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15 de fevereiro de 2006
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Muvuca nos Jardins

Em apenas seis quarteirões
da Oscar Freire há dezoito
pontos em obras

Rodrigo Brancatelli

 
Fotos Mario Rodrigues
Oscar Freire, na altura do número 1 000: projeto de reurbanização da rua deve ser concluído em julho

A Oscar Freire, a mais rica vitrine do luxo em São Paulo, vive seus dias de 25 de Março: trânsito caótico, calçadas apertadas, britadeiras e muito barulho. Em apenas seis quarteirões, há dezoito pontos onde trabalhadores passam dez horas quebrando o asfalto e remexendo nos subterrâneos. Com pregos e quinas cortantes, 23 chapas de aço cobrem os buracos abertos. Por causa da muvuca, os lojistas da região registraram em novembro queda de 10% a 30% nas vendas. Essas obras fazem parte do projeto de reurbanização da rua. A idéia é substituir os cerca de cinqüenta postes por um sistema subterrâneo de redes e cabos, repaginar as calçadas (elas serão alargadas em 3 metros nas áreas próximas às esquinas) e plantar árvores como o ipê-roxo. Está prevista a colocação de bancos, quiosques, lixeiras e novas luminárias. O custo de tudo isso, cerca de 8 milhões de reais, foi dividido entre a prefeitura, uma administradora de cartões de crédito e os próprios lojistas.

Melo Alves com Oscar Freire: crateras e tapumes

Até julho, prazo estimado para a conclusão dos trabalhos, os moradores e motoristas devem continuar a sofrer. "O trânsito está infernal, as travessas da Oscar Freire ficam congestionadas e não há lugar para estacionar os carros", diz Célia Marcondes, presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores de Cerqueira César (Samorcc). "Sem falar na poeira que invade os apartamentos." Outro incômodo são as obras da Estação Oscar Freire da Linha 4 do metrô (Luz–Vila Sônia). Ali, na esquina com a Avenida Rebouças, cerca de dez caminhões entram e saem diariamente carregando terra e equipamentos. "Antes eu demorava uns três minutos para atravessar a Oscar Freire de carro", compara o biólogo Felipe Chadad, que mora há quinze anos na Rua Padre João Manuel. "Agora levo no mínimo vinte minutos. É algo que acaba com a paciência de qualquer um." A presidente da Associação dos Lojistas da Oscar Freire e diretora da grife Dior no Brasil, Rosangela Lyra, está mais animada. "Tudo tem um preço nesta vida", acredita. "Obra é sempre uma coisa ruim, mas, se é para ter uma rua bonita, com calçada novinha e sem postes, acho que vale o sacrifício."

 

Rua da Consolação: trânsito complicado com intervenções no subterrâneo
     
   
 
 
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