Publicidade
 

 
 
 


14 de agosto de 2002
PERFIL
NOITE
SEGURANÇA
DECORAÇÃO
BEBIDA
AS BOAS COMPRAS
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

SEGURANÇA

Por conta própria

Para combater o crime, paulistanos
contratam vigilantes particulares e
fazem doações à PM

Lúcia Monteiro

 
Fotos Mario Rodrigues
rigues
Largo do Arouche: quinze "zeladores de rua" revezam-se dia e noite Base do Morumbi: moradores vão construir nova companhia para a polícia

Assustados com crimes grandes e pequenos que acontecem cada vez mais perto da porta de sua casa, lojas e escritórios, muitos paulistanos chegaram à conclusão de que não basta cobrar atitudes isoladas, seja do governo do Estado, seja da prefeitura. É preciso combinar esforços. "A solução do problema passa pelos olhos vivos da comunidade", afirma o especialista Tulio Kahn, do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e o Tratamento do Delinqüente (Ilanud). "O envolvimento de todos é mais importante que a aquisição de novas viaturas ou o aumento do efetivo." Em alguns pontos da capital, isso já vem acontecendo. É o caso da região do Largo do Arouche. Lá são vistos diariamente quinze homens de colete e boné vermelhos, munidos de celular e rádio, que se revezam dia e noite na vigilância.

Os chamados "zeladores de rua" têm a missão de intimidar criminosos e inibir delitos com sua presença. Proprietário de uma loja de sapatos, o comerciante Daniel Chabab conta que costuma vê-los tentando recuperar celulares roubados, muitas vezes com sucesso. "As pessoas acham que toda a região central é perigosa", afirma Chabab. "Com os vigilantes, meus clientes têm maior sensação de segurança." Além dos vigias, dois policiais comunitários estão designados, desde 2000, para cuidar exclusivamente do Largo do Arouche. Conhecem os comerciantes pelo nome e logo notam a aproximação de suspeitos. "A confiança da população pode fazer toda a diferença na guerra entre polícia e bandidos", afirma Marco Antonio Ramos de Almeida, diretor da Associação Viva o Centro.

 
Mario Rodrigues
Vila Olímpia: 1 030 vigias privados atuam com carros, motos e a pé

Inspirado em experiências bem-sucedidas no Canadá, nos Estados Unidos e no Japão, o policiamento comunitário atua preventivamente e em parceria com a população. Além de informar os policiais, moradores e comerciantes contribuem para a construção de guaritas e aquisição de viaturas. O modelo funciona em cerca de 150 pontos da cidade, um terço deles com bases fixas, como a do Morumbi. As associações de moradores do bairro, no entanto, querem mais. Numa reunião realizada na quarta-feira passada, comprometeram-se a desembolsar 120.000 reais para erguer, num terreno próximo à Avenida Giovanni Gronchi, a sede da 6ª Companhia do 16º Batalhão da PM, que hoje está no Campo Limpo. "Assim não ficaremos mais desprotegidos no horário da troca de turno", diz Roberto Bitancourt, presidente da Associação Amigos do Panamby.

Na Vila Olímpia, 1.030 vigias trabalham na área delimitada pelas avenidas Faria Lima, Bandeirantes, Juscelino Kubitschek e Nações Unidas, mais a Rua Ribeirão Claro. Segundo o Movimento Colméia, associação que pretende revitalizar o bairro, os crimes continuam ocorrendo. "Nos fins de semana, os bandidos rendem os vigias e entram nos escritórios", afirma o presidente da Colméia, Adalberto Bueno Netto. O objetivo da entidade, porém, é ambicioso: zerar o número de delitos no prazo de quatro anos. Para melhorar a comunicação, prédios da região estão sendo interligados por fibra ótica. Nos moldes do que já foi feito nas ruas Piauí, Rio de Janeiro e Pernambuco, em Higienópolis, a Colméia deve instalar câmeras nos quarteirões e criar uma central de monitoramento, com ligação direta com a polícia. A idéia é que os seguranças trabalhem junto com a PM e, desse modo, sejam dobrados os esforços para inibir a criminalidade.

         
     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados