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URBANISMO Dez
idéias para o centro Com um empréstimo internacional
de 100 milhões de dólares, o subprefeito da Sé, Andrea
Matarazzo, tem uma oportunidade de ouro para resgatar a importância
e o glamour do coração da cidade Alessandro
Duarte e Marcos Buarque de Gusmão Ilustrações Nanci Serrão
Mario
Rodrigues
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Matarazzo, no Viaduto do Chá: "Precisamos trazer o paulistano para cá" |
Enquanto
foi embaixador do Brasil na Itália, entre dezembro de 2001 e o fim de 2002,
o empresário paulistano Andrea Matarazzo viveu e trabalhou em um palácio
de 22.000 metros quadrados, o Pamphili, na Piazza Navona, em Roma. Tinha dez assessores
e andava de carro escoltado por quatro batedores de moto. De volta ao país,
passou a despachar em um elegante escritório na Rua Quinze de Novembro,
sede de duas indústrias de plástico que faturam 200 milhões
de reais por ano. Ex-presidente da Companhia Energética de São Paulo
(Cesp) e ex-secretário de Comunicação do governo FHC, ele
é o que se convencionou chamar de tucano de alta plumagem, com bom trânsito
entre os caciques do PSDB. Por isso, sua nomeação para subprefeito
da Sé causou surpresa e criou expectativas. Da sala sem ar-condicionado
em que agora trabalha, na feiosa Avenida do Estado, com persianas caindo aos pedaços
e apenas um telefone (ele divide o aparelho sem fio com a secretária),
Matarazzo terá de tomar decisões importantes. O prefeito José
Serra, de quem é velho amigo, deu-lhe a missão de estudar, propor
e executar medidas que façam o centro da cidade recuperar o glamour e a
importância do passado. "A Sé precisava
de alguém com o perfil dele, um administrador que fala diretamente com
o prefeito e encontra portas abertas em todas as secretarias", afirma Marco Antonio
de Almeida, presidente executivo da Associação Viva o Centro, que
há treze anos acompanha o vaivém de administradores regionais e
subprefeitos na região. Apaixonado por velocidade é dono
de uma moto Honda Blackbird modelo 97, de 1.137 cilindradas, capaz de superar
os 250 quilômetros por hora , Matarazzo está com pressa de
mostrar serviço. Tem a seu favor uma bolada de 100 milhões de dólares
de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destinado
a melhorias no centro. Esses recursos começaram a ser negociados durante
a gestão do ex-prefeito Celso Pitta, e o contrato foi assinado por Marta
Suplicy, que deu o primeiro sopro de renovação na região.
Para usar a dinheirama, a prefeitura deve contribuir com uma contrapartida de
65 milhões de dólares o equivalente a cerca de 1% de seu
orçamento de 15,2 bilhões de reais. É sabido que hoje a administração
municipal não conta com essa verba em caixa. Por isso, os projetos não
sairão da gaveta todos de uma vez. Matarazzo mandou rever as 130 idéias
elaboradas pela administração anterior e pretende centrar forças
em problemas de grandes dimensões, como a deterioração da
área conhecida como Cracolândia, a falta de estacionamentos e o acúmulo
de camelôs. "Precisamos trazer o paulistano de novo para cá, seja
para morar, trabalhar, fazer compras ou simplesmente passear", diz.
Bisneto do senador italiano Andrea Matarazzo (irmão do conde Francisco
Matarazzo, fundador do antigo império industrial da família), ele
se lembra do tempo em que passeava pelas ruas Xavier de Toledo e Barão
de Itapetininga, que eram então muito chiques, ao lado de seu tio Ciccillo,
criador da Bienal, do Museu de Arte Moderna e do Museu de Arte Contemporânea.
Orgulhoso dessa herança, partiu dele a sugestão para que Serra voltasse
a chamar a sede da prefeitura, no Vale do Anhangabaú, de Edifício
Conde Francisco Matarazzo. Como os ancestrais, usa ternos feitos sob medida com
tecidos italianos. "Não me lembro de tê-lo visto sem paletó
e gravata. Acho que nem na praia", brinca sua mulher, Sônia. Na casa em
que mora, no Morumbi, em cujo jardim um de seus empregados hasteia todos os dias
a bandeira brasileira, costuma reunir os amigos em torno de uma mesa com 22 lugares.
Desde o dia 3 de janeiro, ele sai no próprio
carro rumo ao deteriorado prédio da subprefeitura da Sé. No caminho,
aproveita para anotar novos buracos e placas irregulares. "Sinto que dá
para fazer muita coisa pelo centro da cidade", afirma. "Mas não basta ter
dinheiro. É imprescindível o envolvimento da sociedade, como não
jogar lixo em local proibido nem aceitar camelô e carroceiro por todo lado."
Nas páginas a seguir, dez idéias de Matarazzo para fazer o coração
da cidade voltar a pulsar. 
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