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15 de maio de 2002
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A mudança do Fasano

Bomba nos Jardins: o restaurante mais famoso de São Paulo deixará a Haddock
Lobo para se instalar no hotel do grupo,
que celebra 100 anos

Carlos Maranhão


Fotos Mario Rodrigues
Rogério Fasano, no topo do hotel em obras: segredo bem guardado
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O restaurante número 1 da cidade vai se mudar. Freqüentado há doze anos por gourmets, celebridades, artistas, empresários, políticos e endinheirados em geral, o Fasano permanecerá apenas mais sete meses em seu atual endereço, quase no fim da Rua Haddock Lobo, nos Jardins. Em janeiro de 2003, de acordo com os planos de seus proprietários, irá para 80 metros dali. Ficará instalado anexo ao lobby do Hotel Fasano, seu mais ambicioso empreendimento, na vizinha Rua Taiarana. O hotel, cujas obras têm conclusão prevista para novembro próximo, abrigará também o Baretto, um bar classudo que desde agosto de 1999, quando foi inaugurado, na Rua Amauri, no Itaim, apresenta música ao vivo e shows intimistas, como os dos americanos Steve Ross e Bobby Short. Ainda não se sabe que destino terão os dois magníficos pontos comerciais que ficarão vagos.


O projeto do hotel e a fachada do restaurante (no alto): tudo junto, a partir de janeiro, com o Baretto anexado

Com 22 andares, 54 apartamentos e nove suítes, o hotel começou a ser construído em 2000, numa associação entre as famílias Fasano e Diniz, dona da rede Pão de Açúcar. Quarenta por cento da obra está sendo financiada pelo BNDES. A decisão de levar o restaurante para lá, tomada há cinco meses, era até agora um segredo bem guardado. Além da localização, três novidades devem dar o que falar no universo gastronômico da cidade. A primeira é o tamanho. Ficará menor. As atuais 28 mesas serão reduzidas para 21, o que significa que o número de lugares passará de 130 para noventa. Em compensação, a cozinha terá um espaço 40% maior. A segunda mudança diz respeito ao horário de atendimento. Em 1999, o Fasano parou de abrir no almoço, exceto no Dia das Mães (neste domingo, funcionará das 12 às 17 horas) e no Dia dos Pais. Na Taiarana, oferecerá almoço e jantar diariamente. A terceira modificação será no serviço. Nos moldes de alguns luxuosos restaurantes da França, o Fasano não terá garçons. Só maîtres, todos bilíngües (em português e italiano).

"Vamos manter a carta, com a preocupação de melhorá-la cada vez mais, a excepcional equipe que conseguimos formar e nossas marcas: sobriedade, boa distância entre as mesas, acústica perfeita, iluminação teatral e, claro, serviço e cozinha de primeira classe", promete o restaurateur Rogério Fasano. O restaurante Fasano é o cartão de visita do grupo, dono ainda do Gero, do Gero Caffè, do Parigi, do Caffé Armani, da Forneria San Paolo e do Baretto. Por que então tirá-lo de seu suntuoso cenário da Haddock Lobo, com piso de mármore e pé-direito que chega a 12 metros em um dos ambientes? Segundo o empresário Fabrizio Fasano, pai de Rogério, como o hotel precisaria ter um restaurante, ele e o filho optaram pela transferência da casa-mãe. "Sem descuidar dos outros negócios, vamos concentrar tudo lá dentro", diz Fabrizio. "Os hotéis que marcaram época em São Paulo, como o Ca'd'Oro e o Maksoud, nasceram com ótimos restaurantes acoplados", compara Rogério. Hoje em dia, o Emiliano, na Rua Oscar Freire, e o L'Hotel, na Alameda Campinas, com os quais o Hotel Fasano pretende disputar clientes, dispõem de restaurantes de categoria. "Nosso hotel era um sonho antigo de meu avô, Ruggero, de meu pai e meu. Tudo nele terá de ser do melhor, dos tijolos ingleses da fachada ao restaurante."

 
Álbum de família
Brasserie Paulista, na Praça Antônio Prado, em 1902: centenário

Com o hotel, cujas diárias sairão em média por 300 dólares, e o renovado restaurante, onde o menu gastronômico custa 135 reais por pessoa (fora os 15 reais do couvert, os 13% da taxa de serviço e as bebidas), os Fasano vão celebrar o centenário de suas atividades profissionais. Em 1902, o milanês Vittorio Fasano, avô de Fabrizio e bisavô de Rogério, fundou na Praça Antônio Prado, no centro da cidade, a pioneira Brasserie Paulista, que sobreviveu até os anos 30. Seu filho Ruggero, entre as décadas de 40 e 60, teve sete restaurantes e confeitarias com o nome Fasano, entre eles os da Avenida Vieira de Carvalho, da Rua Barão de Itapetininga e do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Ruggero morreu em 1968, aos 58 anos, e Fabrizio, o primogênito, resolveu trilhar o próprio caminho como fabricante de uísque. Enriqueceu ao inventar o Old Eight, mas perdeu praticamente tudo o que tinha com um lançamento malsucedido, o Brazilian Blend.

Ele não demorou a dar a volta por cima. Nos anos 80, depois de montarem e fecharem dois restaurantes, na Rua Amauri e no Shopping Eldorado, Fabrizio e Rogério mergulharam de cabeça na criação do Fasano da Haddock Lobo, que abriu suas portas em 11 de junho de 1990. O prestígio rapidamente conquistado deu origem ao sucesso das demais casas, que, juntas, empregam 400 pessoas e servem cerca de 30.000 refeições por mês, ao hotel e, em breve, a mais três negócios com sua grife: o Gero do Rio de Janeiro, previsto para julho; uma loja de vinhos, com bar à vin, nas antigas instalações do Lounge, na Avenida Nove de Julho, a partir do segundo semestre; e, no fim do ano, um espaço de eventos, que será dirigido por Andrea Fasano, irmã de Rogério, no edifício Plaza Iguatemi, em frente ao Shopping Iguatemi. "Em todas essas frentes, nossa proposta é sempre a mesma", diz Rogério. "Queremos dar ao cliente o máximo de qualidade com muito calor humano."

         
     
 
 
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