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ESPECIAL
Aeroporto
Histórias
e personagens do surpreendente
mundo de Cumbica, da bióloga que controla
a proliferação de pássaros para evitar acidentes
aos passageiros que jogam
fora aparelhos de som para não pagar
excesso de bagagem
Erika
Sallum e Otávio Canecchio
Fotos
Heudes Regis
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Cumbica
é um mundo de surpresas. A primeira delas está em
seu próprio nome oficial: Aeroporto Internacional Governador
André Franco Montoro. Mas, da mesma forma que ninguém
conhece o gigante de Guarulhos por essa designação,
as surpresas ficam escondidas ou raramente são notadas pelos
30 000 passageiros que todos os dias chegam e partem em 500 vôos
operados por 39 companhias aéreas. Ou pelos 33 000 funcionários
que lá trabalham. Entre eles, há uma bióloga
que passa parte do dia com binóculos em busca de urubus e
garças. Sua função é controlar a proliferação
de pássaros, que podem entrar nas turbinas dos aviões
e causar acidentes. Há um técnico em agricultura que
cuida de um enorme viveiro com mais de 300 espécies de plantas,
as mesmas que se vêem espalhadas pelos vasos nos saguões
de embarque. Há uma mulher que tem a tarefa de atender reis,
rainhas, presidentes e celebridades em geral, assegurando sua privacidade
enquanto aguardam o momento do embarque. E há, sobretudo,
profissionais que vivem sob tensão permanente, sem poder
errar no desempenho da missão mais importante na operação
do maior aeroporto da América do Sul: garantir a segurança
dos viajantes e das aeronaves.
Um
urubu na pista? Chame a Miriam
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Não
faz muito tempo, os radares instalados nas pistas começaram
a apitar. Era uma família de capivaras que, com toda a tranqüilidade,
passeava entre os aviões de carreira. Imediatamente a segurança
acionou Miriam Farid Barakat.
Os bichos foram capturados e encaminhados ao Ibama. Desde 2000 em
Cumbica, ela é a primeira bióloga a trabalhar num
aeroporto brasileiro. Sua função é monitorar
os animais que circulam por lá, em especial os pássaros,
capazes de causar acidentes aéreos. Uma vez por dia, Miriam
e seus quatro ajudantes, munidos de binóculos, observam as
pistas em busca de urubus, garças e quero-queros (como o
filhote que ela segura nesta foto). "Tenho de tornar o espaço
do aeroporto o mais desagradável possível para eles",
diz. Anos atrás, os urubus eram espantados com rojões.
Hoje são usadas técnicas menos barulhentas. O gramado
próximo às aeronaves, por exemplo, é cortado
em uma altura específica nem muito baixa, para evitar
que apetitosas minhocas sejam vistas, nem muito alta, para impedir
que ele sirva de ninho.
O
homem da torre
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Posicionado
numa sala futurista a 38 metros de altura, o supervisor da torre
de controle, Myron José Coelho, tem
um papel fundamental no aeroporto. Ele e sua equipe comandam os
500 pousos e decolagens diários de Cumbica. No pico noturno
das 21h30 às 22h30 , chegam a monitorar 52 operações,
o que dá quase um vôo por minuto. A habilidade e o
sangue-frio do controlador de vôo são fundamentais
para evitar qualquer tipo de erro. Em 1989, no começo de
sua carreira, Coelho passou por uma prova de fogo. Durante a aterrissagem
de uma esquadrilha, um urubu espatifou-se contra a cabine de um
dos aviões. Em poucos segundos, ele foi obrigado a autorizar
um pouso de emergência da aeronave atingida. "Tudo terminou
bem, mas levamos uma semana para limpar os pedaços do bicho
espalhados pelo avião", conta. O contato da torre com os
pilotos estrangeiros é sempre feito em inglês. Ou algo
próximo ao inglês, conforme acontece no diálogo
com muitos pilotos asiáticos. "Em geral, eles têm uma
pronúncia complicada", diz Coelho. "Certa vez, só
fui entender que um avião seguiria para Los Angeles depois
de muita conversa."
O
culpado dos atrasos
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O
supervisor Délcio Cardoso da Silva
trabalha há anos sob pressão. Por suas mãos
passam turbinas, motores, asas e rodas tamanho-família. Ele
é responsável pela manutenção da frota
da TAM e cuida diretamente de 31 aviões, entre Fokker 100
e Airbus A320 e A330. Sabe quando um vôo é cancelado
por problemas técnicos? "Culpa" do Délcio, que verifica
todos os dias vazamentos de óleo, parafusos desregulados,
faróis queimados, pneus carecas. Cada reparo é meticulosamente
documentado, segundo leis internacionais de aviação.
"Nada aqui é feito 'de cabeça'. Um pequeno deslize
pode causar a morte de centenas de pessoas", afirma esse baiano
de 36 anos. Seu currículo inclui cursos e treinamentos em
diversos países, como Holanda e Alemanha. Recentemente ficou
seis meses entre Frankfurt e Miami aprendendo a mexer nos modelos
Airbus. Num único dia, dependendo da sorte, chega a precisar
arrumar quatro aviões ao mesmo tempo. A maior frustração
é quando tem de reter um vôo por falhas mecânicas.
"Mas antes atrasar uma viagem que causar um acidente..."
O
avião do Duty Free
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Às
5 horas da manhã, ela já está pronta. E linda.
Maquiagem no rosto, cabelo bem-arrumado, dificilmente passa despercebida
por quem chega a São Paulo pelo Terminal 1 da ala internacional.
Com 1,82 metro de altura e poderosos olhos azuis, a vendedora Rebeca
Karpuk trabalha no setor de cosméticos do Duty
Free. Seu turno, que vai até as 14 horas, é o mais
movimentado. Não raro ela tem de se desdobrar para atender
a quatro, cinco vôos. Gente de várias partes do mundo,
quase sempre cansada e, muitas vezes, de mau humor. "Meu segredo?
Manter o sorriso e ter jogo de cintura", diz ela. Rebeca faz parte
de um quadro de 280 funcionários espalhados pelas cinco lojas
do Duty Free em Cumbica. Após uma extensa reforma, a rede
vende hoje 8.000 itens, o que inclui
roupas das marcas Gap e Banana Republic, parafernálias eletrônicas,
perfumes, bebidas, canetas, relógios... Cada passageiro que
desembarca pode fazer compras no valor de até 500 dólares.
Mesmo com novas opções, os dois campeões de
venda se mantêm há anos: o uísque Johnnie Walker
Red Label (16 dólares) e o perfume Polo Ralph Lauren feminino
(37 dólares). Diante de tantas tentações, a
bela Rebeca aprendeu a se controlar, já que, como todos os
que trabalham no free shop, ela não pode comprar nada dali.
"Pelo menos fico sabendo de antemão dos lançamentos
de beleza", consola-se.
Guardião
do verde
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Existe
um jardim botânico em Cumbica. Trata-se de um belíssimo
viveiro de plantas localizado a alguns metros das pistas. Em horários
de pouco movimento aéreo, quando há uma breve pausa
no irritante barulho das turbinas, andar por ali faz lembrar um
passeio na mata. Com 6,5 hectares e mais de 300 tipos de vegetal,
esse imenso jardim conta com diversos exemplares de palmeira-imperial,
pau-brasil, araribá, açaí... Construído
numa antiga área de brejo, foi criado antes mesmo da inauguração
das pistas, para dar um pouco de verde a esse mundo de concreto,
granito e vidro. "É daqui que saem as 2.000
plantas que enfeitam todo o aeroporto", diz o técnico em
agricultura Valnei Jorge, funcionário
do viveiro há duas décadas. "Olha esta Sapindus
saponaria, que linda!", aponta, referindo-se a uma árvore
chamada popularmente de sabão-de-soldado. Ele sabe de cor
o nome das espécies e cuida das pequenas mudas cultivadas
nas estufas como se fossem suas filhas. "Quando cheguei, este terreno
não passava de um lamaçal", lembra. "Hoje isto aqui
parece uma floresta de tanto mato." Uma pena: o viveiro não
está aberto ao público. Mas visitas podem ser agendadas
pelo
6445-2827.
Para
ele, só existe tempo ruim
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Nebulosidades,
fluxos de vento, frentes frias, tempestades e até possíveis
furacões. A cada vôo, o gaúcho Mauro
Neutzling Lehn traça um mapa meteorológico
detalhado para os aviões que decolam de Guarulhos. O relatório
aponta as adversidades de tempo que poderão ser enfrentadas
durante a viagem. É um documento essencial para os pilotos.
"Passo todas as informações, mas a responsabilidade
de voar é exclusiva do comandante", explica Lehn. Seu índice
de acertos supera os 80%. "O padrão internacional determina
um mínimo de 70% de previsões corretas", afirma. Apesar
da eficiência dos estudos, suas recomendações
nem sempre são acatadas. O piloto de um cargueiro que seguia
para Cascavel, no Paraná, ignorou certa vez uma linha de
instabilidade que havia sido identificada em sua rota. "Avisei que
seria um vôo difícil por causa das péssimas
condições climáticas", conta. Ele não
lhe deu atenção e resolveu seguir viagem. Horas mais
tarde, a aeronave enfrentou uma tempestade e caiu. A tripulação
morreu no acidente.
As
elegantes salas onde poucos entram
Para
poderosos e endinheirados dispostos a pagar por conforto e privacidade,
o aeroporto de Guarulhos oferece as chamadas salas vip. A Varig
tem duas na ala internacional. Uma delas para os passageiros da
classe executiva e outra, uma das mais luxuosas de Cumbica, para
os que viajam de primeira classe. Esta última oferece macias
poltronas de couro, sala de massagem, toaletes com chuveiros e taças
de champanhe. Quem aguarda o embarque lá instalado é
porque comprou uma passagem caríssima. A de ida e volta para
Paris, por exemplo, custa 3.016 dólares
na executiva e 6.632 dólares na
primeira classe. Na classe econômica, pode-se fazer a mesma
viagem por 824 dólares. "O clima é tão agradável
que muitas vezes precisamos acordar um passageiro que cochilou para
ele não perder o vôo", conta o discreto supervisor
Reinaldo Marchesano, que já recepcionou
figuras como Roberto Carlos, Pelé, Ronaldinho e Gisele Bündchen.
Além
das salas vip das empresas aéreas, existe uma outra, ainda
mais exclusiva. Ela pertence à Infraero, a estatal que administra
o aeroporto, e destina-se a acolher, antes do embarque, autoridades
políticas e celebridades. Sob o comando da coordenadora de
comunicação social Vera Biojone,
essa sala recebeu, por exemplo, Margaret Thatcher e Fidel Castro.
Há dezoito anos na Infraero, Vera presenciou cenas marcantes
e algumas um tanto hilárias. Ao chegar para uma visita
oficial ao Brasil, uma princesa da Tailândia sentou-se no
sofá. Poucos segundos depois, seu marido e a consulesa daquele
país começaram a andar de joelhos. "Pensei que estivessem
procurando algo no chão", conta Vera. "Que nada! Pelas regras
oficiais, ninguém pode ficar acima da Coroa. Ou seja, quando
a princesa senta, todos são obrigados a se abaixar..." Faz
parte do trabalho de Vera atender as personalidades que passam pelo
aeroporto, como o Dalai Lama. "Eu caminhava a seu lado quando de
repente escorreguei", lembra-se. "Ele imediatamente pegou meu braço
e me salvou da queda."
Perdeu
uma prancha de windsurfe por aí?
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Passageiros
esquecem de tudo pelos saguões, banheiros e restaurantes
de Cumbica. As duas pequenas salas de achados e perdidos da Infraero
estão lotadas dos mais variados objetos: prancha de windsurfe,
berimbau, muletas, bengalas, tacos de golfe, quadros a óleo,
cadeira de rodas, dentadura... Os pertences são guardados
pelos funcionários Paulo Martins Faria
e João Aparecido Soares Gonçalves.
Cerca de 1.700 itens estão no
local esperando por seus donos. Alguns nunca virão. São
aqueles que abandonaram num canto qualquer do aeroporto, propositadamente,
compras das quais se arrependeram ou que não conseguiram
carregar. Outros esquecem mesmo e só se dão conta
da distração quando chegam ao destino. Há pouco
tempo foi encontrada no banheiro uma boneca velha. Não demorou
para a dona, que mora em São Luís, no Maranhão,
telefonar para Cumbica. "Era uma mãe desesperada, pois sua
filha ficou doente pela falta do brinquedo", conta Faria. Em uma
viagem para o Nordeste, o humorista Tom Cavalcante esqueceu uma
mala lotada de perucas e roupas. "Despachamos para ele no mesmo
dia", diz Gonçalves. Existe ainda o passageiro que prefere
deixar algo pesado no aeroporto para não pagar excesso de
bagagem. É o caso de um aparelho de som que ocupa uma das
prateleiras dos depósitos há várias semanas,
sem que ninguém tenha aparecido para reclamar.
"Do
you want a taxi, sir?"
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Com
essa frase e um jeitão simpático, o taxista Hermínio
Silva recebe estrangeiros que desembarcam em Cumbica.
Dono de um Omega, ele é veterano no pedaço: começou
a trabalhar ali um mês após a inauguração
de Guarulhos, em 1985. Já transportou muita gente famosa,
como Fausto Silva, Fafá de Belém e Cauby Peixoto.
Para entender os estrangeiros, fez curso de inglês e se comunica
com desenvoltura razoável, apesar do sotaque carregado. "Hoje
converso com americano, japonês, alemão e árabe
numa boa", conta. Composta de 653 táxis, a Guarucoop, cooperativa
que administra o serviço no aeroporto, desfrutou dias melhores.
A principal causa da queda do movimento são as pesadas tarifas
impostas aos passageiros. Uma corrida para Pinheiros, por exemplo,
custa 72 reais. Para o Morumbi, 86 reais. Em vista disso, foi criado
um sistema de rodízio em que cada motorista pode fazer apenas
duas corridas diárias e folga algumas vezes por semana. Mesmo
assim, Silva garante que o ponto vale a pena. Em um mês bom,
chega a tirar quase 3.500 reais brutos.
"Aqui é uma delícia", afirma. "Conheço pessoas
de todo canto, faço amizades e tenho segurança para
trabalhar. E ainda aproveito para praticar meu inglês, right?"
O
quebra-cabeça da pista
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Parece
um daqueles tabuleiros de jogos ou um imenso quebra-cabeça.
Na verdade, trata-se de uma complexa planilha de vôos, na
qual ficam dispostas várias peças. Cada uma delas
representa um avião. Debruçado sobre o quadro, o programador
Valter Roberto de Andrade distribui atentamente
as 24 posições disponíveis para o estacionamento
das aeronaves. Em cada uma dessas "garagens", os aviões são
abastecidos e recebem os passageiros. Com um olho no tabuleiro e
outro nos seis monitores que estão à sua frente, Andrade
acompanha, no Centro de Operações da Infraero, todas
as manobras que ocorrem no pátio. O minucioso trabalho requer
conhecimentos técnicos sobre os aviões e o espaço
geográfico do aeroporto. Basta um simples tocar das asas
de duas aeronaves para provocar atrasos nas viagens. "Se eu colocar
lado a lado dois modelos de grande porte, posso causar um acidente",
explica. No quebra-cabeça real de Andrade, tudo tem de se
encaixar perfeitamente. Do contrário, a pista irá
parar. "Não posso errar", diz ele.
Outro
nome, outra personalidade
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Toda
semana, quando chega a Cumbica para fazer mais uma viagem ao exterior,
a ex-professora de judô Daniela Sciarra
transforma-se em uma nova pessoa. É só cruzar o saguão
do Terminal 1 para ela virar a comissária de bordo Naomi.
É seu nome de guerra no trabalho. "Não é só
o nome que muda, eu assumo outra personalidade", afirma. "Preciso
ser mais sorridente e gentil, deixar a timidez de lado e transmitir
confiança." Há oito anos na TAM, ela começou
na profissão quando uma colega comentou sobre um concurso
para aeromoça. "Fiz o teste sem muitas pretensões",
conta. "Já a minha amiga, que sonhava com a carreira, não
passou." Durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, ela fez parte da tripulação que o acompanhava
nas viagens oficiais. "Tive a oportunidade de conhecer o mundo inteiro",
diz. Atualmente, ela é a chefe dos comissários de
bordo nos vôos para Buenos Aires, Miami e Paris. Numa viagem
nacional entre Brasília e São Paulo, passou pelo maior
sufoco de sua vida. Enquanto fazia o serviço de bordo, o
avião enfrentou uma forte turbulência. "A comida caiu
no chão e as garrafas quebraram", conta. "Foi o único
dia em que senti medo de voar."
Um
senhor pombo-correio
Tudo
acontece na madrugada. Em um enorme galpão vizinho às
pistas, um batalhão de quase 200 pessoas trabalha ininterruptamente
entre 23 e 3 horas para separar as 300 toneladas de correspondências
que todas as noites passam pelo aeroporto. "Recebemos aqui 60% das
cartas e encomendas que circulam por via aérea no Brasil",
diz Sérgio Pereira, 52 anos, gerente
do Terminal de Cargas dos Correios em Guarulhos. Muitas delas fazem
apenas conexão em São Paulo e têm de ser redespachadas
a seu destino em poucas horas. Assim que o turno começa,
empilhadeiras, carregadores, caminhões e aviões cargueiros
tomam o galpão. Com o inseparável walkie-talkie, Pereira
supervisiona cada detalhe de perto para que nenhuma das gigantescas
montanhas de cartas seja entregue em endereço incorreto.
"Gosto do que faço e sei que, com atenção e
uma equipe bem treinada, dificilmente algo sai errado."
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