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EXPOSIÇÃO
Um
século de moda
Chanel,
Dior, Lacroix, Saint Laurent, Versace,
Gaultier, Alaïa, Pucci... Suas criações
e as
de outros
dezoito estilistas internacionais
estarão a partir de quarta-feira
na Fashion
Passion. Com investimento de
6 milhões de
reais, é a maior mostra
do gênero já promovida
no país. São 150 roupas
e 800 fotografias reunidas na Oca
do Parque do Ibirapuera
Marcella
Centofanti
Emiliano Grassi
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Divulgação
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| Modelo Chanel da coleção
outono-inverno de 2003: as roupas expostas vão dos
anos 20 aos dias atuais
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Dior, por Galliano, também
da coleção outono-inverno de 2003: maquiagens
e cores em excesso nas passarelas |
Nos últimos
cinco anos, todas as exposições promovidas na Oca,
o prédio em forma de concha invertida plantado no Parque
do Ibirapuera, foram grande sucesso de público. Picasso
na Oca, inaugurada em janeiro último, fez girar a catraca
905.000 vezes. Para conferir as obras de Guerreiros de Xi'an
e os Tesouros da Cidade Proibida, em 2003, era necessário
encarar filas de até 1 quilômetro. A partir da próxima
quarta-feira (15), um novo evento deverá atrair legiões
de paulistanos ao museu. Desta vez, não haverá telas,
esculturas, gravuras ou estátuas milenares. A mostra Fashion
Passion 100 Anos de Moda na Oca exibirá 150 roupas
originais de 26 estilistas estrangeiros que marcaram época
nas passarelas do século XX e cerca de 800 fotografias que
ajudam a contar sua história. De uma só vez, o visitante
verá criações da maison francesa Chanel, desde
os anos 20 até os dias atuais, do francês Paul Poiret,
confeccionadas no início do século passado, e do inglês
John Galliano, hoje um dos expoentes das passarelas internacionais.
Looks excêntricos do francês Jean-Paul Gaultier, que
vestiu Madonna nos anos 90, também estão lá,
assim como as cores e os brilhos do italiano Gianni Versace.
Fotos Laurent Sully Jaulmes
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| Balenciaga: o estilista
basco estava entre os favoritos de Jacqueline Kennedy Onassis
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Pucci: criadas nos anos
50 e 60, as estampas coloridas são sua marca registrada
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Takashi Hatakeyama
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Takashi Hatakeyama
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| Watanabe: inovações
na moda parisiense
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Comme des Garçons:
as criações
de vanguarda de Rei Kawakubo abalaram a
moda |
Divulgação
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Courrèges: viagens
espaciais da década
de 60 influenciaram seus
looks |
Mostras do gênero são, em primeiro lugar, um espetáculo
para os olhos. Em segundo, uma forma de conhecer as mudanças
de comportamento, a evolução dos costumes e a transformação
do papel da mulher na sociedade moderna. Por sua importância
sociocultural e econômica, a moda já chegou a grandes
museus internacionais. O Guggenheim de Nova York, por exemplo, organizou
em 2000 uma retrospectiva das roupas do estilista italiano Giorgio
Armani, enquanto Londres e Paris têm espaços exclusivos
dedicados a ela. Por aqui, no entanto, esta é uma exposição
sem precedentes. Quem for à Oca verá como a francesa
Madeleine Vionnet recriou o look nos anos 20, quando as mulheres
se livravam dos sufocantes espartilhos. Ou saberá que foi
o francês Yves Saint Laurent o responsável nos anos
60 por adaptar blazers, ternos e sobretudos masculinos ao guarda-roupa
feminino. "Moda não é arte", afirma Jean-Louis Froment,
fundador do Museu de Arte Contemporânea de Bordeaux e curador-geral
da Fashion Passion. "Mas chega bem perto dela quando transgride
as regras e transforma o futuro."
Froment
e os outros organizadores levaram mais de um ano para reunir peças
de alguns dos principais ícones da moda. No egocêntrico
mundo da alta-costura, é quase um milagre convencer grandes
maisons a apresentar suas criações lado a lado com
os concorrentes. Eles conseguiram. Depois dos 26 estilistas ou das
grifes com seus nomes, foram contatados museus, colecionadores particulares,
fotógrafos e agências. As roupas e as fotos vêm
de onze países: Brasil, Argentina, França, Itália,
Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha, Japão, Bélgica
e Canadá. Entre transporte, seguro, direitos, montagem, produção
e pagamento de colaboradores, foram gastos perto de 6 milhões
de reais, o equivalente ao custo de Picasso na Oca. "É
a exposição mais trabalhosa que promovemos", acredita
Emilio Kalil, presidente da BrasilConnects, responsável pela
Fashion Passion. "Ela ficou tão boa que começo a pensar
em levá-la para Paris", diz o banqueiro e colecionador de
arte Edemar Cid Ferreira, presidente do conselho da empresa.
O evento
dividiu os quatro andares da Oca em onze pavilhões (veja
quadro). É pelo subsolo que se começa a visita.
Para chegar lá, passa-se por um lance de escada, especialmente
construída. Essa disposição tem um motivo:
na concepção de Froment, descer degraus é fashion.
A partir daí, o espectador pode seguir a ordem dos pavilhões,
com dois ou três estilistas num mesmo espaço. Os cenógrafos
Daniela Thomas e Felipe Tassara, autores do projeto, separaram os
ambientes por cores. O primeiro, batizado de Os Viajantes do
Extremo, que abriga Galliano, Poiret e o francês Christian
Lacroix, é laranja, vermelho e vinho. O seguinte, Chanel,
a Lenda, é bege. Por sinal, a mitológica estilista
francesa, que disseminou o pretinho básico, os sapatos abertos
atrás e a bolsa a tiracolo, foi a única que ganhou
um ambiente exclusivo. A viagem segue com Viktor & Rolf, Elsa
Schiaparelli e Yves Saint Laurent, numa área pintada de preto
e rosa. Isso tudo só no 1º pavimento. Percorrer esse
e os outros três andares exige ao menos uma hora de caminhada
e um agasalho leve, mesmo em dias de calor, pois o ar-condicionado
da Oca costuma funcionar a pleno vapor.
Emiliano Grassi
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Fotos divulgação
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Chanel: a maison francesa foi a única
que ganhou um pavilhão exclusivo
na mostra |
McQueen: até as araras amazônicas
já serviram de inspiração para o inglês
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Vera Arruda: vestidos, jeans e biquínis
representam o Brasil |
Ao fim de
cada pavilhão, há o que os curadores chamam de "resposta
brasileira". A idéia inicial era expor roupas de estilistas
nacionais. Mas a disparidade do trabalho fez com que se optasse
por fotos e peças representativas da cultura popular. A resposta
para o primeiro pavilhão é o Manto da Apresentação,
uma veste com um emaranhado de bordados coloridos assinada pelo
sergipano Arthur Bispo do Rosário. Para o nono, Dolce
& Vita, uma estampa de chita faz contraponto às criações
dos italianos Gianni Versace e Emilio Pucci. Já no décimo,
Da Desconstrução à Reconstituição,
que inclui Yohji Yamamoto, Martin Margiela e Comme des Garçons,
exibe-se a foto Favela, dos irmãos Campana.
As roupas
de estilistas brasileiros ficam no último andar. "Optamos
pela moda jovem, de rua", explica a consultora e jornalista Gloria
Kalil, que divide a curadoria brasileira com a editora de moda Regina
Guerreiro. Entre os sessenta manequins, há os jeans de grifes
como Zoomp, Forum e Iódice. Os biquínis de Rosa Chá
e Blue Man ocupam um lugar de destaque. Podem ainda ser vistas peças
de Alexandre Herchcovitch, Vera Arruda e Lino Villaventura. "Nada
de carnaval", avisa Gloria. Para escolher os looks, ela e Regina
passaram dias folheando revistas, revendo catálogos e conversando
com especialistas na área. De bom grado, todos toparam participar.
Ou melhor, quase todos. A exceção foi Ocimar Versolato.
Ele teria ficado irritado com o texto de um site de notícias
que o classificava como um estilista da "velha guarda", numa reportagem
sobre a mostra. Versolato, único brasileiro que chegou a
assumir uma maison francesa, em 1996, diz que, envolvido com a abertura
de suas sete lojas, está sem tempo e preferiu ficar de fora.
Além
das roupas nacionais e estrangeiras, o visitante encontrará
na Oca cerca de 800 fotografias. É um acervo fascinante,
que traça a evolução dos ensaios de moda ao
longo dos últimos 100 anos. Poderão ser vistas fotografias
feitas no início do século passado pelo alemão
Barão de Meyer para revistas especializadas, cliques do inglês
Cecil Beaton, que registrou em seus retratos as paredes aos pedaços
da II Guerra Mundial, e trabalhos de celebridades das lentes como
Cartier-Bresson, Richard Avedon, Man Ray e Helmut Newton. Na próxima
terça, as imagens e as roupas estarão prontas para
receber os convidados na festa de abertura. Entre as estrelas que
devem comparecer, está confirmada a presença do estilista
tunisiano Azzedine Alaïa. Até o fim da exposição,
em dezembro, aguarda-se a vinda de John Galliano, Christian Lacroix,
Jean-Paul Gaultier e Nicolas Ghesquière. Um de cada vez,
é claro. Os 10.000 metros quadrados da Oca são pequenos
para abrigar mais de um deles ao mesmo tempo.
Fashion Passion 100 Anos de Moda na Oca. Parque do Ibirapuera,
portão 2,
5049-0449. Terça a sexta, 9h às 20h; sábado
e domingo, 10h às 20h. R$ 5,00 (estudantes) e R$ 10,00. Grátis
para menores de 5 anos, pessoas com mais de 65, aposentados, deficientes
físicos e grupos de escolas públicas pré-agendados
(agendamento@brasilconnects.org
ou
5082-2252). A partir de quarta (15). Até 5 de dezembro.
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