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SEGURANÇA
Por
conta própria
Para
combater o crime, paulistanos
contratam vigilantes particulares e
fazem doações à PM
Lúcia
Monteiro
Fotos Mario Rodrigues
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rigues
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| Largo
do Arouche: quinze "zeladores de rua" revezam-se dia e noite
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Base
do Morumbi: moradores vão construir nova companhia para
a polícia |
Assustados
com crimes grandes e pequenos que acontecem cada vez mais perto
da porta de sua casa, lojas e escritórios, muitos paulistanos
chegaram à conclusão de que não basta cobrar
atitudes isoladas, seja do governo do Estado, seja da prefeitura.
É preciso combinar esforços. "A solução
do problema passa pelos olhos vivos da comunidade", afirma o especialista
Tulio Kahn, do Instituto Latino-Americano das Nações
Unidas para a Prevenção do Delito e o Tratamento do
Delinqüente (Ilanud). "O envolvimento de todos é mais
importante que a aquisição de novas viaturas ou o
aumento do efetivo." Em alguns pontos da capital, isso já
vem acontecendo. É o caso da região do Largo do Arouche.
Lá são vistos diariamente quinze homens de colete
e boné vermelhos, munidos de celular e rádio, que
se revezam dia e noite na vigilância.
Os
chamados "zeladores de rua" têm a missão de intimidar
criminosos e inibir delitos com sua presença. Proprietário
de uma loja de sapatos, o comerciante Daniel Chabab conta que costuma
vê-los tentando recuperar celulares roubados, muitas vezes
com sucesso. "As pessoas acham que toda a região central
é perigosa", afirma Chabab. "Com os vigilantes, meus clientes
têm maior sensação de segurança." Além
dos vigias, dois policiais comunitários estão designados,
desde 2000, para cuidar exclusivamente do Largo do Arouche. Conhecem
os comerciantes pelo nome e logo notam a aproximação
de suspeitos. "A confiança da população pode
fazer toda a diferença na guerra entre polícia e bandidos",
afirma Marco Antonio Ramos de Almeida, diretor da Associação
Viva o Centro.
Mario Rodrigues
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| Vila
Olímpia: 1 030 vigias privados atuam com carros, motos e a pé
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Inspirado
em experiências bem-sucedidas no Canadá, nos Estados
Unidos e no Japão, o policiamento comunitário atua
preventivamente e em parceria com a população. Além
de informar os policiais, moradores e comerciantes contribuem para
a construção de guaritas e aquisição
de viaturas. O modelo funciona em cerca de 150 pontos da cidade,
um terço deles com bases fixas, como a do Morumbi. As associações
de moradores do bairro, no entanto, querem mais. Numa reunião
realizada na quarta-feira passada, comprometeram-se a desembolsar
120.000 reais para erguer, num terreno
próximo à Avenida Giovanni Gronchi, a sede da 6ª
Companhia do 16º Batalhão da PM, que hoje está
no Campo Limpo. "Assim não ficaremos mais desprotegidos no
horário da troca de turno", diz Roberto Bitancourt, presidente
da Associação Amigos do Panamby.
Na
Vila Olímpia, 1.030 vigias trabalham
na área delimitada pelas avenidas Faria Lima, Bandeirantes,
Juscelino Kubitschek e Nações Unidas, mais a Rua Ribeirão
Claro. Segundo o Movimento Colméia, associação
que pretende revitalizar o bairro, os crimes continuam ocorrendo.
"Nos fins de semana, os bandidos rendem os vigias e entram nos escritórios",
afirma o presidente da Colméia, Adalberto Bueno Netto. O
objetivo da entidade, porém, é ambicioso: zerar o
número de delitos no prazo de quatro anos. Para melhorar
a comunicação, prédios da região estão
sendo interligados por fibra ótica. Nos moldes do que já
foi feito nas ruas Piauí, Rio de Janeiro e Pernambuco, em
Higienópolis, a Colméia deve instalar câmeras
nos quarteirões e criar uma central de monitoramento, com
ligação direta com a polícia. A idéia
é que os seguranças trabalhem junto com a PM e, desse
modo, sejam dobrados os esforços para inibir a criminalidade.
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