Publicidade
 

 
 


16 de março de 2005
URBANISMO
NOITE
ESCOLA
DEZ MOTIVOS PARA...
MEU ESTILO
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

ESCOLA

Pegaram no pé

Uso de chinelos de dedo causa
polêmica em tradicional colégio
da cidade

Marcella Centofanti

 
Fotos Mario Rodrigues
Alunos do Miguel de Cervantes, como Camila, protestaram na última quinta: sandálias liberadas

Não é de hoje que as Havaianas e afins saíram dos canteiros de obra e foram parar nos pés de celebridades e descolados em geral. Também não é novidade que os simplórios chinelinhos de borracha, que começaram a ser fabricados em 1962, transformaram-se em objeto de desejo de consumidores espalhados por dezenas de países. Por aqui, é possível vê-los nos shoppings, nos cinemas, em baladas e em alguns restaurantes. As escolas, território até então inexplorado pelas "legítimas", agora estão cedendo ao modismo. Na semana passada, foi a vez do Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi. Depois de muita polêmica, diga-se.

Na última terça-feira, os alunos do ensino médio foram avisados de que não poderiam assistir às aulas usando chinelos de dedo. "A coordenadora e alguns professores falaram que estava no regulamento da escola e que não era adequado", conta Camila Covelo, de 16 anos, matriculada no 2º ano. Em nome da liberdade dos pés, os adolescentes espalharam cartazes nos banheiros, elevadores e bebedouros convocando os colegas a calçar chinelos no dia seguinte. A discussão espalhou-se pela internet, em fotologs, comunidades do Orkut e em conversas pelo Messenger. Na quarta e na quinta-feira, mais da metade dos 300 alunos do ensino médio (e alguns das séries abaixo) aderiram ao protesto. Deu resultado. A diretoria voltou atrás e liberou o uso dos chinelos fora das atividades físicas. O colégio distribuiu uma nota afirmando que não houve proibição, apenas uma orientação sobre cuidados com higiene e possíveis acidentes que os calçados inadequados poderiam causar.

Além do Miguel de Cervantes, outras tradicionais escolas da cidade permitem o uso de sandálias de dedo. Estão entre elas o Bandeirantes, o Santa Cruz e a Graded School. No Arquidiocesano, só os alunos do ensino médio estão liberados. Para a consultora de etiqueta Célia Leão, as escolas deveriam exigir mais postura e comprometimento dos estudantes. "Chinelos combinam com praia, férias e fim de semana", diz ela. "Não com sala de aula."

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados