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15 de maio de 2002
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CULTURA

Arte high tech

Reformado, Itaú Cultural aposta em
novas mídias
e programação popular

Valéria França

 
Renato Chaui
Renato Chaui
A presidente Milú: pesquisa com pedestres na Avenida Paulista O prédio de cara nova:
8 milhões de reais


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Site do Itaú Cultural

No fim do ano passado, uma senhora magra, pequena e muito bem vestida perguntava às pessoas que passavam pela Avenida Paulista se elas já haviam ouvido falar no Itaú Cultural. Também queria saber se alguém conhecia seu endereço. Decidida, a quatrocentona Milú Villela, maior acionista individual do Banco Itaú, saiu a campo para tirar a limpo uma desconfiança que a atormentava fazia muito tempo. "Falei com cerca de oitenta pessoas, e a maioria desconhecia a localização do instituto", conta Milú, que assumiu a presidência do Itaú Cultural um ano atrás e também dirige o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Centro de Voluntariado de São Paulo. Depois de comprovar sua suspeita, ela chegou à conclusão de que o instituto precisava urgentemente mudar de cara. Seu prédio, na esquina da Paulista com a Rua Leôncio de Carvalho, no Paraíso, fechou para reforma no fim de dezembro. Passou cinco meses em obras. O custo da modernização, ampliação e informatização de seis dos treze andares do edifício foi de 8 milhões de reais. Com a fachada mais arejada e pintada de branco, o centro volta a funcionar neste domingo (12), agora com mais atividades abertas ao público.

 
Fotos divulgação
Projeto do Ponto Digital: globo com vídeos do mundo todo e laptops para consulta

A grande estrela de toda essa reformulação é o Ponto Digital, um espaço high tech de difusão de diferentes mídias, situado logo na entrada. No centro da sala, um globo com pouco mais de 1 metro de diâmetro, formado por 24 telinhas, mostrará programas de televisão de vários países. O espectador escolhe o que quer ver e puxa a imagem para um dos oito televisores retráteis de 12 polegadas, que dão ares futuristas ao ambiente. No teto, telas planas de 42 polegadas exibirão documentários sobre cinema, arte e dança. Há cerca de 700 títulos para consultas em vídeo. A decoração é despojada. Além de pufes coloridos, existem sofás espalhados por vários lugares. "O visitante poderá apanhar um dos laptops sem fio, ligados em rede, e levá-lo para onde se sentir mais confortável", diz o videomaker Marcello Dantas, que projetou o Ponto Digital.

Ainda no piso térreo, foi aberto um restaurante de comidas leves, que terá um sistema de som especial. O aparelho faz com que a música escolhida pelo cliente fique restrita apenas à área de sua mesa. Em agosto, começará a grande viagem virtual, com a instalação de uma cave (caverna, em inglês) no mezanino. Símbolo do que há de mais avançado em tecnologia, a máquina alemã (que custou 150.000 dólares) funciona como uma espécie de caixa-preta, criada especialmente para projeções em terceira dimensão, em que o visitante passa a fazer parte do cenário. Segundo o diretor-superintendente do instituto, Ricardo Ribenboim, trata-se do primeiro equipamento público desse tipo em toda a América. Um material exclusivo sobre a Avenida Paulista do início do século passado já está sendo produzido. "As pessoas vão se sentir passeando de charrete por entre os casarões dos barões do café", promete Ribenboim.

 
Fotos divulgação
ção
Aparelho cinecromático de Palatnik (à esq.) e duas das obras da exposição Vertentes da Produção Contemporânea: atividades gratuitas

O Itaú Cultural investe anualmente 20 milhões de reais em pesquisas, incentivo a realizações de jovens artistas e difusão de sua produção. Hoje, cerca de 1.000 pessoas trabalham em parceria com o centro em diferentes projetos. São empreitadas que rendem livros, documentários, palestras, material didático para escolas e exposições. A mostra Vertentes da Produção Contemporânea, com 54 artistas de diversas partes do país, estréia na reabertura do instituto. Além dela, o público poderá ver parte da obra de Abraham Palatnik, o fundador da arte tecnológica no Brasil. Bate-papos com escritores, oficinas de teatro e exibições de documentários são algumas das atividades previstas na programação, sempre gratuita. O bailarino José Carlos Violla, por exemplo, se apresentará todas as quartas-feiras de julho. Para ninguém ter dúvidas sobre onde fica o centro cultural, Milú Villela mandou instalar na entrada uma enorme placa giratória com o nome da instituição. A inscrição compete com a do prédio ao lado, onde funciona uma agência do Unibanco 30 Horas, concorrente direto do Itaú. "Costumo brincar que até a placa do vizinho foi colocada ali em minha homenagem", diverte-se ela. "Faço tantas coisas ao mesmo tempo que as pessoas já estão me chamando de Milú 30 horas."

 
Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, 3268-1800, Metrô Brigadeiro. Terça a sexta, 10h às 21h; sábado, domingo e feriado, 10h às 19h. www.itaucultural.org.br.

         
     
 
 
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