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ESCOLA
Pegaram no pé Uso de chinelos de dedo causa polêmica
em tradicional colégio da cidade Marcella Centofanti Fotos
Mario Rodrigues
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do Miguel de Cervantes, como Camila, protestaram na última quinta: sandálias
liberadas |
Não é de
hoje que as Havaianas e afins saíram dos canteiros de obra e foram parar
nos pés de celebridades e descolados em geral. Também não
é novidade que os simplórios chinelinhos de borracha, que começaram
a ser fabricados em 1962, transformaram-se em objeto de desejo de consumidores
espalhados por dezenas de países. Por aqui, é possível vê-los
nos shoppings, nos cinemas, em baladas e em alguns restaurantes. As escolas, território
até então inexplorado pelas "legítimas", agora estão
cedendo ao modismo. Na semana passada, foi a vez do Colégio Miguel de Cervantes,
no Morumbi. Depois de muita polêmica, diga-se.
Na última terça-feira, os alunos do ensino médio foram avisados
de que não poderiam assistir às aulas usando chinelos de dedo. "A
coordenadora e alguns professores falaram que estava no regulamento da escola
e que não era adequado", conta Camila Covelo, de 16 anos, matriculada no
2º ano. Em nome da liberdade dos pés, os adolescentes espalharam cartazes
nos banheiros, elevadores e bebedouros convocando os colegas a calçar chinelos
no dia seguinte. A discussão espalhou-se pela internet, em fotologs, comunidades
do Orkut e em conversas pelo Messenger. Na quarta e na quinta-feira, mais da metade
dos 300 alunos do ensino médio (e alguns das séries abaixo) aderiram
ao protesto. Deu resultado. A diretoria voltou atrás e liberou o uso dos
chinelos fora das atividades físicas. O colégio distribuiu uma nota
afirmando que não houve proibição, apenas uma orientação
sobre cuidados com higiene e possíveis acidentes que os calçados
inadequados poderiam causar. Além
do Miguel de Cervantes, outras tradicionais escolas da cidade permitem o uso de
sandálias de dedo. Estão entre elas o Bandeirantes, o Santa Cruz
e a Graded School. No Arquidiocesano, só os alunos do ensino médio
estão liberados. Para a consultora de etiqueta Célia Leão,
as escolas deveriam exigir mais postura e comprometimento dos estudantes. "Chinelos
combinam com praia, férias e fim de semana", diz ela. "Não com sala
de aula." |