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CULTURA
Arte
high tech
Reformado,
Itaú Cultural aposta em
novas mídias e
programação popular
Valéria
França
Renato Chaui
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Renato Chaui
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| A
presidente Milú: pesquisa com pedestres na Avenida Paulista
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O
prédio de cara nova:
8 milhões de reais |
No
fim do ano passado, uma senhora magra, pequena e muito bem vestida
perguntava às pessoas que passavam pela Avenida Paulista
se elas já haviam ouvido falar no Itaú Cultural. Também
queria saber se alguém conhecia seu endereço. Decidida,
a quatrocentona Milú Villela, maior acionista individual
do Banco Itaú, saiu a campo para tirar a limpo uma desconfiança
que a atormentava fazia muito tempo. "Falei com cerca de oitenta
pessoas, e a maioria desconhecia a localização do
instituto", conta Milú, que assumiu a presidência do
Itaú Cultural um ano atrás e também dirige
o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Centro de Voluntariado de São
Paulo. Depois de comprovar sua suspeita, ela chegou à conclusão
de que o instituto precisava urgentemente mudar de cara. Seu prédio,
na esquina da Paulista com a Rua Leôncio de Carvalho, no Paraíso,
fechou para reforma no fim de dezembro. Passou cinco meses em obras.
O custo da modernização, ampliação e
informatização de seis dos treze andares do edifício
foi de 8 milhões de reais. Com a fachada mais arejada e pintada
de branco, o centro volta a funcionar neste domingo (12), agora
com mais atividades abertas ao público.
Fotos divulgação
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| Projeto
do Ponto Digital: globo com vídeos do mundo todo e laptops
para consulta |
A grande
estrela de toda essa reformulação é o Ponto
Digital, um espaço high tech de difusão de diferentes
mídias, situado logo na entrada. No centro da sala, um globo
com pouco mais de 1 metro de diâmetro, formado por 24 telinhas,
mostrará programas de televisão de vários países.
O espectador escolhe o que quer ver e puxa a imagem para um dos
oito televisores retráteis de 12 polegadas, que dão
ares futuristas ao ambiente. No teto, telas planas de 42 polegadas
exibirão documentários sobre cinema, arte e dança.
Há cerca de 700 títulos para consultas em vídeo.
A decoração é despojada. Além de pufes
coloridos, existem sofás espalhados por vários lugares.
"O visitante poderá apanhar um dos laptops sem fio, ligados
em rede, e levá-lo para onde se sentir mais confortável",
diz o videomaker Marcello Dantas, que projetou o Ponto Digital.
Ainda
no piso térreo, foi aberto um restaurante de comidas leves,
que terá um sistema de som especial. O aparelho faz com que
a música escolhida pelo cliente fique restrita apenas à
área de sua mesa. Em agosto, começará a grande
viagem virtual, com a instalação de uma cave (caverna,
em inglês) no mezanino. Símbolo do que há de
mais avançado em tecnologia, a máquina alemã
(que custou 150.000 dólares) funciona
como uma espécie de caixa-preta, criada especialmente para
projeções em terceira dimensão, em que o visitante
passa a fazer parte do cenário. Segundo o diretor-superintendente
do instituto, Ricardo Ribenboim, trata-se do primeiro equipamento
público desse tipo em toda a América. Um material
exclusivo sobre a Avenida Paulista do início do século
passado já está sendo produzido. "As pessoas vão
se sentir passeando de charrete por entre os casarões dos
barões do café", promete Ribenboim.
Fotos
divulgação
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ção
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| Aparelho
cinecromático de Palatnik (à esq.) e duas
das obras da exposição Vertentes da Produção
Contemporânea: atividades gratuitas |
O Itaú
Cultural investe anualmente 20 milhões de reais em pesquisas,
incentivo a realizações de jovens artistas e difusão
de sua produção. Hoje, cerca de 1.000
pessoas trabalham em parceria com o centro em diferentes projetos.
São empreitadas que rendem livros, documentários,
palestras, material didático para escolas e exposições.
A mostra Vertentes da Produção Contemporânea,
com 54 artistas de diversas partes do país, estréia
na reabertura do instituto. Além dela, o público poderá
ver parte da obra de Abraham Palatnik, o fundador da arte tecnológica
no Brasil. Bate-papos com escritores, oficinas de teatro e exibições
de documentários são algumas das atividades previstas
na programação, sempre gratuita. O bailarino José
Carlos Violla, por exemplo, se apresentará todas as quartas-feiras
de julho. Para ninguém ter dúvidas sobre onde fica
o centro cultural, Milú Villela mandou instalar na entrada
uma enorme placa giratória com o nome da instituição.
A inscrição compete com a do prédio ao lado,
onde funciona uma agência do Unibanco 30 Horas, concorrente
direto do Itaú. "Costumo brincar que até a placa do
vizinho foi colocada ali em minha homenagem", diverte-se ela. "Faço
tantas coisas ao mesmo tempo que as pessoas já estão
me chamando de Milú 30 horas."
Itaú
Cultural. Avenida
Paulista, 149,
3268-1800, Metrô Brigadeiro. Terça a sexta, 10h
às 21h; sábado, domingo e feriado, 10h às
19h. www.itaucultural.org.br.
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