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15 de setembro de 2004
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Profissão: iogue

Paulistanos largam emprego e
vida estável para virar instrutores

Lia Bock

 
Fotos Heudes Regis
Carolina deixou os palcos pela ioga: na escola às 6 da manhã

Ex-arquitetos, ex-dançarinos, ex-atores, ex-advogados... Boa parte da nova leva de instrutores de ioga da cidade vem de outras profissões. Muitos se envolveram com a prática enquanto tinham bons empregos e salários. Largaram tudo para, segundo eles, passar adiante o que consideram o caminho para uma vida mais saudável. Jovens, simpáticos, sorridentes e bastante elásticos (como se pode notar pelas fotos que ilustram esta reportagem), esses professores são, além de zen, empreendedores. Proprietária do Espaço, escola de ioga na Vila Madalena, Carol Bonfanti ainda titubeia quando alguém lhe pergunta qual sua profissão. "Sou ex-atriz, ex-circense e professora de ioga", diz. Formada em teatro, ela resolveu dar uma guinada depois da terceira crise séria de stress. "A princípio, as aulas eram apenas um remédio, mas me apaixonei."

 
Rothenberg ainda cuida de suas empresas: "Ninguém precisa ser especialista em apenas uma coisa"

Carol trabalhou durante um ano e meio como assistente da instrutora Regina Nuyken, no espaço Surya, e abriu o próprio negócio há sete meses. Mas acostumar-se com a nova rotina profissional não foi fácil. "A vida de ator é muito inconstante e boêmia", afirma. "Agora tenho de acordar às 6 da manhã todos os dias." Como ainda não existe uma faculdade que forme iogues – como são chamados os praticantes –, os futuros instrutores aprendem a arte em livros sobre o tema e cursos de especialização. Alguns se aventuram em viagens à Índia, berço da ioga, criada 5.000 anos atrás. Formada em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas, há dez anos Ana Cristina Ferreira decidiu largar um emprego na multinacional IBM para dar aulas em casa. Trocou o salto alto pelo tênis e foi distribuir panfletos com sua propaganda na Avenida Paulista. Hoje é dona da Trema, nos Jardins, e emprega sete professores. "Passo para as pessoas algo que quero para mim mesma", filosofa.

 
Reinert: trabalhos como publicitário nas horas vagas para complementar a renda

Até se firmar na nova profissão, muitos iogues mantêm durante algum tempo um pé na antiga atividade. O publicitário Mário Reinert, por exemplo, dava aulas de manhã e à noite. À tarde, era chefe de criação em uma agência. Quando resolveu investir em uma filial da escola Vidya no Brooklin, no ano passado, ganhava 13.000 reais por mês. Seus rendimentos caíram pela metade. "Tive de me adaptar", explica. "Troquei meu carro por um modelo quatro anos mais velho, mas não sofro com isso." Para complementar os ganhos, ainda faz alguns trabalhos publicitários como autônomo. O empresário Daniel Rothenberg não pensa numa escolha tão radical. Sócio de três empresas, garante que é em suas aulas que se sente realizado. "Ninguém precisa ser especialista em apenas uma coisa", afirma.

 
A ex-administradora Ana: panfletos com sua propaganda na Paulista

     
   
 
 
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