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COMPORTAMENTO
Adeus
à gravatinha
Bares, restaurantes
e danceterias
modernizam uniforme de garçons
e manobristas
Lia Bock
Fotos Heudes Regis
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| Os garçons-artistas
do Happy News: camarim cheio de fantasias |
Para
quem só freqüenta bares, restaurantes e casas noturnas
da moda, garçons de paletó branco e gravatinha-borboleta
podem parecer um espécime em extinção. Não,
eles ainda não acabaram, mas os uniformes das brigadas de
serviço estão cada vez mais descolados e afinados
com as propostas dos estabelecimentos. Muitos levam a assinatura
de estilistas. Garçonetes de calça justa, colete com
estampa camuflada e boina, por exemplo, servem para criar um clima
de "guerrilha" no bar de inspiração cubana Rey Castro.
Os manobristas dos japoneses Ocean e Kayomix vestem-se com um hapi,
quimono mais curto que o tradicional adotado pelos sushimen. Na
Peccato, os funcionários recebem, no primeiro dia de trabalho,
uma camiseta preta com o logotipo da danceteria e uma tesoura para
imprimir seus toques pessoais. Fendas e recortes são bem-vindos.
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| Manobristas do Ocean:
vestidos como o sushiman |
Em alguns desses lugares os profissionais trabalham fantasiados
para entreter os clientes. Na casa noturna Happy News, ligada ao
bar Berlin Bier, os garçons circulam em trajes típicos
alemães e as garçonetes apresentam-se em um modelito
que lembra colegiais, com saia plissada e meia três-quartos.
Durante a noite, alguns deixam suas funções, vão
até o camarim ao lado do bar e voltam prontos para realizar
pocket shows. As indumentárias variam de mulher-gato a Elvis
Presley cover. "As sátiras parecem improvisadas, mas são
muito bem ensaiadas durante a semana", diz o administrador Marcelo
Lima. Ele mesmo entra na dança (literalmente) e dubla o rebolativo
cantor porto-riquenho Ricky Martin.
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| O visual que
faz
a fama do Hooters:
pouca roupa |
Para
a inauguração do Rey Castro, no ano passado, os proprietários
contrataram a estilista Mariana Sanches. Ela é a responsável
pelo visual cubano-de-butique dos atendentes. "Como estávamos
falando de Fidel Castro, enfatizei seu lado militar", conta Mariana.
A criação fez tanto sucesso que, há dois meses,
o bar montou uma lojinha para comercializar as peças. Segundo
a estilista Gloria Coelho, dona da grife G, o uniforme personalizado
serve como um cartão de visita. "É imprescindível
que a roupa, além de representar a identidade da casa, seja
também funcional", diz. Ela está desenvolvendo um
traje especial para os funcionários da Wall Lamps, loja de
luminárias na Alameda Gabriel Monteiro da Silva. "Se o lugar
valoriza os desenhos modernos de suas peças, precisamos de
um uniforme que transmita isso", explica Gloria.
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| "Guerrilheiros" do
Rey Castro: cubanos-de-butique |
Apesar
de estar em voga, a tendência não é propriamente
uma novidade. No restaurante japonês Suntory, aberto em 1975,
as atendentes vestem-se a caráter, com quimonos de seda e
guetás (tamancos de madeira). Na rede americana T.G.I. Friday's,
que desembarcou por aqui em 1995, garçons colocam camisas
de cores fortes, bermudas, suspensórios e chapéus
cheios de buttons e penduricalhos. Quando abriu sua primeira loja
no Brasil, há dois anos, a cadeia de lanchonetes Hooters,
presente em 45 países, trouxe o conceito de garçonetes
vestidas apenas com o minimamente necessário. Todas circulam
entre as mesas de micro-shorts, blusa justíssima, e um decote
generoso. "Só reclamamos do visual no inverno", diz Adelaine
Ciriaco. "Mesmo de meia-calça, passo um frio danado nas pernas."
Certos clientes aproveitam para fazer graça com as moças.
Pura perda de tempo. Elas são treinadas para driblar as investidas
com sorrisos. Se alguém avança o sinal, elas chamam
os seguranças.
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