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PATRIMÔNIO
Este jardim está salvo
Fundação Padre Anchieta desiste
de polêmica obra no Jardim Europa
Marcella Centofanti
Mario Rodrigues
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| Quintal do Museu da Casa Brasileira: 320 árvores
em 6 600 metros quadrados |
A sede do Museu da Casa Brasileira
(MCB) é uma ilha de sossego no Jardim Europa. Com 1.200 metros
quadrados de área construída, o casarão dos
anos 40 está entre os mais imponentes endereços da
agitada Avenida Faria Lima. Em seus jardins de 6.600 metros quadrados
e 320 árvores, há espécies como amoreira, canela,
jabuticabeira, seringueira, cedro e jacarandá. Em dias ensolarados,
babás levam crianças para brincar no gramado. Paulistanos
que trabalham na vizinhança tomam café e descansam
nos bancos de madeira na hora do almoço. Uma proposta polêmica,
porém, pôs em risco grande parte disso. Nas duas últimas
semanas, cogitou-se construir um auditório no jardim do museu.
Pior: pensou-se também em erguer um edifício de escritórios,
semelhante ao que foi feito na Casa das Rosas, na Avenida Paulista.
A iniciativa partiu do presidente
da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça.
Houve reações de todos os lados, a começar
por ativistas ambientais e conselheiros do museu mobilizados contra
o projeto, que significaria a derrubada de grande parte das árvores
lá plantadas. "A população não vai gostar
de ver aquela área transformada em prédio", declarou
João Batista Andrade, secretário estadual de Cultura.
"Direito, a fundação tem. Mas não é
bom para a cidade, pois agride os moradores, o museu e a cultura
paulistana." Havia uma segunda e importante questão. O bairro
é tombado pelo Condephaat, o que dificultaria qualquer construção
ali. Diante dos protestos e do anúncio de que nem o Condephaat
nem a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente aprovariam
o projeto, Mendonça recuou.
Há, é verdade,
fundamento em sua reivindicação. A propriedade que
abriga o museu pertence à Fundação Padre Anchieta,
mantenedora da TV Cultura e das rádios Cultura AM e FM. Ela
foi doada em 1968 pela ex-moradora Renata Crespi, viúva do
prefeito Fábio da Silva Prado. Em 1970, a fundação
cedeu o imóvel em comodato para a Secretaria Estadual de
Cultura, que o transformou no Museu do Mobiliário Artístico
e Histórico Brasileiro, nome original do Museu da Casa Brasileira.
O contrato firmado estabelecia que, em contrapartida, o governo
do estado construiria no local um auditório para a fundação.
Mas a cláusula jamais saiu do papel. Uma auditoria realizada
recentemente pela fundação trouxe à luz a esquecida
promessa. "Como gestor, devo defender os interesses da fundação",
afirma Mendonça. "O governo tem uma obrigação
a cumprir." Agora, ele busca uma compensação, como
a construção de um auditório em outro terreno.
Ou uma forma de indenização, segundo ele baseada no
aluguel que deveria ter sido pago à fundação
ao longo desses 35 anos. A discussão, ao que tudo indica,
vai longe. Mas, com a desistência da ocupação
dos jardins do MCB, os moradores da região respiram aliviados.
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