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16 de março de 2005
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Dez idéias para o centro

Com um empréstimo internacional de
100 milhões de dólares, o subprefeito
da Sé, Andrea Matarazzo, tem uma
oportunidade de ouro para resgatar
a importância e o glamour do
coração da cidade

Alessandro Duarte e Marcos Buarque de Gusmão
Ilustrações Nanci Serrão

 
Mario Rodrigues
Andrea Matarazzo, no Viaduto do Chá: "Precisamos trazer o paulistano para cá"


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Enquanto foi embaixador do Brasil na Itália, entre dezembro de 2001 e o fim de 2002, o empresário paulistano Andrea Matarazzo viveu e trabalhou em um palácio de 22.000 metros quadrados, o Pamphili, na Piazza Navona, em Roma. Tinha dez assessores e andava de carro escoltado por quatro batedores de moto. De volta ao país, passou a despachar em um elegante escritório na Rua Quinze de Novembro, sede de duas indústrias de plástico que faturam 200 milhões de reais por ano. Ex-presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e ex-secretário de Comunicação do governo FHC, ele é o que se convencionou chamar de tucano de alta plumagem, com bom trânsito entre os caciques do PSDB. Por isso, sua nomeação para subprefeito da Sé causou surpresa e criou expectativas. Da sala sem ar-condicionado em que agora trabalha, na feiosa Avenida do Estado, com persianas caindo aos pedaços e apenas um telefone (ele divide o aparelho sem fio com a secretária), Matarazzo terá de tomar decisões importantes. O prefeito José Serra, de quem é velho amigo, deu-lhe a missão de estudar, propor e executar medidas que façam o centro da cidade recuperar o glamour e a importância do passado.

"A Sé precisava de alguém com o perfil dele, um administrador que fala diretamente com o prefeito e encontra portas abertas em todas as secretarias", afirma Marco Antonio de Almeida, presidente executivo da Associação Viva o Centro, que há treze anos acompanha o vaivém de administradores regionais e subprefeitos na região. Apaixonado por velocidade – é dono de uma moto Honda Blackbird modelo 97, de 1.137 cilindradas, capaz de superar os 250 quilômetros por hora –, Matarazzo está com pressa de mostrar serviço. Tem a seu favor uma bolada de 100 milhões de dólares de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destinado a melhorias no centro. Esses recursos começaram a ser negociados durante a gestão do ex-prefeito Celso Pitta, e o contrato foi assinado por Marta Suplicy, que deu o primeiro sopro de renovação na região. Para usar a dinheirama, a prefeitura deve contribuir com uma contrapartida de 65 milhões de dólares – o equivalente a cerca de 1% de seu orçamento de 15,2 bilhões de reais. É sabido que hoje a administração municipal não conta com essa verba em caixa. Por isso, os projetos não sairão da gaveta todos de uma vez. Matarazzo mandou rever as 130 idéias elaboradas pela administração anterior e pretende centrar forças em problemas de grandes dimensões, como a deterioração da área conhecida como Cracolândia, a falta de estacionamentos e o acúmulo de camelôs. "Precisamos trazer o paulistano de novo para cá, seja para morar, trabalhar, fazer compras ou simplesmente passear", diz.

Bisneto do senador italiano Andrea Matarazzo (irmão do conde Francisco Matarazzo, fundador do antigo império industrial da família), ele se lembra do tempo em que passeava pelas ruas Xavier de Toledo e Barão de Itapetininga, que eram então muito chiques, ao lado de seu tio Ciccillo, criador da Bienal, do Museu de Arte Moderna e do Museu de Arte Contemporânea. Orgulhoso dessa herança, partiu dele a sugestão para que Serra voltasse a chamar a sede da prefeitura, no Vale do Anhangabaú, de Edifício Conde Francisco Matarazzo. Como os ancestrais, usa ternos feitos sob medida com tecidos italianos. "Não me lembro de tê-lo visto sem paletó e gravata. Acho que nem na praia", brinca sua mulher, Sônia. Na casa em que mora, no Morumbi, em cujo jardim um de seus empregados hasteia todos os dias a bandeira brasileira, costuma reunir os amigos em torno de uma mesa com 22 lugares.

Desde o dia 3 de janeiro, ele sai no próprio carro rumo ao deteriorado prédio da subprefeitura da Sé. No caminho, aproveita para anotar novos buracos e placas irregulares. "Sinto que dá para fazer muita coisa pelo centro da cidade", afirma. "Mas não basta ter dinheiro. É imprescindível o envolvimento da sociedade, como não jogar lixo em local proibido nem aceitar camelô e carroceiro por todo lado." Nas páginas a seguir, dez idéias de Matarazzo para fazer o coração da cidade voltar a pulsar.

 

     
   
 
 
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