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CIDADE
Era só o que faltava
Ladrões roubam pneus e estepes
em plena luz do dia
Rodrigo Brancatelli
Sérgio Barzaghi/DiarioSP/Agencia
O Globo
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| Fernanda Guzzo, com seu Citroën C3 em
frente ao Estádio do Pacaembu: as quatro rodas foram
levadas |
Ao deixar o prédio da Fundação
Armando Álvares Penteado (Faap) por volta das 17h30 do último
dia 1º, a estudante de arquitetura Fernanda Guzzo ficou surpresa
ao encontrar seu carro, um Citroën C3, sem as quatro rodas.
Isso mesmo, o automóvel estava com os discos de freio no
chão. Fernanda havia estacionado o veículo pela manhã
na Praça Charles Miller, no Pacaembu, por onde passam cerca
de 90.000 carros e um mundaréu de gente todos os dias. Ainda
assim, ninguém parece ter visto as rodas sumirem. "Não
é a primeira vez que isso acontece", afirma Fernanda. "No
mês passado, outra aluna enfrentou a mesma situação."
O caso, apesar de extremo, ilustra bem a audácia de quadrilhas
especializadas em roubar pneus e estepes de automóveis em
São Paulo. E elas faturam alto. Cada conjunto de roda e pneu
novos custa de 300 a 2.500 reais, no caso de um modelo importado.
Os bandidos ganham um terço desse valor nas negociações
com desmanches.
Esse tipo de crime dificilmente aparece nos boletins
de ocorrência das delegacias, mas tornou-se cada vez mais
comum. Há cerca de um mês, o publicitário Edmundo
Castro dirigia na pista local da Marginal Pinheiros quando seu Ford
Fiesta caiu em um buraco perto da guia. "Desci para trocar o pneu
e não achei o estepe", lembra. O prejuízo da pediatra
Alice Camacho foi maior. Em outubro, o pneu dianteiro esquerdo de
seu Peugeot 206 furou e só então ela percebeu que
o estepe havia sido furtado do porta-malas. Enquanto esperava o
guincho na Avenida do Estado, foi agredida e teve a bolsa roubada.
"Toda semana, aparecem cerca de dez clientes procurando estepes,
o que não acontecia com tanta freqüência até
o início deste ano", diz Alberto Caio, gerente da loja FastPneus,
no Morumbi.
O furto ocorre quando se deixa o carro na rua ou
mesmo em estacionamentos. Com a ajuda de uma chave especial e uma
faca de cozinha, os ladrões abrem o porta-malas e arrancam
a roda em questão de segundos. Para piorar, a maioria dos
seguros não cobre a perda. A polícia reconhece que
não consegue impedir a ação dos criminosos.
"Fica difícil achar as quadrilhas, pois as vítimas
não nos procuram", diz o delegado Itagiba Franco, do Departamento
de Investigação sobre Crimes contra o Patrimônio.
"É preciso criar o hábito de inspecionar sempre o
carro."
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