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15 de maio de 2002
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POLÍCIA

Noites de terror

Arrastões em três eventos musicais
em menos de um mês assustam paulistanos

Erika Sallum

Samir Baptista/AE
Playcenter
Rave E.Force
30 de abril
Mais de 50 vítimas
9 presos

Há duas semanas, o estudante Weslley de Oliveira participou pela primeira vez de uma rave, aquelas festas de música eletrônica que costumam varar a madrugada. Depois de ser agredido e roubado quando chegava ao E.Force, megaevento realizado em 30 de abril no Playcenter, ele afirma que nunca mais pretende repetir a experiência. Na companhia de dois amigos, Oliveira parou o carro na Avenida Marquês de São Vicente e, pouco antes de entrar no parque de diversões, foi atacado por quinze homens. Dele, levaram a carteira. Dos amigos, os tênis que calçavam. Todos receberam socos e chutes. "Ainda me pediram que eu mostrasse a língua para ver se não tinha piercing", conta. Além de ter perdido a festa, pela qual pagou um ingresso de 25 reais, Oliveira ficou até de manhã na delegacia. "Estou traumatizado." Medo semelhante é sentido até hoje pela estudante Eliane Pousen, de quem levaram o celular durante a apresentação da cantora Ivete Sangalo, no dia 17, no Olympia. "Ser assaltada no meio da rua já é terrível", diz ela, que desembolsou 35 reais para ver o show. "Mas como isso pode acontecer dentro de uma casa tão conhecida?"

Renato Chaui
Olympia
Show de Ivete Sangalo
17 de abril
13 vítimas
Nenhum preso

Aos dois fatos, juntam-se os mais de 100 carros arrombados nas imediações do Rock & Reggae in Concert, que reuniu 9..800 pessoas, no dia 19, no Palco da Represa, na Via Anchieta. Para o paulistano acostumado a sair à noite, a ocorrência de três ataques como esses em menos de um mês é preocupante. Mas isso não significa que uma onda de arrastões venha atingindo a cidade. Nos cerca de setenta shows que acontecem todas as semanas em São Paulo, eles são esporádicos. "Devem-se mais à falta de estrutura de quem promove os eventos que à ação de quadrilhas organizadas", afirma o delegado César Camargo, do 23º Distrito Policial, em Perdizes, onde foram detidos nove suspeitos de agir no Playcenter. Só ali, acredita-se que tenham sido atacadas mais de cinqüenta pessoas. A falta de estacionamentos nas proximidades – o próprio parque abriu apenas 250 de suas 600 vagas – fez com que a maioria dos freqüentadores parasse na rua. "Havia muitos pedestres, e tivemos de tomar essa medida porque o portão de entrada dos carros e do público é a mesma", diz a gerente-geral Maria Aparecida Pinheiro. A Polícia Militar só foi avisada do evento um dia antes.

Mario Rodrigues
Oripedes Ribeiro/AE
Palco da Represa
Rock & Reggae in Concert
19 de abril
Mais de 100 carros arrombados
Nenhum preso

No caso do Olympia, os furtos aconteceram dentro do estabelecimento, que ainda não sabe explicar como os ladrões entraram e saíram sem ser identificados. "Classificamos o fato como um incidente de insegurança pública", diz Marcelo Saraiva Ribeiro, advogado do Olympia. Segundo o Procon, as casas de shows são responsáveis pela segurança dos clientes em suas dependências e devem ressarcir qualquer prejuízo. Para evitar que a noite acabe mal, é recomendável não levar objetos de valor, guardar bolsas nas chapelarias (quando estas existirem) e andar apenas com cópias dos documentos. Na hora de parar o carro, o ideal é deixá-lo em um estacionamento.

         
     
 
 
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