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16 de fevereiro de 2005
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"Vou conquistar o mundo"

Depois de enfrentar os manda-chuvas
da moda paulistana, o estilista Carlos
Miele inaugura loja de luxo nos Jardins
e investe no mercado internacional

Marcella Centofanti


Renata Ursaia


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Fotos mostram o desfile do estilista em Nova York

Houve um tititi que marcou época no mundinho da moda paulistano quando, em 2002, Carlos Miele, dono da M. Officer, abandonou as passarelas da São Paulo Fashion Week. Irritado com críticas que recebeu, ele resolveu enfrentar poderosos do metiê, a começar pelo manda-chuva Paulo Borges, organizador do evento. Miele botou a boca no mundo para dizer que era um injustiçado e que algumas editoras de moda não tinham capacidade para entender e julgar seu trabalho. Essa teoria conspiratória ainda o assombra. "Sofro as conseqüências por ter sido sincero", acredita. "Foi imaturidade minha achar que poderia ir contra todos." Com a língua e a vaidade mais controladas, o estilista, designer e artista multimídia, como ele se auto-intitula, prepara-se agora, três anos depois, para inaugurar a primeira loja da etiqueta Carlos Miele no Brasil. Ela ocupará 127 metros quadrados de uma das mais cintilantes esquinas dos Jardins, a das ruas Bela Cintra e Sarandi, com manequins suspensos como se flutuassem e vestidos de festa de quase 10.000 reais.


Heudes Regis
Vestidos de festa, como os que foram apresentados na Quarta-Feira de Cinzas na Semana de Moda de Nova York (abaixo), são o forte do novo endereço na Bela Cintra (acima)
Fotos Fernanda Calfat
alfat
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A loja abre as portas no próximo dia 8 de março, data que marcou para retornar de sua temporada nos Estados Unidos. Na Quarta-Feira de Cinzas, ele desfilou 32 looks pela sexta vez nas passarelas da Semana de Moda de Nova York. Lá, mantém uma maison em Meatpacking District, reduto de grifes descoladas. O projeto arquitetônico de efeitos futuristas já lhe rendeu reportagens elogiosas no The New York Times e na revista Time. Com vestidos que custam em média 3.000 dólares, o endereço está longe de registrar o entra-e-sai de suas 96 lojas brasileiras, onde o forte são os jeans de 250 reais. Miele vende hoje em 93 pontos de 22 países. "Outro dia eu estava em Londres e vi que toda a escada da Harrods era ocupada com roupas dele", conta a estilista Gloria Coelho, referindo-se a uma das mais famosas e caras lojas de departamentos da capital britânica. "Em pouco tempo Miele chegou lá fora e arrasou. Deu até um susto na gente!" Dentro da disputadíssima Saks, na Quinta Avenida de Nova York, ele tem um canto de venda desde novembro passado.


Renata Ursaia
Heudes Regis
Hora do relax: Miele costuma treinar boxe tailandês e viajar com a namorada, Paula Schmitt, para Florianópolis, onde cria cinco cães

Carlos Miele, 41 anos, sempre foi um nome controverso na moda. Suas apresentações na Fashion Week eram shows, com música ao vivo, filmes, performances e índios. Um desfile chegou a durar intermináveis quarenta minutos, o dobro do normal. Críticos foram implacáveis com suas apresentações, que "promoviam a cultura brasileira". Sem modéstia, ele dá seu troco. "Agora, todos os darlings da Fashion Week me copiam e recebem elogios", diz. "Não sei se Miele influenciou outras pessoas, mas ele certamente abriu espaço para performances na passarela", afirma a consultora de moda Costanza Pascolato.


Paul Warchol
O endereço em Nova York, no Meatpacking District: projeto futurista

Sua trajetória é surpreendente. Filho de um funcionário público e de uma professora primária, ele abriu a primeira M. Officer em 1986, com os dois irmãos mais velhos, sem grandes investimentos. Em 1997, rompeu a sociedade e passou a tocar a marca sozinho. Atualmente, comanda no país 62 lojas próprias e 34 franqueadas. Para administrar as duas etiquetas, divide seu tempo. A maior parte é dedicada à grife Carlos Miele, embora a marca popular seja muito mais rentável. O corre-corre não o desanima de cuidar da forma física. Diariamente, faz musculação, aulas de boxe tailandês e de submission, uma modalidade de jiu-jítsu praticada sem quimono. Nos fins de semana, raramente fica em sua casa, uma majestosa cobertura dúplex no Itaim Bibi. Costuma pegar um avião e encontrar-se em Florianópolis – onde tem uma casa e cinco cães da raça pastor alemão – com a curitibana Paula Kubrusly Schmitt, de 21 anos, sua namorada há três meses. Ele nunca se casou oficialmente, mas diz que pretende. Só que não é para já. "Eu não seria feliz se fosse um pai ausente", explica. "Penso em ter filhos daqui a uns sete anos. Antes disso, quero conquistar o mundo."

 

Apliques, babados e decotes sensuais


Fotos Heudes Regis
Regis
Regis
Feito de chiffon multicolor, o longo frente-única e bem acinturado integra a coleção de primavera R$ 7 850,00 O comportado modelo de seda com flor de crochê aplicada foi confeccionado em apenas duas cores: verde e rosa R$ 6 640,00 O diferencial deste longo de seda são as sobreposições e os babados em várias camadas R$ 6 960,00

 

     
   
 
 
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