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14 de setembro de 2005
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TEATRO

Sozinhos no palco

Estrelados por atores consagrados,
monólogos estão em alta

Alvaro Leme

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Os espetáculos-solo estão com tudo. Quinze montagens de todos os quilates ocupam os palcos paulistanos, muitas delas estreladas por nomes conhecidos do grande público, como Elizabeth Savalla, Pedro Paulo Rangel e Regina Duarte. Quase sempre utilizados como alternativa à falta de recursos, os monólogos voltam com orçamento revisto e ampliado. Um exemplo disso é Sonho de um Homem Ridículo, com Celso Frateschi, que custou 100.000 reais. "A diferença dessa onda é que ela nasce mais de um desejo artístico do que de questões financeiras", acredita Beth Néspoli, crítica de teatro do jornal O Estado de S. Paulo.

Elza Gomes

Sonho de um Homem Ridículo, com Celso Frateschi
Depois de tentar se matar, o personagem sonha que viaja para um mundo perfeito


Os próprios atores repudiam a idéia de que os monólogos serviriam apenas para não dividir a féria da bilheteria com outros companheiros de palco. "Se fosse para ganhar dinheiro, teria aceitado o convite de fazer a Viúva Porcina no palco", afirma Regina Duarte, que encena Coração Bazar, referindo-se à personagem que interpretou na novela Roque Santeiro, em 1985. Com ingressos a 20 reais, Coração Bazar atrai cerca de 250 espectadores por apresentação no Teatro Sérgio Cardoso. Até março do ano que vem, ela irá encená-la também nos 21 Centros Educacionais Unificados (CEUs) da prefeitura. Campeão de público no Rio de Janeiro, Pedro Paulo Rangel chegou ao palco do Teatro Renaissance em agosto com Soppa de Letra. O texto costura trechos de setenta canções de compositores como Ary Barroso, Chico Buarque e Cartola. O ingresso custa 60 reais. Deu para fazer dinheiro? "Se vivesse só da peça, não conseguiria pagar as contas", conta ele. "Investi os 100.000 reais da bilheteria do Rio para trazer o espetáculo a São Paulo. E ainda coloquei mais 50.000 reais do meu bolso", garante.

 
Guga Melgar
Luiz Doroneto

Friziléia, com Elizabeth Savalla
Dona-de-casa frustrada entretém a platéia ao relatar suas angústias

Prego na Testa, com Hugo Possolo
Em nove tipos hilários, o ator solta farpas sobre a crise política brasileira e a sociedade nos anos 2000

Uma boa notícia é que há opções para todos os gostos. Quem está atrás de comédia dá boas risadas, por exemplo, com Elizabeth Savalla em Friziléia, Uma Esposa à Beira de um Ataque de Nervos. Em quase duas horas, Elizabeth encarna uma dona-de-casa quarentona em crise com o marido. Piadas sobre a forma física, os deveres com o lar e com as crianças, além de outras situações cotidianas, levam a platéia às gargalhadas. A temporada de sucesso começou em março, com lotação praticamente esgotada em quase todas as sessões. "Renovamos até dezembro", comemora Camilo Áttila, autor do texto. Já os fãs de drama podem apostar no solo de Frateschi, um dos melhores em cartaz atualmente. Depois de três anos longe do teatro, o ator monta com brilho a adaptação de um conto de Dostoievski. "Faço com carinho, mas nem sempre é fácil para a platéia", afirma.

 

Guga Melgar
Bob Paulino

Soppa de Letra, com Pedro Paulo Rangel
Ganhador do Prêmio Shell de melhor ator no Rio, ele emociona e diverte com trechos de setenta canções

Coração Bazar, com Regina Duarte
Reunião de textos de Drummond e Fernando Pessoa, entre outros, traz a atriz em sete personagens

Um dos precursores dessa nova moda do "eu sozinho" em São Paulo foi Mademoiselle Chanel, com Marília Pêra. Há duas modelos em cena, mas elas entram mudas e saem caladas. A peça, que encerra a temporada neste domingo (11), foi vista por mais de 90.000 pessoas. Segundo o diretor teatral José Simões, coordenador do curso de licenciatura em teatro da Universidade de Sorocaba, a tendência é mundial. Em julho de 2006, ele embarca para a França, onde irá participar de um congresso sobre o assunto. "Se você pegar um guia cultural de Londres, Paris ou Nova York, vai ver que, lá como aqui, há vários espetáculos-solo em cartaz." É só escolher.

     
   
 
 
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