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PERFIL
Mario Rodrigues
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| Kaká,
rindo à toa: sucesso com a torcida, talento reconhecido e 80
000 reais por mês de salário |
Aos
20 anos, o craque Kaká enlouquece
as meninas com sua carinha de anjo, seu
sorriso maroto e um brilhante futebol
Valéria
França
Parecia
quase impossível, mas há agora algo em comum entre
são-paulinas, corintianas e palmeirenses. Aos 20 anos, Ricardo
Izecson dos Santos Leite, o Kaká, virou ídolo de todas
as torcidas. Bem, pelo menos da ala feminina. Sua carinha de anjo
e seu sorriso maroto conquistaram principalmente as adolescentes.
"Qualquer menina sonha encontrar um príncipe encantado, um
namorado que tenha um pouco de Kaká", afirma a atriz Sthefany
Brito, de 15 anos, a Samira de O Clone. O caçula da
seleção brasileira pentacampeã mundial provoca
tumulto, choradeira e histeria aonde quer que vá. No mês
passado, viajou com os pais para a Riviera de São Lourenço,
no litoral norte, e precisou da ajuda de seguranças para
conseguir comer uma pizza com os amigos. Depois de dar dezenas de
autógrafos, jantou cercado por um cordão de homens
fortes, que impediam a aproximação dos curiosos. Na
saída, foi seguido de carro até o condomínio
onde estava hospedado. Algumas meninas ficaram horas de prontidão
esperando que ele aparecesse. "Não pude sequer ir à
praia", conta Kaká. Se é pego desprevenido, elas atacam:
agarram, beliscam, puxam o cabelo... "Uma vez arrancaram minha corrente
de ouro do pescoço", diz ele.
Na
Copa do Mundo, Kaká saiu do banco de reservas por apenas
vinte minutos, durante o jogo contra a Costa Rica. Não fez
muito, mas seu prestígio foi às alturas. Enquanto
estava do outro lado do mundo, cerca de 1.500
cartas e cinqüenta ursinhos de pelúcia foram enviados
por suas fãs ao Centro de Treinamento do São Paulo.
Hoje, quando sai às ruas, tenta disfarçar-se usando
óculos de grau. Ele tem 2 graus de miopia. Antes da fama,
a vaidade falava mais alto e o xodó das menininhas só
andava com lentes de contato. Outra medida de precaução
foi instalar insulfilm nos vidros do carro. Mesmo assim, quando
pára nos faróis com seu Golf prata, sempre encontra
um ambulante que o reconhece e pede autógrafo. Dias atrás,
na confeitaria Cristallo da Rua Oscar Freire, foi abordado por cinco
pessoas. Entre elas estava o empresário Sérgio Kalil,
sócio dos restaurantes Ritz e Spot, que lhe deu dois guardanapos
de papel para assinar. Seria um presente para seus sobrinhos são-paulinos.
"Ele tem cara de gente boa. É o máximo!", empolgou-se
Kalil.
Fotos Mario Rodrigues
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ues
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Um
dia na vida do ídolo: relaxamento na piscina depois de uma manhã
de treino, muitos autógrafos para as fãs e um docinho no final
da tarde |
A agenda
do jogador vive lotada. Em julho, fechou contrato como garoto-propaganda
do guaraná Antarctica. Entre uma partida e outra, é
cada vez mais requisitado para apresentar shows, participar de desfiles
e comparecer a festas beneficentes. "Ele não tem tempo mais
para me visitar, mas continua o grande companheiro de sempre", diz
a amiga Marta D'Ambrosio, de 19 anos, que estudou a seu lado no
ensino médio do Colégio Objetivo. No clube, o assédio
crescente começa a provocar uma certa preocupação.
"Isso pode acabar atrapalhando seu desempenho", acredita o técnico
Oswaldo de Oliveira. "É um exagero."
Kaká
é mesmo o craque da hora. Tem habilidade, reconhecimento
dos torcedores e carisma. Seu perfil é bem diferente do da
maioria dos jogadores de futebol. Ao contrário de grande
parte de seus colegas, ele não tem origem humilde. Fi maioria dos jogadores de futebol. Ao contrário de grande
parte de seus colegas, ele não tem origem humilde. Filho
de família de classe média, concluiu o 2º grau
e pretende cursar uma faculdade. Hesita entre a de educação
física e a de administração. O pai, Bosco Izecson
Pereira Leite, é engenheiro e a mãe, Simone, professora.
Seu irmão caçula, Rodrigo, de 16 anos, sonha seguir
a mesma carreira de jogador. Kaká nasceu em Brasília
e veio para São Paulo com os pais quando tinha 7 anos. Foram
morar no bairro de Perdizes. "Na primeira semana de aula no Colégio
Batista Brasileiro, o professor de educação física
me chamou e disse que eu deveria colocar o Kaká em uma escolinha
de futebol", lembra sua mãe, que seguiu de imediato o conselho.
Quando se mudaram para o apartamento de três dormitórios
no Morumbi em que vivem até hoje, compraram um título
para freqüentar o São Paulo Futebol Clube. Foi lá
que o pequeno Kaká começou jogando, como sócio,
na categoria fraldinha.
Fotos Mario Rodrigues
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ues
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| A
pulseira inseparável: só tira para jogar |
Sob
encomenda: "Deus é fiel" na chuteira |
"As
coisas estão acontecendo rápido demais na vida de
meu filho", diz Simone. Em pouco mais de um ano como profissional,
recebeu quatro aumentos. Seu salário pulou de uma ajuda de
custo de 700 reais para 80.000 reais
(que entrega para seu pai administrar). Tem contrato com o clube
até 2005 e seu passe está avaliado em 20 milhões
de reais. Com toda essa dinheirama, ele evita extravagâncias.
Mas usa roupas de grifes como M. Officer e Giorgio Armani. No armário,
guarda mais de vinte pares de tênis. Em seu cada vez mais
raro tempo livre, gosta de andar de kart e jogar videogame. Costuma
jantar com o irmão no restaurante Ecco, no Itaim, e encontrar
os amigos no bar Montecristo, na Vila Olímpia. No meio dos
jogadores, ganhou fama de pão-duro. "Ele não trouxe
nem uma lembrancinha para mim do Japão", reclama o meia Júlio
Baptista, seu melhor amigo no São Paulo. "Não comprei
presente para ninguém porque eu não queria ser barrado
na alfândega", desculpa-se Kaká.
Às
terças e quintas à noite se não está
concentrado , vai ao culto da Igreja Renascer em Cristo, no
Cambuci, uma espécie de versão para a classe média
da Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Evangélico
desde criança, Kaká é um devoto fervoroso,
que procura seguir à risca as regras de sua religião.
Dá 10% do salário para a igreja, usa uma pulseira
com a inscrição "Jesus" e pediu à Adidas que
produzisse uma chuteira sob encomenda, com a mensagem "Deus é
fiel" gravada. "Recebi muitas bênçãos na minha
vida", afirma. A mais importante, segundo ele, foi ter escapado
ileso de um acidente em que correu o risco de ficar paraplégico,
há dois anos. Kaká passava as férias em Goiânia,
na casa da avó, quando resolveu escorregar de cabeça
no toboágua de um parque. Bateu a coluna cervical no fundo
da piscina. Ficou dois meses em tratamento, sem poder jogar. Na
época, era reserva dos juniores do São Paulo. Ao recuperar-se,
foi promovido a reserva do time profissional. "O clube já
estava de olho no menino", diz o fisiologista Turíbio Leite
de Barros.
Renato Pizzuto
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Ricardo Correa
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| Em
campo: comemorando um gol pelo São Paulo e no jogo contra a
Costa Rica, na Copa do Mundo |
Apesar
de atrair olhares ávidos das jovens, Kaká admite que
pretende deixar o sexo para depois do casamento. Ainda assim, mostra
uma pontinha de dúvida sobre se irá conseguir resistir
à tentação. "Quero entender melhor por que
os jovens devem, de acordo com a igreja, esperar tanto para ter
a primeira relação sexual", afirma. Namorou por quatro
meses a modelo catarinense Elizabeth Perfoll. Romperam às
vésperas da Copa do Mundo. "Ele é incrível,
do tipo que quer casar e ter família", diz Elizabeth. Solteiríssimo,
ele não faz segredo de que adoraria conhecer a apresentadora
Fernanda Lima. Seu interesse não é correspondido.
"Não quero nem ouvir falar nisso", desconversa Fernanda,
irritada com os recados que, volta e meia, ele lhe manda pela imprensa.
Kaká
submete-se a um pesado trabalho de preparação física
para compensar um atraso em seu desenvolvimento ósseo. Aos
15 anos, pesava 50 quilos e tinha 1,63 metro. Os médicos
do clube constataram que, como atleta, precisaria ganhar peso e
altura. Passou então por uma dieta rica em carboidratos e
creatina, um aminoácido que fornece energia quase instantânea
aos músculos. O tratamento foi facilitado porque ele adora
doces, principalmente a musse de sorvete de chocolate e a torta
de limão feitas pela mãe, e um bom churrasco. Hoje,
está com 76 quilos e 1,85 metro. Quando pára de treinar,
no entanto, perde 1 quilo de massa muscular em uma semana. "Aprendi
a lidar com minhas deficiências", explica. Em campo, procura
evitar o choque físico com os adversários. "Como é
mais fácil de ser desequilibrado no corpo-a-corpo, ele se
desloca muito mais que os outros jogadores", relata Wellington Valquer,
analista de desempenho do São Paulo. A boa notícia
é que Kaká não chegou ao auge de sua forma
física. Com o treinamento, pode ganhar mais 5 quilos de massa
muscular. O que, com certeza, vai render mais gritinhos e suspiros
da torcida feminina.
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Fera
desde garoto
Fotos Álbum de família
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O
artilheiro ainda loirinho
(à dir.), com o primo Eduardo Delani, hoje jogador
do Cruzeiro |
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Aos
11 anos, em excursão ao Japão com o time de fraldinhas
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Sorridente,
ao lado do amigo Juan, nos tempos de infantil do São Paulo
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De
férias no Balneário Camboriú (à esq.), com um
amigo e o irmão
Rodrigo (à dir.)
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