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MEMÓRIA
Tesouros revelados Bisneto de fotógrafo alemão
recupera 1 500 imagens de São Paulo entre os anos 20 e 40 Edison
Veiga Fotos
Theodor Preising/acervo de família
 | | A
Estação da Luz, antes do incêndio que destruiu parte de sua estrutura em 1946.
Depois de ser reformado, o prédio ganhou mais um pavimento, mas o estilo vitoriano
original foi mantido |
Quando o alemão Theodor Preising chegou
a São Paulo, nos anos 20, encontrou uma cidade de meio milhão de
habitantes e raríssimos carros nas ruas. Câmeras fotográficas
tão banais na era digital eram trambolhos complicados e caros,
manuseados apenas por profissionais. Ele trouxe sua Voigtlander e, munido de um
tripé, passou a registrar cenas do cotidiano paulistano. "Sempre que a
gente tirava fotos na rua, formava-se uma rodinha de curiosos", lembra Karl Fritz
Preising, 93 anos, filho do fotógrafo. "Muitos ficavam fazendo pose e atrapalhando."
Os negativos eram revelados e ampliados em um laboratório próprio,
e os melhores viravam cartões-postais.  |  | | O
Edifício Martinelli, inaugurado em 1929, chamava atenção por seus trinta andares.
Como não conseguiu enquadrar o prédio inteiro, Preising desenhou os extremos com
tinta guache. | Clicada em 1929, esta foto mostra a Rua
15 de Novembro, que na época concentrava lojas sofisticadas, os principais bancos,
a sede do Jockey Club e as redações de vários jornais |
Nascido na cidade de Hildesheim, em 1883, Preising clicou as frentes de batalha
da I Guerra Mundial. Quando o conflito terminou, mudou-se para a América
do Sul. Morou alguns meses na Argentina. Não se adaptou e resolveu vir
para o Brasil. De 1920 a 1924, produziu e vendeu cartões-postais no Guarujá.
A partir daí, estabeleceu-se em São Paulo, onde montou um laboratório
fotográfico. Por vezes, tomava um trem e passava uma temporada fora, captando
imagens de outras cidades. Preising foi um dos pioneiros na utilização
de máquinas de pequeno formato, como a Leica e a Contax, na década
de 30. Nessa época, trabalhou com o fotógrafo Benedito Junqueira
Duarte, na Revista São Paulo.  | | Num
dos postais comercializados por Theodor Preising, o Viaduto do Chá, visto a partir
da Praça do Patriarca rodeada de prédios, mostrava o desenvolvimento da capital
paulista nos anos 30 |
Com o início
da II Guerra, as coisas começaram a se complicar para Preising. Ele foi
proibido de tirar fotos externas nas cidades. "A polícia tinha medo de
que mandássemos as imagens para a Alemanha e a cidade fosse bombardeada",
conta seu filho. Como alternativa, o alemão passou a fotografar a agricultura
no interior. Os fazendeiros adoravam comprar registros de suas lavouras de algodão,
café, banana e trigo. Acometido pela doença de Parkinson, o fotógrafo
aposentou-se em 1948 e morreu catorze anos depois. As preciosidades deixadas por
Theodor Preising um acervo de 14 000 negativos de diferentes formatos,
1 500 dos quais com cenas da capital paulista ficaram praticamente esquecidas
pela família até 2001. Foi o bisneto do fotógrafo, Douglas
Aptekmann, que decidiu organizar o arquivo e zelar pela conservação
do material.  | | Nos
anos 20, imagens aéreas eram raras. Para conseguir fazer esta, em que aparece
o Museu do Ipiranga, construído em 1890, o fotógrafo sobrevoou a região em um
avião de pequeno porte |
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