| |
| |  | |
NOITE
Adeus, Leopolldo O espaço de eventos mais luxuoso
da cidade fecha as portas no Morumbi Marcella Centofanti
Gladstone
Campos
 | | Acima
, um dos sete ambientes suntuosamente decorados do casarão de 3 100 metros quadrados.
Abaixo, o mesmo salão depois do bazar que liquidou parte dos objetos na semana
passada: até a lareira foi vendida | Mario
Rodrigues
 |
Nos
últimos nove anos, O Leopolldo, misto de bar, restaurante, boate e espaço
para eventos, abrigou algumas das mais reluzentes festas da sociedade paulistana
no Morumbi. Foi lá que a empresária Tânia Piva de Albuquerque
comemorou o casamento de sua filha mais velha, Tatiana, e que o apresentador Fausto
Silva trocou alianças com a modelo Luciana Cardoso. Tanto a apresentadora
Hebe Camargo quanto o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, antes de
assumir o cargo, por mais de uma vez promoveram rega-bofes para celebrar seus
aniversários. Uma festa ali custava em torno de 150 reais por pessoa, sem
bebidas. No dia 23 de dezembro, a casa recebeu seus habitués pela última
vez. Na semana passada, pratos, talheres, ventiladores, portas, janelas e uma
lareira foram liquidados num bazar na linha "família vende tudo". Houve
quem pagasse 800 reais por um sofá de veludo bordô, 1.500 por um
candelabro italiano e 16.000 reais por um ar-condicionado. Pouca coisa sobrou
do cenário majestoso de outros tempos, com estátuas em estilo art
nouveau, réplicas de bustos romanos e tapetes persas. "A
comida era ótima e a decoração, linda", diz a arquiteta Raquel
Silveira, que conheceu seu marido, o cantor Paulo Ricardo, em um daqueles salões
agora fechados. Encerradas suas atividades, não restou em São Paulo
nenhum espaço com características semelhantes. "Não há
mais público para um ambiente nos moldes do Leopolldo", acredita o empresário
José Victor Oliva, criador do lendário Gallery e de vários
endereços de sucesso. "O trânsito e a violência levaram as
pessoas a adotar outro estilo de vida. Hoje, o paulistano prefere receber convidados
em casa." Roberto
Loffel
 | | O
primeiro endereço, inaugurado em 1991, no Itaim Bibi: sucesso imediato |
O Leopolldo nasceu na Rua Leopoldo Couto de Magalhães, no Itaim Bibi (daí
a inspiração para o nome, que depois ficou com uma letra dobrada
por influência da numerologia). Lá funcionou de 1991 a 1994 (antes
de ser reinaugurado em 1996), quando o imóvel foi desapropriado pela prefeitura.
Há dois anos, os sócios da casa o engenheiro Francisco Lima,
o decorador Jorge Elias, o economista Fernando Dhelomme e o restaurateur Giancarlo
Bolla inauguraram O Leopolldo Plaza, restaurante e espaço de eventos
que permanece aberto na Avenida Faria Lima. "Os clientes querem coisas diferentes.
Não podíamos ficar muito tempo parados no mesmo negócio",
diz Dhelomme. Agora, os quatro empresários estão concentrados em
um novo empreendimento. É o Leopoldina, bar e restaurante que vai ocupar
650 metros quadrados no 1º andar da nova Daslu, com inauguração
prevista para maio. Três andares acima, haverá um espaço de
1 900 metros quadrados exclusivo para eventos. Alguns objetos que decoravam o
casarão do Morumbi vão enfeitar esses dois ambientes, mantendo vivo
ao menos um pedaço do que foi o antigo parque de diversões dos notívagos
ricos de São Paulo. Uma
casa que deixa saudade Mario
Rodrigues
 | "O
Leopolldo parecia uma residência, não tinha cara de salão
de festas. Era de impressionar os estrangeiros." TÂNIA
PIVA DE ALBUQUERQUE, empresária | Mario
Rodrigues
 | "O
trânsito e a violência levaram as pessoas a adotar outro comportamento.
Hoje, o paulistano recebe os convidados em casa." JOSÉ
VICTOR OLIVA, empresário | Cintia
Sanchez
 | "A
comida era ótima e a decoração, linda. É um lugar
que entrou para a história da vida noturna da cidade." RAQUEL
SILVEIRA, arquiteta |
|
|