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14 de dezembro de 2005
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Era só o que faltava

Ladrões roubam pneus e estepes
em plena luz do dia

Rodrigo Brancatelli

 
Sérgio Barzaghi/DiarioSP/Agencia O Globo
Fernanda Guzzo, com seu Citroën C3 em frente ao Estádio do Pacaembu: as quatro rodas foram levadas

Ao deixar o prédio da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) por volta das 17h30 do último dia 1º, a estudante de arquitetura Fernanda Guzzo ficou surpresa ao encontrar seu carro, um Citroën C3, sem as quatro rodas. Isso mesmo, o automóvel estava com os discos de freio no chão. Fernanda havia estacionado o veículo pela manhã na Praça Charles Miller, no Pacaembu, por onde passam cerca de 90.000 carros e um mundaréu de gente todos os dias. Ainda assim, ninguém parece ter visto as rodas sumirem. "Não é a primeira vez que isso acontece", afirma Fernanda. "No mês passado, outra aluna enfrentou a mesma situação." O caso, apesar de extremo, ilustra bem a audácia de quadrilhas especializadas em roubar pneus e estepes de automóveis em São Paulo. E elas faturam alto. Cada conjunto de roda e pneu novos custa de 300 a 2.500 reais, no caso de um modelo importado. Os bandidos ganham um terço desse valor nas negociações com desmanches.

Esse tipo de crime dificilmente aparece nos boletins de ocorrência das delegacias, mas tornou-se cada vez mais comum. Há cerca de um mês, o publicitário Edmundo Castro dirigia na pista local da Marginal Pinheiros quando seu Ford Fiesta caiu em um buraco perto da guia. "Desci para trocar o pneu e não achei o estepe", lembra. O prejuízo da pediatra Alice Camacho foi maior. Em outubro, o pneu dianteiro esquerdo de seu Peugeot 206 furou e só então ela percebeu que o estepe havia sido furtado do porta-malas. Enquanto esperava o guincho na Avenida do Estado, foi agredida e teve a bolsa roubada. "Toda semana, aparecem cerca de dez clientes procurando estepes, o que não acontecia com tanta freqüência até o início deste ano", diz Alberto Caio, gerente da loja FastPneus, no Morumbi.

O furto ocorre quando se deixa o carro na rua ou mesmo em estacionamentos. Com a ajuda de uma chave especial e uma faca de cozinha, os ladrões abrem o porta-malas e arrancam a roda em questão de segundos. Para piorar, a maioria dos seguros não cobre a perda. A polícia reconhece que não consegue impedir a ação dos criminosos. "Fica difícil achar as quadrilhas, pois as vítimas não nos procuram", diz o delegado Itagiba Franco, do Departamento de Investigação sobre Crimes contra o Patrimônio. "É preciso criar o hábito de inspecionar sempre o carro."

     
   
 
 
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