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TEATRO Sozinhos
no palco Estrelados por atores consagrados, monólogos
estão em alta Alvaro Leme
Os espetáculos-solo estão
com tudo. Quinze montagens de todos os quilates ocupam os palcos paulistanos,
muitas delas estreladas por nomes conhecidos do grande público, como Elizabeth
Savalla, Pedro Paulo Rangel e Regina Duarte. Quase sempre utilizados como alternativa
à falta de recursos, os monólogos voltam com orçamento revisto
e ampliado. Um exemplo disso é Sonho de um Homem Ridículo,
com Celso Frateschi, que custou 100.000 reais. "A diferença dessa onda
é que ela nasce mais de um desejo artístico do que de questões
financeiras", acredita Beth Néspoli, crítica de teatro do jornal
O Estado de S. Paulo.
Elza
Gomes
 | Sonho
de um Homem Ridículo, com Celso
Frateschi Depois de tentar se matar, o personagem
sonha que viaja para um mundo perfeito |
Os
próprios atores repudiam a idéia de que os monólogos serviriam
apenas para não dividir a féria da bilheteria com outros companheiros
de palco. "Se fosse para ganhar dinheiro, teria aceitado o convite de fazer a
Viúva Porcina no palco", afirma Regina Duarte, que encena Coração
Bazar, referindo-se à personagem que interpretou na novela Roque
Santeiro, em 1985. Com ingressos a 20 reais, Coração Bazar
atrai cerca de 250 espectadores por apresentação no Teatro Sérgio
Cardoso. Até março do ano que vem, ela irá encená-la
também nos 21 Centros Educacionais Unificados (CEUs) da prefeitura. Campeão
de público no Rio de Janeiro, Pedro Paulo Rangel chegou ao palco do Teatro
Renaissance em agosto com Soppa de Letra. O texto costura trechos de setenta
canções de compositores como Ary Barroso, Chico Buarque e Cartola.
O ingresso custa 60 reais. Deu para fazer dinheiro? "Se vivesse só da peça,
não conseguiria pagar as contas", conta ele. "Investi os 100.000 reais
da bilheteria do Rio para trazer o espetáculo a São Paulo. E ainda
coloquei mais 50.000 reais do meu bolso", garante.
Guga
Melgar
 | Luiz
Doroneto
 | Friziléia,
com Elizabeth Savalla Dona-de-casa
frustrada entretém a platéia ao relatar suas angústias | Prego
na Testa, com Hugo Possolo
Em nove tipos hilários, o ator solta farpas sobre a crise
política brasileira e a sociedade nos anos 2000 |
Uma boa notícia é que há opções para todos
os gostos. Quem está atrás de comédia dá boas risadas,
por exemplo, com Elizabeth Savalla em Friziléia, Uma Esposa à
Beira de um Ataque de Nervos. Em quase duas horas, Elizabeth encarna uma dona-de-casa
quarentona em crise com o marido. Piadas sobre a forma física, os deveres
com o lar e com as crianças, além de outras situações
cotidianas, levam a platéia às gargalhadas. A temporada de sucesso
começou em março, com lotação praticamente esgotada
em quase todas as sessões. "Renovamos até dezembro", comemora Camilo
Áttila, autor do texto. Já os fãs de drama podem apostar
no solo de Frateschi, um dos melhores em cartaz atualmente. Depois de três
anos longe do teatro, o ator monta com brilho a adaptação de um
conto de Dostoievski. "Faço com carinho, mas nem sempre é fácil
para a platéia", afirma. Guga
Melgar
 | Bob
Paulino
 | Soppa
de Letra, com Pedro Paulo Rangel Ganhador
do Prêmio Shell de melhor ator no Rio, ele emociona e diverte com trechos
de setenta canções | Coração
Bazar, com Regina Duarte Reunião
de textos de Drummond e Fernando Pessoa, entre outros, traz a atriz em sete personagens
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Um dos precursores dessa nova
moda do "eu sozinho" em São Paulo foi Mademoiselle Chanel, com Marília
Pêra. Há duas modelos em cena, mas elas entram mudas e saem caladas.
A peça, que encerra a temporada neste domingo (11), foi vista por mais
de 90.000 pessoas. Segundo o diretor teatral José Simões, coordenador
do curso de licenciatura em teatro da Universidade de Sorocaba, a tendência
é mundial. Em julho de 2006, ele embarca para a França, onde irá
participar de um congresso sobre o assunto. "Se você pegar um guia cultural
de Londres, Paris ou Nova York, vai ver que, lá como aqui, há vários
espetáculos-solo em cartaz." É só escolher. |