| |
|
|
 |
|
PERFIL
No
topo da agitação
Às
vésperas de abrir um novo restaurante,
Sergio Kalil, dono
dos badalados Ritz e Spot,
firma-se como um dos mais bem-sucedidos
anfitriões da noite paulistana
Erika
Sallum
Mario Rodrigues
 |
| Kalil:
retoques finais no novo empreendimento |
Quem
freqüenta os restaurantes Ritz e Spot conhece bem a figura.
Quase sempre de calça jeans e camisa preta, circula entre
as mesas, conversando com clientes que vão de anônimos
a nomes como Caetano Veloso, Rodrigo Santoro e Alexandre Herchcovitch.
Cigarro na mão, costuma tomar um cafezinho com os mais próximos
ou apenas observar o movimento num canto. Aos 40 anos, o sócio-proprietário
Sergio Abdalla Kalil é uma espécie de símbolo
dessas casas, que figuram entre os mais duradouros templos da badalação
paulistana. Responsável pelo bom funcionamento do salão,
é por causa dele que os dois endereços estão
sempre no topo do agito. "Kalil é um perfeito cartão
de visita", diz o crítico gastronômico Arnaldo Lorençato.
"Com jeito discreto e atento, consegue reunir uma mistura muito
interessante de pessoas num só espaço."
Agora,
Kalil se lança em mais um desafio: reproduzir essa atmosfera
em seu novo restaurante, no Hotel Lycra, que será inaugurado
para convidados neste domingo (13) nos Jardins. Um feito e tanto
numa São Paulo acostumada a ver uma série de casas
moderninhas tornar-se "o" point do momento, para logo depois entrar
em decadência. O Ritz e o Spot são casos raríssimos
de restaurantes que não saem da moda apesar de não
inovarem há anos no cardápio nem na decoração.
"Não oferecem grandes novidades culinárias, porém
têm uma comida básica que sempre cai bem", diz o escritor
e freqüentador assíduo Marcelo Rubens Paiva. "Além
disso, o ambiente é agradável, onde sei que posso
encontrar amigos e gente bacana."
Fotos Mario Rodrigues
 |
gues
 |
| Spot:
longas filas de descolados |
Ritz:
ponto turístico da cidade |
É
um clima parecido que Kalil pretende levar ao novo empreendimento
no Hotel Lycra, que de hotel tem apenas o nome. Localizado na Rua
Oscar Freire, o imóvel reunirá uma loja do estilista
Jum Nakao, uma galeria de arte e o restaurante (aberto ao público
a partir da sexta 18). Ao lado de Kalil, estarão as chefs
e sócias Maria Helena Guimarães e Lygia Lopes, criadoras
dos cardápios do Ritz e do Spot. Aberto em 1981 na Alameda
Franca, o Ritz surgiu primeiro, a partir de uma idéia de
Maria Helena. No início dos anos 90, ela soube de um rapaz
promissor formado em economia que tivera uma bem-sucedida passagem
pelo então descolado bistrô L'Arnaque. "Na época,
estava envolvida em outros projetos e precisava de alguém
para me ajudar", conta Maria Helena, também dona da rede
America. "O Sergio soube criar um vínculo especial com a
clientela. Enquanto ele adora a noite e a agitação,
eu prefiro ficar atrás das panelas."
A
mescla dos dois estilos fez com que o Ritz rejuvenescesse. Em 1994,
os sócios abriram o Spot, que logo ganhou fama. Três
anos atrás, foi inaugurado o segundo Ritz, no Itaim. "O segredo
do sucesso é saber manter o clima sofisticado, mas preservando
aquele ar amigo de clube", diz ele, com a propriedade de quem cresceu
assistindo ao pai negociar. Filho de um atacadista de brinquedos
da 25 de Março, Kalil formou-se em economia pela Faap, chegou
a fazer estágio em banco, mas abandonou tudo decidido a abrir
o próprio negócio. Pensou em uma farmácia,
"porque é um negócio que nunca vai mal". Apesar de
passar apuros na cozinha, aprendeu a apreciar um bom prato com sua
avó libanesa e acabou optando pelo ramo de restaurantes.
Hoje, vistoria pessoalmente cada um deles, tanto na hora do almoço
como na do jantar. Avesso ao trânsito, Kalil faz os trajetos
a pé, apesar do fôlego de quem fuma dois maços
de cigarro por dia desde os 14 anos.
À
noite, gosta de conferir o movimento do Spot, onde se desdobra para
lembrar o nome de todos os fregueses e acalmar os ânimos de
quem enfrenta horas na fila por uma mesa. Há quem diga que
os mais famosos e íntimos passam na frente, o que ele nega
veementemente. "O Boy George, a Cyndi Lauper e o Ciro Gomes vieram
aqui e tiveram de aguardar", garante. "Trato todo mundo do mesmo
jeito. Caso contrário, por que as pessoas continuariam a
voltar depois de tantos anos?"
|