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CIDADE
Motoboys
do bem
Empresa
de entregas rápidas cria
código de ética e
de comportamento
para seus funcionários
Marcella
Centofanti
Heudes Regis
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| Os
motoqueiros da Help Express: cadastro na prefeitura e nada de
brigas no trānsito |
Eles
são um terror no trânsito. Dirigem em alta velocidade,
cortam carros pela esquerda e pela direita, xingam motoristas e
pedestres. Ao tentar passar por corredores estreitos, muitas vezes
amassam a lataria e quebram espelhos retrovisores dos veículos.
Se um deles toma parte num acidente, outros aglomeram-se no local,
intimidando os demais envolvidos na batida. Velhos conhecidos dos
motoristas paulistanos, os motoboys, segundo estimativas do Sindicato
das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região
(Setcesp), já somam 160.000 na
cidade. Não é à toa que eles pintam e bordam
pelas ruas. Apesar de a prefeitura ter tentado regulamentar a atividade,
a iniciativa não foi levada a sério pelos motoqueiros
e pelas empresas do setor. Das 1.500
firmas de entregas rápidas que se calcula operarem na capital,
apenas 43 são cadastradas na Secretaria Municipal de Transportes.
Para
reverter a má fama desses entregadores, a Help Express, na
Vila Olímpia, foi a pioneira em criar uma espécie
de manual de boa conduta a seus 200 funcionários. "Nossos
motoqueiros são treinados para não quebrar espelhos
retrovisores nem xingar motoristas", diz a proprietária,
Ione Antunes. Todos são cadastrados na prefeitura e, como
manda a lei, passaram por um curso que ensina noções
de direção defensiva, primeiros socorros e legislação.
São incentivados a participar de campanhas filantrópicas
e a desenvolver trabalhos voluntários. No ano passado, arrecadaram
mais de 200 litros de leite para um asilo de Barueri e ajudaram
a juntar 400 peças de roupa para uma ONG de Guarulhos.
Esses
motoboys seguem um código de conduta e ética com normas
de comportamento (veja quadro ao lado) e recebem noções
sobre como evitar drogas e doenças sexualmente transmissíveis.
"Eu sempre fui nervosinho no trânsito. Vivia batendo boca
e falando palavrões", diz Joel Paiva, motoboy há dez
anos. "Quando entrei aqui, há cinco anos, aprendi que meu
mau comportamento contribuía para piorar a péssima
imagem que a sociedade tem da gente." A iniciativa da Help Express,
apesar de tímida, é aplaudida pelo sindicato do setor.
"Se todas as empresas investirem na formação dos funcionários
e a prefeitura fiscalizar a atividade, os motoboys vão deixar
de ser um pesadelo para os paulistanos", afirma o secretário-geral
do sindicato, Luis Alexandre Duarte.
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