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16 de abril de 2003
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No topo da agitação

Às vésperas de abrir um novo restaurante,
Sergio Kalil,
dono dos badalados Ritz e Spot,
firma-se como um dos mais bem-sucedidos
anfitriões da noite paulistana

Erika Sallum


Mario Rodrigues
Kalil: retoques finais no novo empreendimento

Quem freqüenta os restaurantes Ritz e Spot conhece bem a figura. Quase sempre de calça jeans e camisa preta, circula entre as mesas, conversando com clientes que vão de anônimos a nomes como Caetano Veloso, Rodrigo Santoro e Alexandre Herchcovitch. Cigarro na mão, costuma tomar um cafezinho com os mais próximos ou apenas observar o movimento num canto. Aos 40 anos, o sócio-proprietário Sergio Abdalla Kalil é uma espécie de símbolo dessas casas, que figuram entre os mais duradouros templos da badalação paulistana. Responsável pelo bom funcionamento do salão, é por causa dele que os dois endereços estão sempre no topo do agito. "Kalil é um perfeito cartão de visita", diz o crítico gastronômico Arnaldo Lorençato. "Com jeito discreto e atento, consegue reunir uma mistura muito interessante de pessoas num só espaço."

Agora, Kalil se lança em mais um desafio: reproduzir essa atmosfera em seu novo restaurante, no Hotel Lycra, que será inaugurado para convidados neste domingo (13) nos Jardins. Um feito e tanto numa São Paulo acostumada a ver uma série de casas moderninhas tornar-se "o" point do momento, para logo depois entrar em decadência. O Ritz e o Spot são casos raríssimos de restaurantes que não saem da moda – apesar de não inovarem há anos no cardápio nem na decoração. "Não oferecem grandes novidades culinárias, porém têm uma comida básica que sempre cai bem", diz o escritor e freqüentador assíduo Marcelo Rubens Paiva. "Além disso, o ambiente é agradável, onde sei que posso encontrar amigos e gente bacana."

Fotos Mario Rodrigues
gues
Spot: longas filas de descolados Ritz: ponto turístico da cidade

É um clima parecido que Kalil pretende levar ao novo empreendimento no Hotel Lycra, que de hotel tem apenas o nome. Localizado na Rua Oscar Freire, o imóvel reunirá uma loja do estilista Jum Nakao, uma galeria de arte e o restaurante (aberto ao público a partir da sexta 18). Ao lado de Kalil, estarão as chefs e sócias Maria Helena Guimarães e Lygia Lopes, criadoras dos cardápios do Ritz e do Spot. Aberto em 1981 na Alameda Franca, o Ritz surgiu primeiro, a partir de uma idéia de Maria Helena. No início dos anos 90, ela soube de um rapaz promissor formado em economia que tivera uma bem-sucedida passagem pelo então descolado bistrô L'Arnaque. "Na época, estava envolvida em outros projetos e precisava de alguém para me ajudar", conta Maria Helena, também dona da rede America. "O Sergio soube criar um vínculo especial com a clientela. Enquanto ele adora a noite e a agitação, eu prefiro ficar atrás das panelas."

A mescla dos dois estilos fez com que o Ritz rejuvenescesse. Em 1994, os sócios abriram o Spot, que logo ganhou fama. Três anos atrás, foi inaugurado o segundo Ritz, no Itaim. "O segredo do sucesso é saber manter o clima sofisticado, mas preservando aquele ar amigo de clube", diz ele, com a propriedade de quem cresceu assistindo ao pai negociar. Filho de um atacadista de brinquedos da 25 de Março, Kalil formou-se em economia pela Faap, chegou a fazer estágio em banco, mas abandonou tudo decidido a abrir o próprio negócio. Pensou em uma farmácia, "porque é um negócio que nunca vai mal". Apesar de passar apuros na cozinha, aprendeu a apreciar um bom prato com sua avó libanesa e acabou optando pelo ramo de restaurantes. Hoje, vistoria pessoalmente cada um deles, tanto na hora do almoço como na do jantar. Avesso ao trânsito, Kalil faz os trajetos a pé, apesar do fôlego de quem fuma dois maços de cigarro por dia desde os 14 anos.

À noite, gosta de conferir o movimento do Spot, onde se desdobra para lembrar o nome de todos os fregueses e acalmar os ânimos de quem enfrenta horas na fila por uma mesa. Há quem diga que os mais famosos e íntimos passam na frente, o que ele nega veementemente. "O Boy George, a Cyndi Lauper e o Ciro Gomes vieram aqui e tiveram de aguardar", garante. "Trato todo mundo do mesmo jeito. Caso contrário, por que as pessoas continuariam a voltar depois de tantos anos?"

         
     
 
 
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