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TRABALHO Os bambambãs
da noite Bares, restaurantes e casas noturnas movimentam
cerca de 1 bilhão de reais por mês na cidade. Mas, segundo a
Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), apenas
1% dos profissionais que sacrificam o sono para garantir a diversão
dos clientes ganha salários acima de 3 000 reais. São paulistanos
bem-sucedidos, como o ex-manobrista e dono de uma empresa de valet parking
Edson Roberto dos Santos, o ex-bancário e hoje DJ Renato Lopes e o
barman José Severino da Silva. Alguns deles chegam a receber 5 000
reais por uma noite de trabalho Marcos Buarque de Gusmão José
Severino Barman
R$ 4 000,00 Salário e comissões
Jorge Bispo  |
Homem de poucas palavras, cabelos bem cortados,
barba escanhoada, o barman José Severino da Silva, o Zé do restaurante
O Leopolldo Plaza, no Jardim Paulistano, é tão organizado que parece
obsessivo. Seu colega de balcão, Cícero dos Santos, sabe disso e
toma cuidado para manter os mais de 300 itens do bar exatamente do jeito que ele
arrumou. Na visão do pernambucano Zé, de 42 anos, foi esse perfeccionismo
que o fez chegar tão longe em sua profissão. Seu salário,
mais comissões recebidas por bebida vendida, alcança 4.000 reais
mensais (o salário-base de um barman é de 510 reais). "Ganho ainda
mais no período de festas, quando o consumo de destilados aumenta", afirma.
Zé, que não toma nenhuma bebida alcoólica além de
cerveja, trabalhava lavando pratos na cozinha do Caesar Park, na Rua Augusta,
21 anos atrás, quando foi convidado a cumprir dupla jornada para ajudar
no bar do hotel. Sua primeira tarefa era simples: decorar a posição
exata de cada garrafa para não errar quando o barman titular lhe pedisse
determinado rótulo. Nunca mais se separou das coqueteleiras. Hoje, conhece
mais de 100 receitas de cor. "É um craque", elogia Derivan Ferreira de
Souza, o barman premiado pelo júri de Veja São Paulo na edição
especial O Melhor da Cidade do ano passado.
Adriana
Recchi Hostess
R$ 1 500,00 Cachê por noite
Heudes Regis  |
Bancar a durona para barrar festeiros
inconvenientes é uma tarefa que a hostess Adriana Recchi, de 32 anos, desempenha
sem ganhar fama de chata. Afinal, ela traz sempre um sorriso no rosto e usa a
voz sensual para não comprar briga com ninguém. Outro ponto forte
seu é conhecer pelo nome os notívagos vips e tratar clientes anônimos
como se fossem velhos amigos mesmo sem nunca tê-los visto pela frente.
Por causa disso, enquanto outras anfitriãs cobram 400 reais por noite,
seu cachê é de 1.500 reais. Em festas patrocinadas por empresas,
ganha até 2.500 reais. A fama foi conquistada após dez anos de experiência
em clubes como B.A.S.E., U-Turn e Lov.e. Casada e dona de dois pit bulls, Adriana
adora exibir na balada criações de amigos estilistas como Marcelo
Sommer e Alexandre Herchcovitch. Ao lado da ex-hostess Helô Ricci, dá
os primeiros passos como promoter. As duas abriram, há seis meses, uma
assessoria de eventos. Na edição deste ano da São Paulo Fashion
Week, por exemplo, agitaram o lounge da Motorola. "Ultimamente, tenho passado
alguns truques da profissão para hostesses que estão começando",
diz Adriana. As dicas não são gratuitas. Ela tira um extra com seus
conselhos e atua como agente das garotas que querem seguir seus passos.
Renato
Lopes DJ
R$ 5 000,00 Cachê por noite
Jorge Bispo  |
Todas as tardes, Renato Lopes passeia
com seus dois cachorros pelo bairro de Pinheiros, onde mora. Nessas voltinhas,
repõe as energias para enfrentar o comando dos pick-ups nas after-hours
(baladas que começam de madrugada e só terminam com o sol a pino).
Na noite paulistana, ele se exibe nas boates D-Edge Club, na Barra Funda, e Ultralounge,
no Jardim Paulista. Faz, em média, quatro apresentações por
mês. Volta e meia, toca na Europa e nos Estados Unidos. No restante do tempo,
cuida da SmartBiz, uma agência de DJs que montou em sociedade com Fernando
Moreno. "Sou responsável pela parte administrativa e ele, pelo suporte
artístico", diz Moreno. A dupla agencia 25 profissionais entre eles,
Mau Mau e Camilo Rocha e fica com 20% de seus ganhos. Lopes e Moreno têm
ainda um selo próprio de música (SmartBiz Trax), programas de rádio
e um núcleo de festas (SmartBiz Party).
Quando é chamado para compor trilhas de desfiles de moda, o DJ costuma
cobrar 5.000 reais, o mesmo que recebe para animar a pista de casas noturnas.
Os cerca de 200 disc-jóqueis que atuam profissionalmente na cidade recebem
em média 300 reais por exibição. Na hora de gastar o que
ganha, Lopes segue à risca o que diria o manual de um bom DJ: torra quase
tudo com música. Um dos quartos de sua casa está tomado por mais
de 4.000 LPs. Antes de assumir os toca-discos, Lopes trabalhou em banco e foi
radialista. "Minha vida mudou em 1986, quando me apresentei no Madame Satã
e comecei a misturar ritmos, o que era raro", lembra. Hoje, colegas o chamam de
professor. "Ele sempre soube se reinventar sem apelar para o fácil", diz
Claudia Assef, autora do livro Todo DJ Já Sambou A História
do Disc-Jóquei no Brasil. Jeferson
Leonardo Segurança
R$ 4 000,00 Salário e comissões
Jorge Bispo  |
Tudo o que Jeferson Leonardo
de Moraes espera quando vai trabalhar é uma noite tranqüila. Enquanto
todos se divertem, é dele a responsabilidade de manter a segurança
de casas noturnas e festas badaladas. No megafestival Skol Beats, que acontece
em abril, Jef, como é conhecido, comandará uma tropa de 1.400 seguranças
para conter os ânimos de pelo menos 50.000 fãs de música eletrônica.
Seus 1,87 metro de altura, 120 quilos e 51 centímetros de bíceps
assustam, mas ele diz que prefere controlar a situação sem levantar
a voz. "Sou ex-militar e aprendi que não é legal gritar com as pessoas",
afirma Moares, de 31 anos. O estilo agrada. "Adoro tanto o trabalho dele que o
chamo para fazer minha segurança particular durante o evento", conta Bazinho
Ferraz, da B\Ferraz, a agência que organiza o Skol Beats.
Jef já manteve a ordem nas gravações do extinto programa
de TV Sai de Baixo, no Teatro Procópio Ferreira, e nas boates U-Turn,
no Itaim Bibi, e Disco, na Vila Olímpia. Jura que nunca se meteu em confusão.
Atualmente, trabalha como gerente operacional da Homens de Preto, empresa de vigilância
que tem entre seus clientes as casas noturnas Manga Rosa, Pecatto e Lotus. O grandalhão
faz rondas nesses locais para ver se o esquema montado por ele está funcionando
bem. Seu salário, com comissões, chega a 4.000 reais (quatro vezes
mais que o da maioria dos colegas). Quando está de folga, ele passa longe
do agito. "Prefiro sair para jantar uma boa massa e depois ir dormir cedo", diz.
Edson
dos Santos Empresário de valet
parking R$ 20 000,00 Pró-labore
Jorge Bispo  |
O sotaque caipira é de
Santa Fé do Sul, próximo à divisa de São Paulo com
Mato Grosso do Sul, cidade que deixou aos 18 anos de idade. Educado e com fama
de trabalhador, o ex-bóia-fria Edson Roberto dos Santos, de 32 anos, conseguiu
virar o jogo a seu favor. Em pouco mais de uma década de vida na capital,
deixou de ser manobrista para tocar empresas de valet parking. Santos é
dono da Pare Mais (atende locais como o restaurante Carlota, em Higienópolis,
e o Buena Vista Club, na Vila Olímpia), além de ser sócio
na Stop Car (valet do Ecco e do Dressing, ambos na Rua Amauri, no Itaim Bibi).
Ao todo, são quarenta endereços na cidade. Todos os seus 160 funcionários
têm registro em carteira. Os negócios vão de vento em popa
e lhe garantem um pró-labore (retirada fixa) de 20.000 reais por mês.
Como manobrista, Santos trabalhou
no La Buca Romana, da Rua Oscar Freire, e no Yellow Giraffe, na Rua Bela Cintra.
Também passou pelo restaurante Le Chef Rouge, que hoje é um de seus
clientes. "O Edinho foi nosso porteiro", lembra a proprietária Vanessa
Fiuza. Casado e pai de uma menina de 7 anos, Santos construiu uma casa de 280
metros quadrados na Zona Leste. Mas seus desejos seguem em direção
ao campo. Ele pretende criar gado em uma fazenda de 48.000 metros quadrados em
Mato Grosso, arrendada no ano passado. Sonha em ter ali 600 cabeças. Uma
de suas maiores paixões é comprar carros. Já tem cinco na
garagem. "Gosto de negociar automóveis", diz. "Quem sabe não invisto
em uma revendedora?" |