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POLÍCIA
Gangues de moto
Marginais sobre duas rodas
assaltam vinte paulistanos por
dia só nos bairros da Zona Sul
Marcos Buarque de Gusmão
Fotos Heudes Régis
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| Agente em blitz na Avenida Engenheiro Luís
Carlos Berrini: tipo de crime teria se intensificado por causa
dos congestionamentos |
Jovens marginais da periferia, a maioria entre
18 e 25 anos, motocicletas de segunda mão e armas de fogo.
Há duas semanas, na madrugada do dia 26 de junho, um bando
formado por dezoito motoqueiros deu uma demonstração
do que essa perigosa combinação é capaz. A
quadrilha, que transportava comparsas na garupa, fez um arrastão
durante quatro horas e assaltou ao menos trinta pessoas entre as
zonas Sul e Oeste, chamando finalmente a atenção da
polícia para um problema que se tornou comum na cidade: as
gangues de moto. Elas atuam protegidas por capacetes e conseguem
escapar ao subir em calçadas e trafegar em alta velocidade
nos congestionamentos. Embora não saiba quantos grupos agem
dessa forma na capital, a Secretaria de Segurança Pública
identificou as regiões que são seus alvos preferidos
as imediações do Aeroporto de Congonhas e bairros
como Moema, Brooklin, Campo Belo, entre outros da Zona Sul, além
de Jardins, Itaim Bibi, Pinheiros, Vila Madalena e Lapa.
Um levantamento da Seccional Sul em doze delegacias
revelou que cerca de vinte assaltos praticados por motoqueiros ocorreram
por dia no primeiro trimestre do ano. "A moto virou a segunda arma
da bandidagem porque é ótima para a fuga", afirma
o vereador Jooji Hato, autor de um projeto de lei, vetado pela prefeita
Marta Suplicy, para proibir o trânsito de duas pessoas em
motocicleta. "A proibição da garupa seria fundamental
para acabar com esse tipo de crime em São Paulo", acredita
Ricardo Chilelli, da RCI First Consultoria de Segurança.
Não deixar expostos sobre os bancos bolsas, pastas e objetos
de valor, como celular ou computador portátil, é uma
das dicas de segurança recomendadas por especialistas para
quem não quer se tornar uma presa fácil (veja
quadro).
A ousadia e a agressividade dos marginais
impressionam a polícia e principalmente as vítimas,
como a estilista Suzana Acordi Carvalhaes, de 24 anos, assaltada
no arrastão quando andava com um grupo de amigos na Rua Heitor
Penteado, na Pompéia. "Dezoito motoqueiros me cercaram, levaram
minha bolsa e depois saíram jogando minhas coisas pela rua",
conta. A Polícia Militar conseguiu chegar a tempo de perseguir
os delinqüentes. Cinco foram presos em flagrante na Avenida
Brigadeiro Faria Lima. "Eram arruaceiros", diz Marcel Luiz de Campos,
delegado assistente do 14º Distrito Policial de Pinheiros.
Hoje, cerca de 20% dos crimes registrados ali se referem a essa
modalidade de assalto.
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| A estilista Suzana Carvalhaes, uma das vítimas
do arrastão que aconteceu há duas semanas na Rua Heitor Penteado:
"Eles me cercaram e fui obrigada a entregar a bolsa" |
O economista Marcos Telles, seguido por assaltantes
desde o Aeroporto de Congonhas: assim que o táxi parou em frente
a sua residência, levaram o laptop e fugiram pela calçada |
O episódio, no entanto, está
sendo tratado como um caso isolado pela Secretaria de Segurança,
pois normalmente a abordagem é feita apenas por uma dupla,
com o garupa tendo o papel de render a vítima e pegar seus
pertences. Foi dessa forma que o economista Marcos Telles sofreu
um assalto. Ele entrou num táxi em Congonhas e seguiu para
Moema. "Assim que o táxi parou em frente a minha residência,
abriram a porta e levaram o laptop", descreve Telles. "Depois fugiram
pela calçada." Claudionor Firmino da Silva, coordenador de
tráfego do ponto do aeroporto, onde trabalham 340 taxistas,
calcula que mais da metade da frota foi assaltada por motoqueiros
neste ano. "Os motoristas daqui de Congonhas estão com medo",
afirma. Apesar de a região se encontrar na mira desses bandoleiros,
as ocorrências não estão sendo registradas na
delegacia de Congonhas. "Os passageiros prestam queixa em outros
distritos porque os crimes acontecem longe daqui, em grandes avenidas
como a Bandeirantes, a Indianópolis e a 23 de Maio", diz
Renato Ferreira, delegado do aeroporto. Para o secretário
de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho,
não se trata de uma epidemia, mas sim de um modismo. "Os
casos não têm ligação entre si", afirma.
Nas últimas semanas, a Polícia Militar tem promovido
blitze-surpresa, com motos, na tentativa de flagrar a bandidagem
sobre duas rodas. "Esse tipo de assalto só se proliferou
por causa do trânsito ruim, já que as viaturas da PM
têm mais dificuldade de circular", entende o secretário,
tentando empurrar a espinhosa bola da segurança pública
para a prefeitura.
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Proteja-se
Veja a seguir dez dicas de segurança
recomendadas por especialistas em proteção particular
e combate ao crime
1. Observe,
antes de entrar no carro ou no táxi, se há alguém
de olho em você. Vale a pena retardar a saída,
até o suspeito ir embora, ou chamar a polícia
2. No
trânsito, ao perceber que está sendo seguido,
recomenda-se entrar no estacionamento de um supermercado,
shopping center ou outro local de bastante movimento
3. Use
insulfilme, a película escurecedora dos vidros, para
dificultar que o ladrão observe quem está no
automóvel
4. Ande
sempre com as janelas fechadas e as portas travadas nos congestionamentos,
mantendo-se atento às motos pelos retrovisores, pois
o criminoso pode desistir da ação ao perceber
que não existe mais o fator surpresa
5. Evite
deixar objetos de valor, como celular ou computador portátil,
expostos sobre os bancos ou o painel. Guarde pasta, bolsa,
laptop e até o paletó no porta-malas
6. Leve
no carro a "carteira ou bolsa do ladrão", contendo
cópias de documentos, alguma quantia em dinheiro e
cartões de crédito vencidos
7. Não
ostente jóias ou relógios caros enquanto estiver
dirigindo. Ao parar no semáforo, tente bloquear a passagem
da moto pela esquerda, pois a maioria dos assaltos ocorre
do lado do motorista
8. Pague
o táxi com dinheiro em vez de ficar preenchendo um
cheque na rua. Se não houver essa possibilidade, peça
para o taxista entrar na garagem do prédio
9. Quando
puder, procure não circular em horários de pico
para escapar do trânsito intenso, que facilita a ação
dos marginais
10. Ao
ser rendido pelo bandido, não reaja. Deve-se seguir
as orientações do assaltante, sem ser lento
ou rápido demais, avisando sobre todo movimento que
for fazer, e nunca encarar o marginal ou tentar negociar com
ele
Fonte: RCI First Consultoria
de Segurança
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