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16 de abril de 2003
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Motoboys do bem

Empresa de entregas rápidas cria
código de ética
e de comportamento
para seus funcionários

Marcella Centofanti


Heudes Regis
Os motoqueiros da Help Express: cadastro na prefeitura e nada de brigas no trānsito



Eles são um terror no trânsito. Dirigem em alta velocidade, cortam carros pela esquerda e pela direita, xingam motoristas e pedestres. Ao tentar passar por corredores estreitos, muitas vezes amassam a lataria e quebram espelhos retrovisores dos veículos. Se um deles toma parte num acidente, outros aglomeram-se no local, intimidando os demais envolvidos na batida. Velhos conhecidos dos motoristas paulistanos, os motoboys, segundo estimativas do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), já somam 160.000 na cidade. Não é à toa que eles pintam e bordam pelas ruas. Apesar de a prefeitura ter tentado regulamentar a atividade, a iniciativa não foi levada a sério pelos motoqueiros e pelas empresas do setor. Das 1.500 firmas de entregas rápidas que se calcula operarem na capital, apenas 43 são cadastradas na Secretaria Municipal de Transportes.

Para reverter a má fama desses entregadores, a Help Express, na Vila Olímpia, foi a pioneira em criar uma espécie de manual de boa conduta a seus 200 funcionários. "Nossos motoqueiros são treinados para não quebrar espelhos retrovisores nem xingar motoristas", diz a proprietária, Ione Antunes. Todos são cadastrados na prefeitura e, como manda a lei, passaram por um curso que ensina noções de direção defensiva, primeiros socorros e legislação. São incentivados a participar de campanhas filantrópicas e a desenvolver trabalhos voluntários. No ano passado, arrecadaram mais de 200 litros de leite para um asilo de Barueri e ajudaram a juntar 400 peças de roupa para uma ONG de Guarulhos.

Esses motoboys seguem um código de conduta e ética com normas de comportamento (veja quadro ao lado) e recebem noções sobre como evitar drogas e doenças sexualmente transmissíveis. "Eu sempre fui nervosinho no trânsito. Vivia batendo boca e falando palavrões", diz Joel Paiva, motoboy há dez anos. "Quando entrei aqui, há cinco anos, aprendi que meu mau comportamento contribuía para piorar a péssima imagem que a sociedade tem da gente." A iniciativa da Help Express, apesar de tímida, é aplaudida pelo sindicato do setor. "Se todas as empresas investirem na formação dos funcionários e a prefeitura fiscalizar a atividade, os motoboys vão deixar de ser um pesadelo para os paulistanos", afirma o secretário-geral do sindicato, Luis Alexandre Duarte.

 

         
     
 
 
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