Publicidade
 

 
 


14 de julho de 2004
ESPECIAL
CIDADE
SERVIÇO
POLÍCIA
TEATRO
BARES
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

POLÍCIA

Gangues de moto

Marginais sobre duas rodas
assaltam vinte paulistanos por
dia só nos bairros da Zona Sul

Marcos Buarque de Gusmão

 
Fotos Heudes Régis
Agente em blitz na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini: tipo de crime teria se intensificado por causa dos congestionamentos

Jovens marginais da periferia, a maioria entre 18 e 25 anos, motocicletas de segunda mão e armas de fogo. Há duas semanas, na madrugada do dia 26 de junho, um bando formado por dezoito motoqueiros deu uma demonstração do que essa perigosa combinação é capaz. A quadrilha, que transportava comparsas na garupa, fez um arrastão durante quatro horas e assaltou ao menos trinta pessoas entre as zonas Sul e Oeste, chamando finalmente a atenção da polícia para um problema que se tornou comum na cidade: as gangues de moto. Elas atuam protegidas por capacetes e conseguem escapar ao subir em calçadas e trafegar em alta velocidade nos congestionamentos. Embora não saiba quantos grupos agem dessa forma na capital, a Secretaria de Segurança Pública identificou as regiões que são seus alvos preferidos – as imediações do Aeroporto de Congonhas e bairros como Moema, Brooklin, Campo Belo, entre outros da Zona Sul, além de Jardins, Itaim Bibi, Pinheiros, Vila Madalena e Lapa.

Um levantamento da Seccional Sul em doze delegacias revelou que cerca de vinte assaltos praticados por motoqueiros ocorreram por dia no primeiro trimestre do ano. "A moto virou a segunda arma da bandidagem porque é ótima para a fuga", afirma o vereador Jooji Hato, autor de um projeto de lei, vetado pela prefeita Marta Suplicy, para proibir o trânsito de duas pessoas em motocicleta. "A proibição da garupa seria fundamental para acabar com esse tipo de crime em São Paulo", acredita Ricardo Chilelli, da RCI First Consultoria de Segurança. Não deixar expostos sobre os bancos bolsas, pastas e objetos de valor, como celular ou computador portátil, é uma das dicas de segurança recomendadas por especialistas para quem não quer se tornar uma presa fácil (veja quadro).

A ousadia e a agressividade dos marginais impressionam a polícia e principalmente as vítimas, como a estilista Suzana Acordi Carvalhaes, de 24 anos, assaltada no arrastão quando andava com um grupo de amigos na Rua Heitor Penteado, na Pompéia. "Dezoito motoqueiros me cercaram, levaram minha bolsa e depois saíram jogando minhas coisas pela rua", conta. A Polícia Militar conseguiu chegar a tempo de perseguir os delinqüentes. Cinco foram presos em flagrante na Avenida Brigadeiro Faria Lima. "Eram arruaceiros", diz Marcel Luiz de Campos, delegado assistente do 14º Distrito Policial de Pinheiros. Hoje, cerca de 20% dos crimes registrados ali se referem a essa modalidade de assalto.

 
A estilista Suzana Carvalhaes, uma das vítimas do arrastão que aconteceu há duas semanas na Rua Heitor Penteado: "Eles me cercaram e fui obrigada a entregar a bolsa" O economista Marcos Telles, seguido por assaltantes desde o Aeroporto de Congonhas: assim que o táxi parou em frente a sua residência, levaram o laptop e fugiram pela calçada

O episódio, no entanto, está sendo tratado como um caso isolado pela Secretaria de Segurança, pois normalmente a abordagem é feita apenas por uma dupla, com o garupa tendo o papel de render a vítima e pegar seus pertences. Foi dessa forma que o economista Marcos Telles sofreu um assalto. Ele entrou num táxi em Congonhas e seguiu para Moema. "Assim que o táxi parou em frente a minha residência, abriram a porta e levaram o laptop", descreve Telles. "Depois fugiram pela calçada." Claudionor Firmino da Silva, coordenador de tráfego do ponto do aeroporto, onde trabalham 340 taxistas, calcula que mais da metade da frota foi assaltada por motoqueiros neste ano. "Os motoristas daqui de Congonhas estão com medo", afirma. Apesar de a região se encontrar na mira desses bandoleiros, as ocorrências não estão sendo registradas na delegacia de Congonhas. "Os passageiros prestam queixa em outros distritos porque os crimes acontecem longe daqui, em grandes avenidas como a Bandeirantes, a Indianópolis e a 23 de Maio", diz Renato Ferreira, delegado do aeroporto. Para o secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, não se trata de uma epidemia, mas sim de um modismo. "Os casos não têm ligação entre si", afirma. Nas últimas semanas, a Polícia Militar tem promovido blitze-surpresa, com motos, na tentativa de flagrar a bandidagem sobre duas rodas. "Esse tipo de assalto só se proliferou por causa do trânsito ruim, já que as viaturas da PM têm mais dificuldade de circular", entende o secretário, tentando empurrar a espinhosa bola da segurança pública para a prefeitura.

 

Proteja-se

Veja a seguir dez dicas de segurança recomendadas por especialistas em proteção particular e combate ao crime

1. Observe, antes de entrar no carro ou no táxi, se há alguém de olho em você. Vale a pena retardar a saída, até o suspeito ir embora, ou chamar a polícia

2. No trânsito, ao perceber que está sendo seguido, recomenda-se entrar no estacionamento de um supermercado, shopping center ou outro local de bastante movimento

3. Use insulfilme, a película escurecedora dos vidros, para dificultar que o ladrão observe quem está no automóvel

4. Ande sempre com as janelas fechadas e as portas travadas nos congestionamentos, mantendo-se atento às motos pelos retrovisores, pois o criminoso pode desistir da ação ao perceber que não existe mais o fator surpresa

5. Evite deixar objetos de valor, como celular ou computador portátil, expostos sobre os bancos ou o painel. Guarde pasta, bolsa, laptop e até o paletó no porta-malas

6. Leve no carro a "carteira ou bolsa do ladrão", contendo cópias de documentos, alguma quantia em dinheiro e cartões de crédito vencidos

7. Não ostente jóias ou relógios caros enquanto estiver dirigindo. Ao parar no semáforo, tente bloquear a passagem da moto pela esquerda, pois a maioria dos assaltos ocorre do lado do motorista

8. Pague o táxi com dinheiro em vez de ficar preenchendo um cheque na rua. Se não houver essa possibilidade, peça para o taxista entrar na garagem do prédio

9. Quando puder, procure não circular em horários de pico para escapar do trânsito intenso, que facilita a ação dos marginais

10. Ao ser rendido pelo bandido, não reaja. Deve-se seguir as orientações do assaltante, sem ser lento ou rápido demais, avisando sobre todo movimento que for fazer, e nunca encarar o marginal ou tentar negociar com ele

Fonte: RCI First Consultoria de Segurança

 

         
     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados