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PERFIL "Vou conquistar
o mundo" Depois de enfrentar os manda-chuvas da moda
paulistana, o estilista Carlos Miele inaugura loja de luxo nos Jardins
e investe no mercado internacional Marcella Centofanti
Renata Ursaia  |
Houve um tititi que marcou época
no mundinho da moda paulistano quando, em 2002, Carlos Miele, dono da M. Officer,
abandonou as passarelas da São Paulo Fashion Week. Irritado com críticas
que recebeu, ele resolveu enfrentar poderosos do metiê, a começar
pelo manda-chuva Paulo Borges, organizador do evento. Miele botou a boca no mundo
para dizer que era um injustiçado e que algumas editoras de moda não
tinham capacidade para entender e julgar seu trabalho. Essa teoria conspiratória
ainda o assombra. "Sofro as conseqüências por ter sido sincero", acredita.
"Foi imaturidade minha achar que poderia ir contra todos." Com a língua
e a vaidade mais controladas, o estilista, designer e artista multimídia,
como ele se auto-intitula, prepara-se agora, três anos depois, para inaugurar
a primeira loja da etiqueta Carlos Miele no Brasil. Ela ocupará 127 metros
quadrados de uma das mais cintilantes esquinas dos Jardins, a das ruas Bela Cintra
e Sarandi, com manequins suspensos como se flutuassem e vestidos de festa de quase
10.000 reais.
Heudes Regis  |
| Vestidos de festa, como os que foram apresentados
na Quarta-Feira de Cinzas na Semana de Moda de Nova York (abaixo), são
o forte do novo endereço na Bela Cintra (acima) | Fotos
Fernanda Calfat  | alfat
 | alfat
 | A
loja abre as portas no próximo dia 8 de março, data que marcou para
retornar de sua temporada nos Estados Unidos. Na Quarta-Feira de Cinzas, ele desfilou
32 looks pela sexta vez nas passarelas da Semana de Moda de Nova York. Lá,
mantém uma maison em Meatpacking District, reduto de grifes descoladas.
O projeto arquitetônico de efeitos futuristas já lhe rendeu reportagens
elogiosas no The New York Times e na revista Time. Com vestidos
que custam em média 3.000 dólares, o endereço está
longe de registrar o entra-e-sai de suas 96 lojas brasileiras, onde o forte são
os jeans de 250 reais. Miele vende hoje em 93 pontos de 22 países. "Outro
dia eu estava em Londres e vi que toda a escada da Harrods era ocupada com roupas
dele", conta a estilista Gloria Coelho, referindo-se a uma das mais famosas e
caras lojas de departamentos da capital britânica. "Em pouco tempo Miele
chegou lá fora e arrasou. Deu até um susto na gente!" Dentro da
disputadíssima Saks, na Quinta Avenida de Nova York, ele tem um canto de
venda desde novembro passado.
Renata Ursaia  | Heudes
Regis  |
| Hora do relax: Miele costuma
treinar boxe tailandês e viajar com a namorada,
Paula Schmitt, para Florianópolis, onde cria cinco cães
| Carlos Miele, 41 anos, sempre
foi um nome controverso na moda. Suas apresentações na Fashion Week
eram shows, com música ao vivo, filmes, performances e índios. Um
desfile chegou a durar intermináveis quarenta minutos, o dobro do normal.
Críticos foram implacáveis com suas apresentações,
que "promoviam a cultura brasileira". Sem modéstia, ele dá seu troco.
"Agora, todos os darlings da Fashion Week me copiam e recebem elogios",
diz. "Não sei se Miele influenciou outras pessoas, mas ele certamente abriu
espaço para performances na passarela", afirma a consultora de moda Costanza
Pascolato.
Paul Warchol  |
| O endereço em Nova York, no Meatpacking District: projeto
futurista | Sua trajetória é
surpreendente. Filho de um funcionário público e de uma professora
primária, ele abriu a primeira M. Officer em 1986, com os dois irmãos
mais velhos, sem grandes investimentos. Em 1997, rompeu a sociedade e passou a
tocar a marca sozinho. Atualmente, comanda no país 62 lojas próprias
e 34 franqueadas. Para administrar as duas etiquetas, divide seu tempo. A maior
parte é dedicada à grife Carlos Miele, embora a marca popular seja
muito mais rentável. O corre-corre não o desanima de cuidar da forma
física. Diariamente, faz musculação, aulas de boxe tailandês
e de submission, uma modalidade de jiu-jítsu praticada sem quimono. Nos
fins de semana, raramente fica em sua casa, uma majestosa cobertura dúplex
no Itaim Bibi. Costuma pegar um avião e encontrar-se em Florianópolis
onde tem uma casa e cinco cães da raça pastor alemão
com a curitibana Paula Kubrusly Schmitt, de 21 anos, sua namorada há
três meses. Ele nunca se casou oficialmente, mas diz que pretende. Só
que não é para já. "Eu não seria feliz se fosse um
pai ausente", explica. "Penso em ter filhos daqui a uns sete anos. Antes disso,
quero conquistar o mundo." |