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CIDADE
Muvuca nos Jardins Em apenas seis quarteirões
da Oscar Freire há dezoito pontos em obras Rodrigo
Brancatelli Fotos
Mario Rodrigues
 | | Oscar
Freire, na altura do número 1 000: projeto de reurbanização da rua deve ser concluído
em julho |
A Oscar Freire, a mais rica
vitrine do luxo em São Paulo, vive seus dias de 25 de Março: trânsito
caótico, calçadas apertadas, britadeiras e muito barulho. Em apenas
seis quarteirões, há dezoito pontos onde trabalhadores passam dez
horas quebrando o asfalto e remexendo nos subterrâneos. Com pregos e quinas
cortantes, 23 chapas de aço cobrem os buracos abertos. Por causa da muvuca,
os lojistas da região registraram em novembro queda de 10% a 30% nas vendas.
Essas obras fazem parte do projeto de reurbanização da rua. A idéia
é substituir os cerca de cinqüenta postes por um sistema subterrâneo
de redes e cabos, repaginar as calçadas (elas serão alargadas em
3 metros nas áreas próximas às esquinas) e plantar árvores
como o ipê-roxo. Está prevista a colocação de bancos,
quiosques, lixeiras e novas luminárias. O custo de tudo isso, cerca de
8 milhões de reais, foi dividido entre a prefeitura, uma administradora
de cartões de crédito e os próprios lojistas.
 | | Melo
Alves com Oscar Freire: crateras e tapumes |
Até
julho, prazo estimado para a conclusão dos trabalhos, os moradores e motoristas
devem continuar a sofrer. "O trânsito está infernal, as travessas
da Oscar Freire ficam congestionadas e não há lugar para estacionar
os carros", diz Célia Marcondes, presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores
de Cerqueira César (Samorcc). "Sem falar na poeira que invade os apartamentos."
Outro incômodo são as obras da Estação Oscar Freire
da Linha 4 do metrô (LuzVila Sônia). Ali, na esquina com a Avenida
Rebouças, cerca de dez caminhões entram e saem diariamente carregando
terra e equipamentos. "Antes eu demorava uns três minutos para atravessar
a Oscar Freire de carro", compara o biólogo Felipe Chadad, que mora há
quinze anos na Rua Padre João Manuel. "Agora levo no mínimo vinte
minutos. É algo que acaba com a paciência de qualquer um." A presidente
da Associação dos Lojistas da Oscar Freire e diretora da grife Dior
no Brasil, Rosangela Lyra, está mais animada. "Tudo tem um preço
nesta vida", acredita. "Obra é sempre uma coisa ruim, mas, se é
para ter uma rua bonita, com calçada novinha e sem postes, acho que vale
o sacrifício."  | | Rua
da Consolação: trânsito complicado com intervenções no subterrâneo |
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