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TEATRO
Tudo
em paulistanês
Cinco
peças colocam no palco personagens,
situações
e o linguajar típico de São Paulo
Lúcia
Monteiro
Rogerio Albuquerque
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| Carro
de Paulista: viagem dos "manos" da Zona Leste até os Jardins
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O cenário
pode ser o Rio Tietê, um muro grafitado ou a mesa de um botequim.
A trilha sonora compõe-se de buzinas, freadas e motores de
ônibus. E os protagonistas são figuras pouco comuns
nos palcos, mas corriqueiras nas ruas da cidade: office-boys, pedintes,
vendedores ambulantes, taxistas, grafiteiros, assaltantes... Esses
elementos todos estão reunidos em cinco peças paulistanérrimas
em cartaz. Com exceção de Acordei que Sonhava,
adaptação do texto do espanhol Calderón de
La Barca para o mundo do rap, elas foram escritas aqui. O cartunista
Laerte deu movimento a suas tirinhas em Piratas do Tietê
O Filme. No tablado do Teatro Popular do Sesi, os piratas
saqueiam frutas da Ceagesp e jogam suas botinas velhas no rio imundo.
Além disso, comercializam CDs, tênis e relógios
falsificados que vão parar nas mãos de vendedores
ambulantes.
A
calçada apinhada de camelôs aparece de novo em Mire
Veja. Um motorista de táxi que dirige pelo centro conduz
a narrativa, composta de vinte histórias independentes. Vai
encontrando gente como uma secretária que come churrasquinho
grego no centro e um office-boy em apuros. "É quase como
espiar por cinco minutos o que acontece com as pessoas que circulam
por aí", diz o diretor, Pedro Pires. Em Carro de Paulista,
os espectadores também embarcam como espiões em
um carro que leva quatro amigos numa viagem da Zona Leste aos Jardins.
No caminho, passam em frente ao Masp, na Avenida Paulista. Não
reconhecem o museu, "um prédio vermelho suspenso". Quando
se referem a lugares conhecidos da platéia, ouvem-se gargalhadas.
"Dá para saber quem é da ZL só pela risada
na cena em que os meninos falam da Praça Sílvio Romero",
diz o autor, Mário Viana, que assina também Um
Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagem, besteirol
escatológico que se passa na mesa de um bar. O linguajar
dos personagens, paulistanês legítimo, dá a
impressão de que são velhos conhecidos.
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CARRO
DE PAULISTA
Centro
Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1000, Paraíso,
3277-3611, Metrô Vergueiro. Sexta e sábado, 21h;
domingo, 20h. R$ 5,00 (sex.) e R$ 10,00 (sáb. e dom.).
Para
irem da Zona Leste aos Jardins, quatro amigos percorrem a
Radial Leste, a Marginal Tietê e a Avenida Paulista,
onde não reconhecem o Masp. O texto é cheio
de gírias, como "mano", "da hora" e "pela órdi",
que significa combinado.
UM
CHOPES, DOIS PASTEL E
UMA PORÇÃO DE BOBAGEM
Cabaré
N.Ex.T. Rua Rego Freitas, 454, Vila Buarque,
3106-9636, Metrô República. Terça, 22h30.
Couvert artístico: R$ 15,00. Cons. mínima: R$
10,00.
O
universo é o dos botequins da região da Paulista,
freqüentados por funcionários de escritórios
depois do expediente. Entre os tipos que se reúnem
para uma happy hour cheia de palavrões estão
a loira burra e o galã suburbano.
MIRE
VEJA
Teatro
de Arena Eugênio Kusnet. Rua Doutor Teodoro Baima,
94, Consolação,
3256-9463, Metrô República. Quinta a sábado,
21h; domingo, 20h. R$ 12,00.
Um
taxista perdido, o menino que vai a pé para casa e
um ônibus que chega do Nordeste conduzem os espectadores
num passeio por diversos bairros. No centro, vêem-se
camelôs e barracas de churrasquinho grego. A trilha
sonora traz ruídos de ônibus e buzinas.
PIRATAS
DO TIETÊ O FILME
Teatro
Popular do Sesi. Avenida Paulista, 1313,
3146-7406, Metrô Trianon-Masp. Sábado e domingo,
15h. Grátis. Ingressos distribuídos uma hora
antes.
A
história se passa num navio em pleno Tietê. Os
piratas saqueiam legumes da Ceagesp, fazem arrastões
em festas e passam por lugares como Penha e Cachoeirinha.
O texto satiriza políticos corruptos e projetos infrutíferos
de despoluição.
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