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14 de setembro de 2005
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PATRIMÔNIO

Este jardim está salvo

Fundação Padre Anchieta desiste
de polêmica obra no Jardim Europa

Marcella Centofanti


Mario Rodrigues
Quintal do Museu da Casa Brasileira: 320 árvores em 6 600 metros quadrados

A sede do Museu da Casa Brasileira (MCB) é uma ilha de sossego no Jardim Europa. Com 1.200 metros quadrados de área construída, o casarão dos anos 40 está entre os mais imponentes endereços da agitada Avenida Faria Lima. Em seus jardins de 6.600 metros quadrados e 320 árvores, há espécies como amoreira, canela, jabuticabeira, seringueira, cedro e jacarandá. Em dias ensolarados, babás levam crianças para brincar no gramado. Paulistanos que trabalham na vizinhança tomam café e descansam nos bancos de madeira na hora do almoço. Uma proposta polêmica, porém, pôs em risco grande parte disso. Nas duas últimas semanas, cogitou-se construir um auditório no jardim do museu. Pior: pensou-se também em erguer um edifício de escritórios, semelhante ao que foi feito na Casa das Rosas, na Avenida Paulista.

A iniciativa partiu do presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça. Houve reações de todos os lados, a começar por ativistas ambientais e conselheiros do museu mobilizados contra o projeto, que significaria a derrubada de grande parte das árvores lá plantadas. "A população não vai gostar de ver aquela área transformada em prédio", declarou João Batista Andrade, secretário estadual de Cultura. "Direito, a fundação tem. Mas não é bom para a cidade, pois agride os moradores, o museu e a cultura paulistana." Havia uma segunda e importante questão. O bairro é tombado pelo Condephaat, o que dificultaria qualquer construção ali. Diante dos protestos e do anúncio de que nem o Condephaat nem a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente aprovariam o projeto, Mendonça recuou.

Há, é verdade, fundamento em sua reivindicação. A propriedade que abriga o museu pertence à Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura e das rádios Cultura AM e FM. Ela foi doada em 1968 pela ex-moradora Renata Crespi, viúva do prefeito Fábio da Silva Prado. Em 1970, a fundação cedeu o imóvel em comodato para a Secretaria Estadual de Cultura, que o transformou no Museu do Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro, nome original do Museu da Casa Brasileira. O contrato firmado estabelecia que, em contrapartida, o governo do estado construiria no local um auditório para a fundação. Mas a cláusula jamais saiu do papel. Uma auditoria realizada recentemente pela fundação trouxe à luz a esquecida promessa. "Como gestor, devo defender os interesses da fundação", afirma Mendonça. "O governo tem uma obrigação a cumprir." Agora, ele busca uma compensação, como a construção de um auditório em outro terreno. Ou uma forma de indenização, segundo ele baseada no aluguel que deveria ter sido pago à fundação ao longo desses 35 anos. A discussão, ao que tudo indica, vai longe. Mas, com a desistência da ocupação dos jardins do MCB, os moradores da região respiram aliviados.

     
   
 
 
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