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15 de setembro de 2004
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Adeus à gravatinha

Bares, restaurantes e danceterias
modernizam uniforme de garçons
e manobristas

Lia Bock

 
Fotos Heudes Regis
Os garçons-artistas do Happy News: camarim cheio de fantasias

Para quem só freqüenta bares, restaurantes e casas noturnas da moda, garçons de paletó branco e gravatinha-borboleta podem parecer um espécime em extinção. Não, eles ainda não acabaram, mas os uniformes das brigadas de serviço estão cada vez mais descolados e afinados com as propostas dos estabelecimentos. Muitos levam a assinatura de estilistas. Garçonetes de calça justa, colete com estampa camuflada e boina, por exemplo, servem para criar um clima de "guerrilha" no bar de inspiração cubana Rey Castro. Os manobristas dos japoneses Ocean e Kayomix vestem-se com um hapi, quimono mais curto que o tradicional adotado pelos sushimen. Na Peccato, os funcionários recebem, no primeiro dia de trabalho, uma camiseta preta com o logotipo da danceteria e uma tesoura para imprimir seus toques pessoais. Fendas e recortes são bem-vindos.

 
Manobristas do Ocean: vestidos como o sushiman

Em alguns desses lugares os profissionais trabalham fantasiados para entreter os clientes. Na casa noturna Happy News, ligada ao bar Berlin Bier, os garçons circulam em trajes típicos alemães e as garçonetes apresentam-se em um modelito que lembra colegiais, com saia plissada e meia três-quartos. Durante a noite, alguns deixam suas funções, vão até o camarim ao lado do bar e voltam prontos para realizar pocket shows. As indumentárias variam de mulher-gato a Elvis Presley cover. "As sátiras parecem improvisadas, mas são muito bem ensaiadas durante a semana", diz o administrador Marcelo Lima. Ele mesmo entra na dança (literalmente) e dubla o rebolativo cantor porto-riquenho Ricky Martin.

 
O visual que faz a fama do Hooters: pouca roupa

Para a inauguração do Rey Castro, no ano passado, os proprietários contrataram a estilista Mariana Sanches. Ela é a responsável pelo visual cubano-de-butique dos atendentes. "Como estávamos falando de Fidel Castro, enfatizei seu lado militar", conta Mariana. A criação fez tanto sucesso que, há dois meses, o bar montou uma lojinha para comercializar as peças. Segundo a estilista Gloria Coelho, dona da grife G, o uniforme personalizado serve como um cartão de visita. "É imprescindível que a roupa, além de representar a identidade da casa, seja também funcional", diz. Ela está desenvolvendo um traje especial para os funcionários da Wall Lamps, loja de luminárias na Alameda Gabriel Monteiro da Silva. "Se o lugar valoriza os desenhos modernos de suas peças, precisamos de um uniforme que transmita isso", explica Gloria.


"Guerrilheiros" do Rey Castro: cubanos-de-butique

Apesar de estar em voga, a tendência não é propriamente uma novidade. No restaurante japonês Suntory, aberto em 1975, as atendentes vestem-se a caráter, com quimonos de seda e guetás (tamancos de madeira). Na rede americana T.G.I. Friday's, que desembarcou por aqui em 1995, garçons colocam camisas de cores fortes, bermudas, suspensórios e chapéus cheios de buttons e penduricalhos. Quando abriu sua primeira loja no Brasil, há dois anos, a cadeia de lanchonetes Hooters, presente em 45 países, trouxe o conceito de garçonetes vestidas apenas com o minimamente necessário. Todas circulam entre as mesas de micro-shorts, blusa justíssima, e um decote generoso. "Só reclamamos do visual no inverno", diz Adelaine Ciriaco. "Mesmo de meia-calça, passo um frio danado nas pernas." Certos clientes aproveitam para fazer graça com as moças. Pura perda de tempo. Elas são treinadas para driblar as investidas com sorrisos. Se alguém avança o sinal, elas chamam os seguranças.

     
   
 
 
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