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Suor
que vale ouro
Quanto
custa manter a forma com os personal
trainers que
cuidam de Eliana, João Paulo Diniz,
Cristiana
Arcangeli, Fernando Altério e outros famosos
Alessandro
Duarte
Fotos Mario Rodrigues
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| A
apresentadora Eliana e Luiz Sene: 800 abdominais por semana
para poder abusar das miniblusas |
Ele
encosta seu BMW 328 prata em frente à mansão
do empresário Fernando Altério, proprietário
do Credicard Hall e do Directv Music Hall. Cumprimenta os
seguranças, sobe até o 4º andar e começa
a arrumar pesos e aparelhos para mais uma sessão de
malhação. Flávio Settanni conhece como
ninguém os equipamentos, que ainda cheiram a novos.
Foi ele quem ajudou o dono da casa a comprá-los para
montar sua academia particular. Com músculos bem definidos
aos 50 anos, Altério não se arrepende dos 30
000 reais que gastou e aproveita bem as quatro horas semanais
que passa ao lado de Settanni. Num dia trabalham costas, ombros
e abdome. Nos dois seguintes, dão atenção
especial a peito, bíceps, tríceps e pernas.
Personal trainer há dez anos, Settanni faz parte de
um pequeno grupo de instrutores de ginástica que se
dedicam a esculpir o corpo de artistas, socialites, empresários,
políticos e atletas. Eles deixaram para trás
o estigma de que professor de educação física
não quer saber de esforço. É verdade
que alguns nem suam tanto, mas são disputados e ganham
até 100 reais por hora (veja
quadro).
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Pietra
Ferrari, do Caldeirão
do
Huck, e
César Patti: músculos
e
curvas para
levantar o
ibope
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Quem
consegue uma clientela como a de Settanni, que além
de Altério atende a apresentadora Luciana Gimenez,
a jornalista Sônia Racy e as empresárias Dorinha
Zarzur, Mariangela Bordon e Tânia Piva de Albuquerque,
vive com a agenda cheia. "Nossa principal propaganda é
o corpo dos alunos", diz ele, que tem uma lista de espera
com dez nomes aguardando uma brecha em seus horários.
Ao lado da boa forma que proporciona aos alunos, o personal
a tiracolo é símbolo de status. Virou moda e
muita gente adora desfilar ao lado deles, normalmente moços
simpáticos e saradões (as mulheres são
minoria). Há quem exagere. Fernando Altério
tem três, um para cada atividade. "Se a pessoa quer
ter um personal de corrida, outro de natação
e um de musculação, precisa haver uma sintonia
mínima entre eles", diz Marcos Paulo Reis, que treina
os VJs Thunderbird e Didi, a modelo Daniela Cicarelli, o empresário
João Paulo Diniz e o piloto de Fórmula Indy
Tony Kanaan. Seu método de trabalho difere do dos demais.
Reis dá orientações pessoais, mas só
organiza corridas em grupo.
"No
ano passado, resolvi que chegaria aos 50 na melhor forma física
da minha vida. Estou trabalhando para isso", diz Altério,
que desembolsa 2.000 reais por mês com sua trinca de
preparadores. É um caso extremo. Em geral, essa turma
paga mensalmente entre 600 e 1.200 reais pelo serviço.
Menos exigente que Altério, o senador Eduardo Suplicy
contou com a ajuda de uma treinadora eventual para enfrentar
a última São Silvestre. Seu desempenho não
foi lá essas coisas. Entre os 15.000 participantes,
ficou na 11.000ª posição. Adepta das caminhadas,
a prefeita Marta Suplicy é vista nos arredores de sua
residência, no Jardim Paulistano, exercitando-se pelas
manhãs ao lado de um personal.
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| A
atriz Fernanda Paes Leme e Marco Aurélio Vieira: marcação
cerrada evita ausência nos treinamentos |
Mas
claro que é possível exibir um corpo saudável
sem ter alguém dizendo o que fazer. O objetivo do personal
é agilizar e potencializar os resultados do treinamento,
ajudando os iniciantes a corrigir erros na hora do alongamento,
por exemplo (veja
algumas dicas do professor Nonato Barbosa).
"Usar tal serviço é como viajar de primeira
classe", compara José Otávio Marfará,
proprietário da Reebok Sports Club. "Na classe econômica
você chega ao mesmo lugar, mas com muito menos conforto
e privilégio." Entre as regalias proporcionadas pelos
treinadores estão a correção passo a
passo dos exercícios, ligações para a
casa do aluno para lembrá-lo dos compromissos e conversas
regulares sobre os resultados alcançados. São
detalhes que, para quem está habituado a se virar sozinho,
parecem bobagem, mas fazem uma grande diferença quando
se está na sala de ginástica. "Antes, eu desistia
de um exercício só de olhar o tanto de peso
que teria de carregar para montar um equipamento", diz Pietra
Ferrari, musa do programa Caldeirão do Huck.
A morena de olhos verdes e 1,77 metro de altura começou
a malhar com um personal pouco antes de estrear ao lado do
apresentador. Objetivo: ganhar mais músculos e curvas
para ajudar a levantar a audiência dos sábados
na Globo. "É preciso uma atenção especial
para não deixá-la forte demais, o que fica feio
no vídeo", explica César Patti, que três
vezes por semana confere se Pietra continua com tudo no lugar.
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| O
empresário Lanciego, na posição de ioga kakasana, e Catherine:
"Em casa me concentro melhor" |
Como
ela, a apresentadora Eliana diz que não pode relaxar
na forma física nem por um dia. Ela tem no personal
Luiz Sene uma espécie de anjo da guarda. Perdeu 7 quilos
desde que passou a malhar com ele, há três anos.
Eliana recorre a um treinamento específico quando vai
gravar um comercial ou tem sessão de fotos. Como abusa
das miniblusas em seus programas matinais, faz cerca de 800
abdominais por semana, com um peso extra de 5 quilos em cada
ombro. "Saio do trabalho cansada e sem ânimo para malhar
sozinha", afirma. "O Sene conta piada, me diverte. É
uma terapia." Esse relacionamento entre aluno e professor
contribui para que a rotatividade seja bem menor que a das
academias. "Quanto mais individualizado o programa, menos
desistência", garante o professor Fabio Saba. "O treinador
torna a atividade mais prazerosa."A atriz Fernanda Paes Leme,
a Paty do seriado Sandy & Junior, diz que seu personal,
Marco Aurélio Vieira, liga para cobrar empenho quando
ela falta demais. "Temos obrigação de incentivar
o aluno", afirma Vieira, que durante dois anos e meio foi
o responsável pelo corpo turbinado da Feiticeira Joana
Prado.
Leo Feltran
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| Reis,
Diniz, Kanaan, Daniela, Thunderbird e Didi: aulas e aquecimento
em grupo |
Um
cuidado que merece atenção é a escolha
do treinador. Na Associação Brasileira de Personal
Trainers existem 362 profissionais cadastrados em São
Paulo. Mas a própria entidade acredita que esse número
atinja 1.200. "É essencial que o treinador seja formado,
e não um mero praticante que resolve passar sua experiência
adiante", alerta o fisiologista Turíbio Leite de Barros,
da Universidade Federal de São Paulo. "Não é
raro alguns alunos apresentarem lesões por causa de
exercícios malfeitos."
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