Gurgel, atrapalhou a química
entre elas. Viraram amigas. Camila planejou com requinte o primeiro
encontro entre Fabiana e o ator Marcos Pasquim. Chamou
os dois para ir a sua casa e vestiu Pasquim com as roupas do
ex de Fabiana. "Ele chegou de tênis destruído e
jeans rasgado", conta Camila. "Coloquei nele uma calça
preta Armani, uma blusa de gola olímpica e um tênis
Gucci." A produção mais do que convenceu. Allicia,
filha de Pasquim e Fabiana, está prestes a completar
2 meses. |
Antes de arrumar o partido ideal para Lucilia
Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, seu amigo e
empresário William Barrington havia feito outras tentativas
nenhum dos dois fala quantas foram. Não desanimou
com as negativas de Lucilia e continuou arriscando até que
conseguiu uni-la ao advogado Márcio Bellocchi, 35 anos, cheio
de disposição, inteligente, enfim... do jeitinho que
ela pediu. "Não tive vergonha de falar que eu queria um namorado
mais novo", conta Lucilia, 47 anos, dois casamentos no currículo.
"Estou me sentindo jovem." Bastaram a apresentação,
um pouco de propaganda e pronto! Os pombinhos se encantaram um com
o outro, fizeram um tour pelo Oriente e desde setembro andam com
um sorriso mais largo.
O cupido não precisa suar tanto a camisa
quando o tal do amor à primeira vista entra no jogo. "Quase
não tive trabalho", lembra o diretor artístico Abelardo
Figueiredo, que em 1952 flechou os atores Paulo Goulart e Nicete
Bruno. Ela estava de casamento praticamente marcado com um fotógrafo
carioca e ele, comprometido com uma moça no interior de São
Paulo. "O noivo da Nicete era baixinho e pesava mais de 100 quilos.
Ela acabou se apaixonando pelo Paulo, todo bonitão." O ator
trabalhava na Rádio América e foi o galã escolhido
por Figueiredo para contracenar com Nicete na peça Senhorita
Minha Mãe. Quando os tios da namorada de Paulo Goulart
souberam do romance e começaram a ameaçá-lo,
ele fugiu (teve de abandonar a peça no fim do primeiro ato).
Ficou abrigado na casa da mãe de Figueiredo, em Niterói.
"A Nicete terminou o espetáculo sozinha, fazendo as falas
dela e as dele", recorda o cupido. "Mas tudo terminou bem e eles
estão casados há cinqüenta anos."
Heudes Regis
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| A
soprano Rosana Lamosa e o tenor Fernando Portari se
encontraram pela primeira vez em 1994, num concerto no Rio de
Janeiro. Ele acabara de voltar da Alemanha e ela da Suíça.
Como cada um estava comprometido, não rolou nada. Foi
o maestro Luiz Fernando Malheiro quem teve a habilidade
de convidar a dupla para protagonizar a inspiradora ópera
O Elixir do Amor, no Teatro Municipal de São Paulo,
bem no momento em que ambos terminavam os respectivos relacionamentos.
"Já nos ensaios achei que aquela parceria estava dando
certo demais", diz Malheiro. "A convivência antes de estrear
uma montagem é muito intensa", explica Rosana, que viveu
ao lado dele papéis românticos em seis óperas.
A partir deste domingo (13), também no Municipal, eles
interpretam juntos mais uma história de amor: Romeu
e Julieta. |
Paciência é outra qualidade fundamental
dos bons cupidos. A assessora de imprensa Camila Lamoglia precisou
de muita para promover a união de sua sócia, Fabiana
Kherlakian, com o ator Marcos Pasquim. "Depois de apresentar os
dois, continuei dando uma manutenção", diz Camila.
Ela brigava quando alguém pisava na bola e, se um dos dois
ameaçava desistir, reforçava a propaganda. "Meu trabalho
durou uns seis meses, até o namoro engrenar mesmo." Compensou.
Em fevereiro, Camila subiu no altar como madrinha de casamento dos
dois. Mas Fabiana e Pasquim não foram os únicos alvos
da mira precisa de Camila. Ela também é responsável
pelo primeiro encontro da estudante de nutrição Andréa
Santa Rosa com o ator Márcio Garcia e de vários outros
amigos. "Eu me divirto fazendo isso."
Ricardo Fasanello
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Se
não fosse pelo diretor artístico Abelardo Figueiredo,
o destino dos atores Nicete Bruno e Paulo Goulart
seria bem diferente. Quando chegou a São Paulo, em
1952, a carioca Nicete estava noiva de um fotógrafo.
O paulista Goulart, que tinha uma namorada no interior e trabalhava
na Rádio América, foi escolhido por Figueiredo
para o papel de galã na primeira peça de Nicete
por aqui, Senhorita Minha Mãe. "O noivo dela era
baixinho e pesava 100 quilos", lembra. "Acabou se apaixonando
pelo Paulo Goulart, todo bonitão." O problema foi a família
da namorada do ator, que ficou enfurecida e começou a
ameaçá-lo. Bom cupido, Figueiredo escondeu o amigo
na casa de sua mãe, em Niterói, até a poeira
baixar. Depois, fez questão de organizar a festa de casamento
de seus flechados, num teatro da Rua Vitória, no centro
paulistano, há exatamente meio século. |
Enquanto unir pessoas é uma brincadeira
sem maiores compromissos para muita gente, alguns grupos encaram
a atividade com bastante seriedade. É o caso da colônia
japonesa e da comunidade judaica em São Paulo, que chegam
a ter agências matrimoniais específicas para seus descendentes.
O objetivo é manter vivas suas tradições culturais
e religiosas. Entre os judeus, a figura do casamenteiro vem de séculos.
Hoje, esse papel é exercido majoritariamente por rabinos
como Yossi Schildkraut (veja
quadro). Ele calcula que dez casamentos são
realizados todos os anos graças a seus esforços. Mais
informalmente, mães, avós e amigos da família
acabam mexendo seus pauzinhos para que os jovens não busquem
consortes fora da comunidade.
A idéia de flechar corações
vem da Antiguidade clássica. Cupido, na mitologia romana,
corresponde a Eros para os gregos. Trata-se de uma criança
maliciosa, filha de Vênus ou Afrodite (deusa do amor e da
beleza), que adorava deixar as pessoas apaixonadas. Em uma das narrativas
mais conhecidas a seu respeito, Vênus, que morria de ciúme
da beleza da mortal Psiquê, mandou Cupido castigá-la
com seus poderes. No meio da missão, no entanto, ele também
acabou se apaixonando por ela. Os dois se casam, mas com a condição
de que ela não veja o rosto do amado. Em todos os seus momentos
juntos, Cupido sempre conserva o rosto coberto. Quando Psiquê
descobre sua identidade, Cupido rompe o relacionamento. Inconformada,
ela vaga o mundo atrás dele e, ao encontrá-lo, ganha
a imortalidade.
Heudes Regis
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| A
empresária Lucilia Diniz foi bem direta em seu
pedido ao amigo e também empresário William
Barrington: "Quero um namorado mais novo, que tenha disposição
para caminhar comigo, goste de viajar, seja inteligente e tenha
carreira própria". Após algumas tentativas frustradas,
ele a apresentou ao advogado Márcio Bellocchi,
doze anos mais jovem. Três meses depois do primeiro encontro,
fizeram uma viagem de 35 dias pelo Oriente. "Barrington e o
universo conspiraram a nosso favor", diz ela. |
Outras histórias e poemas desde a Idade
Antiga mostram esse ser alado como o propagador do amor. "Ele pode
ter uma tocha de fogo ou um arco-e-flecha nas mãos, representando
o amor que vem de repente e pega suas vítimas de surpresa",
explica André Malta Campos, professor de língua e
literatura grega da USP. Originalmente, esse amor simbolizava desejo
e atração sexual. "Mais recentemente, a figura foi
associada ao amor romântico, sem conotação carnal."
O fato é que, hoje em dia, os cupidos
estão mais requisitados do que nunca. Por quem deseja um
relacionamento passageiro, um companheiro para todas as horas ou
uma mulher deslumbrante, como a modelo Isabeli Fontana, flechada
pela colega Jeísa Chiminazzo para o amigo Alvaro Jacomossi.
Depois de um jantar no apartamento de Jeísa, formou-se o
casal mais lindo do mundo, segundo a revista Vogue americana.
Outro caso exemplar é o dos atores Bruno Gagliasso e Danielle
Winits. Gagliasso, o Inácio da novela Celebridade, infernizou
o secretário particular da atriz, Guilherme Oliveira, o "Xu",
para que o ajudasse a conquistar Danielle. Ligava todos os dias,
armava encontros, mandava recados... De tanto que participou da
história dos dois, Xu até presenciou o primeiro beijo
do casal, num show, em dezembro. É por essas e por outras
que cupidos bons de mira também merecem ganhar presentes
caprichados neste Dia dos Namorados.
Divulgação
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| Apontados
como o casal mais bonito do mundo pela revista Vogue americana,
os modelos Isabeli Fontana e Alvaro Jacomossi se
conheceram num jantar no apartamento de sua colega Jeísa
Chiminazzo. "Ela tinha me dito que eu iria adorar o Alvaro",
conta Isabeli, com 16 anos na época. "Mas eu era contra,
queria conhecer sozinha uma pessoa que me agradasse." Tímido,
Jacomossi demorou a ligar para Isabeli depois do jantar. Para
encontrá-la, usava a desculpa de que queria malhar no
prédio dela, onde havia uma academia. Acabaram ficando
amigos e depois namoraram. Estão juntos há quatro
anos e o filho deles, Zion, de 1 ano, já arranca suspiros.
"Jeísa é a madrinha postiça dele", agradece
Isabeli. |
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O
casamenteiro do Jardim Europa
Heudes Regis
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| O rabino Schildkraut: dez matrimônios
por ano |
Uma passagem conhecida do Talmude, livro da tradição
judaica, diz que juntar um casal é tão difícil
quanto abrir o Mar Vermelho. No judaísmo, apresentar
pessoas representa uma boa ação. Por isso, mesmo
nos dias de hoje, valoriza-se o trabalho dos casamenteiros
(matchmaker, em inglês, ou shadchan, em
hebraico). Em São Paulo, o rabino Yossi Schildkraut,
da sinagoga Beit Chabad, no Jardim Europa, é considerado
o principal deles. Em 1986, ele fundou uma das primeiras agências
matrimoniais da cidade, exclusiva para judeus. Atualmente,
o serviço, gratuito, funciona através do site
www.ahava.com.br
(a palavra significa amor). Para se juntar aos mais de 2.000
cadastrados, é preciso preencher uma ficha e dar o
nome de três pessoas da comunidade como referência.
A aprovação pode levar até um mês,
período em que o rabino e seus assistentes analisam
o candidato. O motivo é simples: segurança.
Pela mesma razão, recomenda-se que o primeiro encontro
seja em local público.
O rabino, que conheceu
sua mulher nos Estados Unidos graças à habilidade
de um matchmaker, continua unindo casais informalmente.
Ele calcula ser responsável por no mínimo dez
casamentos por ano. "Recebo muitos pedidos", diz ele. "Uma
mãe me liga todos os dias para que eu encontre mulheres
para seus dois filhos." Os ortodoxos, que seguem a religião
à risca, não devem ter nenhum contato com o
sexo oposto antes do casamento. Tanto que, nas sinagogas e
nas escolas, há espaços separados para homens
e mulheres. Casar, só com a ajuda de alguém.
Mas a rede de contatos
funciona também para os judeus mais jovens e descolados.
É o caso do Agenda 18, um clube que promove encontros
semanais para até 200 pessoas em restaurantes, bares
e teatros. Na semana passada, o clube organizado pelo empresário
Charles Tawil comemorou com um jantar em O Leopolldo seus
doze anos de fundação. Não há
taxa de adesão e, para saber onde será a reunião,
basta ligar para o
3081-2038. Tawil não tem controle sobre os pares que
são formados por seu trabalho de cupido voluntário,
mas, vira e mexe, recebe agradecimentos. "Outro dia um senhor
veio me mostrar a foto da netinha e disse que ela tinha nascido
graças a mim", conta, todo orgulhoso.
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