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Às
moscas
Shopping
Bourbon, ex-Matarazzo, perde 60% dos
freqüentadores após briga entre famílias
gaúchas
Erika
Sallum
Fotos Renato Chaui

Corredores
vazios na tarde de segunda-feira passada: apenas catorze
lojas |
Uma disputa
que já dura cinco anos, envolvendo duas poderosas famílias
gaúchas, transformou o antigo Shopping Matarazzo, na
Água Branca, em um ponto comercial micado. Das 176
lojas que ali funcionavam, restam apenas catorze. Destas,
quatro deverão fechar as portas até o fim do
mês. O 2º andar do shopping, que desde 1997 se
chama Bourbon, está lacrado com tapumes. Nos corredores
do térreo e do 1º andar, vitrines vazias e instalações
malcuidadas dão ao ambiente um ar de abandono. Se ainda
há público, é por causa do supermercado
Sonda, aberto no final de 1992. É um cenário
muito diferente de quando o Matarazzo era o principal centro
de comércio da região. O shopping, que chegou
a contar com marcas como Benetton e Calvin Klein, em 1989
atraía até 30.000
pessoas por dia (um número surpreendente se comparado
ao Iguatemi, que no mesmo ano recebia 45.000
visitantes diários). Há cinco anos, o movimento
caiu 60% e, hoje, os freqüentadores dificilmente passam
de 4.300 por dia.
A má
fase começou em 1997, quando o shopping foi adquirido,
por cerca de 18 milhões de reais, pelo grupo gaúcho
Zaffari, dono da oitava rede de supermercados do Brasil, levando
a melhor sobre o grupo Sonda, também do Rio Grande
do Sul e igualmente interessado na compra. Os irmãos
de Alcides Sonda, o mais velho dos quatro herdeiros, acreditavam
que os concorrentes teriam se dado bem no negócio porque
ele era casado com Teresinha Zaffari, da família rival.
Alcides morreu no ano passado, mas bem antes disso houve uma
cisão na sociedade. Desde então, o cotidiano
no Bourbon tem sido tenso, pois os Zaffari querem abrir o
próprio supermercado na área ocupada pelo Sonda.

A
área de 54 000 metros quadrados na Água Branca: ponto
micado |
Os atuais
proprietários do shopping entraram com uma ação
de despejo contra todos os lojistas, alegando que não
reconhecem os contratos anteriores à compra. Seu diretor
de expansão, Claudio Luiz Zaffari, afirma, sem dar
mais detalhes, que precisa desocupar o espaço, de 54.000
metros quadrados, para a realização de uma grande
reforma. Por sua vez, os Sonda garantem que irão manter
seu supermercado no Bourbon até o final do contrato,
em 2004. "É uma questão pessoal", diz Roberto
Moreno, diretor jurídico e administrativo do supermercado.
"Houve deslealdade, e não desistiremos do negócio
tão facilmente." Os comerciantes, de seu lado, dizem-se
pressionados pela administração do shopping,
que, entre outras medidas, decidiu fechar dois dos três
banheiros existentes no prédio.
"Não
tenho mais como lutar", lamenta Joelito Pereira, dono da tabacaria
Popeye, uma das últimas lojas que permanecem abertas.
"Pretendia deixar o ponto para meus filhos, mas vou embora
no fim do mês." Com poucos consumidores, o Bourbon não
aparece mais na lista da Bolsa de Shopping Center de São
Paulo, que calcula o valor do metro quadrado dos centros de
compra da cidade. Nos bons tempos, o metro quadrado do antigo
Matarazzo era estimado entre 2.000
e 3.000 reais, quase o mesmo do
vizinho West Plaza. "Hoje, ele perdeu totalmente o valor de
mercado", diz Humberto Martins, diretor da bolsa. "Quem vai
querer abrir um negócio no meio dessa confusão
toda?".

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