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14 de julho de 2004
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Prefeitura passa o ponto

Vendem-se nove terrenos por
74,5 milhões de reais. Tratar
com a prefeita Marta Suplicy

Marcos Buarque de Gusmão

 
Fotos Mario Rodrigues
Subprefeitura de Pinheiros: o imóvel mais cobiçado
PINHEIROS
R$ 49,5 milhões
Área: 34 000 m2
Rua Professor Frederico Herman Júnior, 7123


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Os imóveis que estão à venda

É de conhecimento público que a administração municipal encontra dificuldade para fechar as contas com sua dívida de 26,1 bilhões de reais. Mas a prefeita Marta Suplicy arranjou uma maneira de levantar um dinheirinho extra, que representa uma parcela ínfima desse déficit (menos de 0,3%): transformar a prefeitura numa espécie de miniimobiliária. Com maioria na Câmara Municipal, o Executivo recebeu, no tempo recorde de duas semanas, a autorização necessária para fazer caixa por meio da venda de nove imóveis do município à iniciativa privada. A idéia original era se desfazer de onze deles de uma só tacada, embolsando em torno de 80 milhões de reais. Mas emendas da oposição excluíram duas áreas, o que reduziu em ao menos 6,7 milhões de reais o potencial de entrada de recursos. Os terrenos liberados para alienação foram avaliados pelo Departamento Patrimonial da Procuradoria-Geral do Município em 74,5 milhões de reais e devem ser vendidos por licitação dentro de dois a três meses.

 
Sede do Conselho Tutelar: uma das menores propriedades que foram colocadas à venda
PINHEIROS
R$ 201 500,00
Área: 154 m2
Rua Henrique Schaumann, 285

"Não há nada de errado em alienar patrimônio", afirma o especialista em finanças públicas Adriano Biava, professor da Universidade de São Paulo. "Só que seria mais interessante controlar gastos, renegociar a dívida e usar esses espaços para construir praças, escolas ou hospitais." O secretário municipal dos Negócios Jurídicos, Luiz Tarcisio Teixeira, rebate. "São terrenos que não têm interesse público, e o dinheiro da venda é um reforço orçamentário muito bem-vindo", diz. Há espaços pequenos com menos de 200 metros quadrados. Mas há também áreas de grande interesse no mercado. O filé mignon da operação é o endereço onde funciona a Subprefeitura de Pinheiros. "Dá para construir ali um conjunto residencial ou até um empreendimento comercial", avalia o construtor Ricardo Yazbek, vice-presidente do Secovi de São Paulo. O imóvel será vendido em duas partes. A maior e mais cara, com 34.000 metros quadrados (ou quatro campos de futebol), está situada entre a Avenida das Nações Unidas e as ruas Sumidouro e Professor Frederico Herman Júnior. Vale, no mínimo, 49,5 milhões de reais. O outro lote, vizinho à Cetesb, tem 7.600 metros quadrados e foi avaliado em 5,5 milhões de reais. "Esse está muito barato, abaixo do preço de mercado", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

 

Terreno pertencente à Subprefeitura da Sé: vizinhança já mostrou interesse na área

CONSOLAÇÃO
R$ 374200,00
Área: 187 m2
Rua Vinicus de Moraes, s/nº

Outros sete terrenos poderão ser colocados à venda em breve, representando 22,5 milhões de reais de recursos extras. "Esse valor não refresca, nem é para pagar dívida", diz a prefeita Marta Suplicy. "Se eu preciso construir um CEU onde não tem terreno, é necessário desapropriar áreas, e os recursos não podiam continuar mobilizados em imóveis sem uso para a prefeitura."

 
Esquina da Rua Ribeiro de Lima: lote do tamanho de um campo de futebol
BOM RETIRO
R$ 5,7 milhões
Área: 7 501 m2
Rua Afonso Pena, 130

 

         
     
 
 
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