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16 de março de 2005
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Adeus, Leopolldo

O espaço de eventos mais luxuoso
da cidade fecha as portas no Morumbi

Marcella Centofanti

 
Gladstone Campos
Acima , um dos sete ambientes suntuosamente decorados do casarão de 3 100 metros quadrados. Abaixo, o mesmo salão depois do bazar que liquidou parte dos objetos na semana passada: até a lareira foi vendida
Mario Rodrigues


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Nos últimos nove anos, O Leopolldo, misto de bar, restaurante, boate e espaço para eventos, abrigou algumas das mais reluzentes festas da sociedade paulistana no Morumbi. Foi lá que a empresária Tânia Piva de Albuquerque comemorou o casamento de sua filha mais velha, Tatiana, e que o apresentador Fausto Silva trocou alianças com a modelo Luciana Cardoso. Tanto a apresentadora Hebe Camargo quanto o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, antes de assumir o cargo, por mais de uma vez promoveram rega-bofes para celebrar seus aniversários. Uma festa ali custava em torno de 150 reais por pessoa, sem bebidas. No dia 23 de dezembro, a casa recebeu seus habitués pela última vez. Na semana passada, pratos, talheres, ventiladores, portas, janelas e uma lareira foram liquidados num bazar na linha "família vende tudo". Houve quem pagasse 800 reais por um sofá de veludo bordô, 1.500 por um candelabro italiano e 16.000 reais por um ar-condicionado. Pouca coisa sobrou do cenário majestoso de outros tempos, com estátuas em estilo art nouveau, réplicas de bustos romanos e tapetes persas.

"A comida era ótima e a decoração, linda", diz a arquiteta Raquel Silveira, que conheceu seu marido, o cantor Paulo Ricardo, em um daqueles salões agora fechados. Encerradas suas atividades, não restou em São Paulo nenhum espaço com características semelhantes. "Não há mais público para um ambiente nos moldes do Leopolldo", acredita o empresário José Victor Oliva, criador do lendário Gallery e de vários endereços de sucesso. "O trânsito e a violência levaram as pessoas a adotar outro estilo de vida. Hoje, o paulistano prefere receber convidados em casa."

 
Roberto Loffel
O primeiro endereço, inaugurado em 1991, no Itaim Bibi: sucesso imediato

O Leopolldo nasceu na Rua Leopoldo Couto de Magalhães, no Itaim Bibi (daí a inspiração para o nome, que depois ficou com uma letra dobrada por influência da numerologia). Lá funcionou de 1991 a 1994 (antes de ser reinaugurado em 1996), quando o imóvel foi desapropriado pela prefeitura. Há dois anos, os sócios da casa – o engenheiro Francisco Lima, o decorador Jorge Elias, o economista Fernando Dhelomme e o restaurateur Giancarlo Bolla – inauguraram O Leopolldo Plaza, restaurante e espaço de eventos que permanece aberto na Avenida Faria Lima. "Os clientes querem coisas diferentes. Não podíamos ficar muito tempo parados no mesmo negócio", diz Dhelomme. Agora, os quatro empresários estão concentrados em um novo empreendimento. É o Leopoldina, bar e restaurante que vai ocupar 650 metros quadrados no 1º andar da nova Daslu, com inauguração prevista para maio. Três andares acima, haverá um espaço de 1 900 metros quadrados exclusivo para eventos. Alguns objetos que decoravam o casarão do Morumbi vão enfeitar esses dois ambientes, mantendo vivo ao menos um pedaço do que foi o antigo parque de diversões dos notívagos ricos de São Paulo.

 

Uma casa que deixa saudade

 
Mario Rodrigues
"O Leopolldo parecia uma residência, não tinha cara de salão de festas. Era de impressionar os estrangeiros."
TÂNIA PIVA DE ALBUQUERQUE, empresária
Mario Rodrigues
"O trânsito e a violência levaram as pessoas a adotar outro comportamento. Hoje, o paulistano recebe os convidados em casa."
JOSÉ VICTOR OLIVA, empresário
Cintia Sanchez

"A comida era ótima e a decoração, linda. É um lugar que entrou para a história da vida noturna da cidade."
RAQUEL SILVEIRA, arquiteta

     
   
 
 
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