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CARREIRA
Profissão:
iogue
Paulistanos
largam emprego e
vida estável para virar instrutores
Lia Bock
Fotos Heudes Regis
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| Carolina deixou
os palcos
pela ioga: na escola às
6 da manhã |
Ex-arquitetos,
ex-dançarinos, ex-atores, ex-advogados... Boa parte da nova
leva de instrutores de ioga da cidade vem de outras profissões.
Muitos se envolveram com a prática enquanto tinham bons empregos
e salários. Largaram tudo para, segundo eles, passar adiante
o que consideram o caminho para uma vida mais saudável. Jovens,
simpáticos, sorridentes e bastante elásticos (como
se pode notar pelas fotos que ilustram esta reportagem), esses professores
são, além de zen, empreendedores. Proprietária
do Espaço, escola de ioga na Vila Madalena, Carol Bonfanti
ainda titubeia quando alguém lhe pergunta qual sua profissão.
"Sou ex-atriz, ex-circense e professora de ioga", diz. Formada em
teatro, ela resolveu dar uma guinada depois da terceira crise séria
de stress. "A princípio, as aulas eram apenas um remédio,
mas me apaixonei."
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| Rothenberg ainda
cuida de suas empresas: "Ninguém precisa ser especialista
em apenas uma coisa" |
Carol trabalhou
durante um ano e meio como assistente da instrutora Regina Nuyken,
no espaço Surya, e abriu o próprio negócio
há sete meses. Mas acostumar-se com a nova rotina profissional
não foi fácil. "A vida de ator é muito inconstante
e boêmia", afirma. "Agora tenho de acordar às 6 da
manhã todos os dias." Como ainda não existe uma faculdade
que forme iogues como são chamados os praticantes
, os futuros instrutores aprendem a arte em livros sobre o
tema e cursos de especialização. Alguns se aventuram
em viagens à Índia, berço da ioga, criada 5.000
anos atrás. Formada em administração pública
pela Fundação Getúlio Vargas, há dez
anos Ana Cristina Ferreira decidiu largar um emprego na multinacional
IBM para dar aulas em casa. Trocou o salto alto pelo tênis
e foi distribuir panfletos com sua propaganda na Avenida Paulista.
Hoje é dona da Trema, nos Jardins, e emprega sete professores.
"Passo para as pessoas algo que quero para mim mesma", filosofa.
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| Reinert:
trabalhos como publicitário nas horas vagas para complementar
a renda |
Até
se firmar na nova profissão, muitos iogues mantêm durante
algum tempo um pé na antiga atividade. O publicitário
Mário Reinert, por exemplo, dava aulas de manhã e
à noite. À tarde, era chefe de criação
em uma agência. Quando resolveu investir em uma filial da
escola Vidya no Brooklin, no ano passado, ganhava 13.000 reais por
mês. Seus rendimentos caíram pela metade. "Tive de
me adaptar", explica. "Troquei meu carro por um modelo quatro anos
mais velho, mas não sofro com isso." Para complementar os
ganhos, ainda faz alguns trabalhos publicitários como autônomo.
O empresário Daniel Rothenberg não pensa numa escolha
tão radical. Sócio de três empresas, garante
que é em suas aulas que se sente realizado. "Ninguém
precisa ser especialista em apenas uma coisa", afirma.
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| A ex-administradora
Ana: panfletos com sua propaganda na Paulista |
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