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NEGÓCIOS
A
mudança do Fasano
Bomba
nos Jardins: o restaurante mais famoso de São Paulo deixará
a
Haddock
Lobo para se instalar no hotel do grupo,
que celebra 100 anos
Carlos
Maranhão
Fotos Mario Rodrigues
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| Rogério
Fasano, no topo do hotel em obras: segredo bem guardado |
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O restaurante número 1 da cidade vai se mudar. Freqüentado
há doze anos por gourmets, celebridades, artistas, empresários,
políticos e endinheirados em geral, o Fasano permanecerá
apenas mais sete meses em seu atual endereço, quase no fim
da Rua Haddock Lobo, nos Jardins. Em janeiro de 2003, de acordo
com os planos de seus proprietários, irá para 80 metros
dali. Ficará instalado anexo ao lobby do Hotel Fasano, seu
mais ambicioso empreendimento, na vizinha Rua Taiarana. O hotel,
cujas obras têm conclusão prevista para novembro próximo,
abrigará também o Baretto, um bar classudo que desde
agosto de 1999, quando foi inaugurado, na Rua Amauri, no Itaim,
apresenta música ao vivo e shows intimistas, como os dos
americanos Steve Ross e Bobby Short. Ainda não se sabe que
destino terão os dois magníficos pontos comerciais
que ficarão vagos.
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O
projeto do hotel e a fachada do restaurante (no alto):
tudo junto, a partir de janeiro, com o Baretto anexado
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Com
22 andares, 54 apartamentos e nove suítes, o hotel começou
a ser construído em 2000, numa associação entre
as famílias Fasano e Diniz, dona da rede Pão de Açúcar.
Quarenta por cento da obra está sendo financiada pelo BNDES.
A decisão de levar o restaurante para lá, tomada há
cinco meses, era até agora um segredo bem guardado. Além
da localização, três novidades devem dar o que
falar no universo gastronômico da cidade. A primeira é
o tamanho. Ficará menor. As atuais 28 mesas serão
reduzidas para 21, o que significa que o número de lugares
passará de 130 para noventa. Em compensação,
a cozinha terá um espaço 40% maior. A segunda mudança
diz respeito ao horário de atendimento. Em 1999, o Fasano
parou de abrir no almoço, exceto no Dia das Mães (neste
domingo, funcionará das 12 às 17 horas) e no Dia dos
Pais. Na Taiarana, oferecerá almoço e jantar diariamente.
A terceira modificação será no serviço.
Nos moldes de alguns luxuosos restaurantes da França, o Fasano
não terá garçons. Só maîtres,
todos bilíngües (em português e italiano).
"Vamos
manter a carta, com a preocupação de melhorá-la
cada vez mais, a excepcional equipe que conseguimos formar e nossas
marcas: sobriedade, boa distância entre as mesas, acústica
perfeita, iluminação teatral e, claro, serviço
e cozinha de primeira classe", promete o restaurateur Rogério
Fasano. O restaurante Fasano é o cartão de visita
do grupo, dono ainda do Gero, do Gero Caffè, do Parigi, do
Caffé Armani, da Forneria San Paolo e do Baretto. Por que
então tirá-lo de seu suntuoso cenário da Haddock
Lobo, com piso de mármore e pé-direito que chega a
12 metros em um dos ambientes? Segundo o empresário Fabrizio
Fasano, pai de Rogério, como o hotel precisaria ter um restaurante,
ele e o filho optaram pela transferência da casa-mãe.
"Sem descuidar dos outros negócios, vamos concentrar tudo
lá dentro", diz Fabrizio. "Os hotéis que marcaram
época em São Paulo, como o Ca'd'Oro e o Maksoud, nasceram
com ótimos restaurantes acoplados", compara Rogério.
Hoje em dia, o Emiliano, na Rua Oscar Freire, e o L'Hotel, na Alameda
Campinas, com os quais o Hotel Fasano pretende disputar clientes,
dispõem de restaurantes de categoria. "Nosso hotel era um
sonho antigo de meu avô, Ruggero, de meu pai e meu. Tudo nele
terá de ser do melhor, dos tijolos ingleses da fachada ao
restaurante."
Álbum de família
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| Brasserie
Paulista, na Praça Antônio Prado, em 1902: centenário
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Com
o hotel, cujas diárias sairão em média por
300 dólares, e o renovado restaurante, onde o menu gastronômico
custa 135 reais por pessoa (fora os 15 reais do couvert, os 13%
da taxa de serviço e as bebidas), os Fasano vão celebrar
o centenário de suas atividades profissionais. Em 1902, o
milanês Vittorio Fasano, avô de Fabrizio e bisavô
de Rogério, fundou na Praça Antônio Prado, no
centro da cidade, a pioneira Brasserie Paulista, que sobreviveu
até os anos 30. Seu filho Ruggero, entre as décadas
de 40 e 60, teve sete restaurantes e confeitarias com o nome Fasano,
entre eles os da Avenida Vieira de Carvalho, da Rua Barão
de Itapetininga e do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Ruggero
morreu em 1968, aos 58 anos, e Fabrizio, o primogênito, resolveu
trilhar o próprio caminho como fabricante de uísque.
Enriqueceu ao inventar o Old Eight, mas perdeu praticamente tudo
o que tinha com um lançamento malsucedido, o Brazilian Blend.
Ele
não demorou a dar a volta por cima. Nos anos 80, depois de
montarem e fecharem dois restaurantes, na Rua Amauri e no Shopping
Eldorado, Fabrizio e Rogério mergulharam de cabeça
na criação do Fasano da Haddock Lobo, que abriu suas
portas em 11 de junho de 1990. O prestígio rapidamente conquistado
deu origem ao sucesso das demais casas, que, juntas, empregam 400
pessoas e servem cerca de 30.000 refeições
por mês, ao hotel e, em breve, a mais três negócios
com sua grife: o Gero do Rio de Janeiro, previsto para julho; uma
loja de vinhos, com bar à vin, nas antigas instalações
do Lounge, na Avenida Nove de Julho, a partir do segundo semestre;
e, no fim do ano, um espaço de eventos, que será dirigido
por Andrea Fasano, irmã de Rogério, no edifício
Plaza Iguatemi, em frente ao Shopping Iguatemi. "Em todas essas
frentes, nossa proposta é sempre a mesma", diz Rogério.
"Queremos dar ao cliente o máximo de qualidade com muito
calor humano."
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