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14 de abril de 2004
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O mundo das letras

A 18ª Bienal Internacional do Livro
apresenta 2000 novos títulos, reúne
mais de 300 escritores e ainda oferece
boas promoções aos visitantes

Mônica Santos e Ricardo Moreno

Veja também
Programação

Salão de Idéias
Programação infantil
Café Paulicéia
Espaço Universitário
Autógrafos

Imagine 160 edifícios da altura do Itália feitos de livros. A comparação dá uma idéia da grandiosidade da 18ª Bienal Internacional do Livro, que começa na quinta (15) com números impressionantes. A feira nasceu timidamente em 1970, em barraquinhas espalhadas na Praça da República. Neste ano será realizada por onze dias consecutivos no Centro de Exposições Imigrantes, próximo à Avenida dos Bandeirantes. São 2.000 lançamentos (300 mais que na edição anterior) e 150.000 títulos à venda, num total de 1,3 milhão de exemplares. "A limitação de espaço físico nos impede de querer crescer mais", diz Armando Antongini, diretor executivo da Câmara Brasileira do Livro. "Esta Bienal prioriza a qualidade dos eventos e o conforto dos visitantes." O público esperado é de 600.000 pessoas.

Para percorrer toda a feira é preciso tempo e muita disposição – o percurso pelos 320 estandes (oito deles estrangeiros) tem 2,5 quilômetros. Sem contar as 330 sessões de autógrafos agendadas. Pode ser Ignácio de Loyola Brandão distribuindo assinaturas em um novo livro de crônicas, Tom Zé com seu Tropicalista Lenta Luta, o senador Cristovam Buarque no lançamento do romance Astrícia, ou Bradley Trevor Greive, aquele australiano que faz fortuna com livros que conjugam fotos de bichinhos e frases motivacionais. Os escritores também protagonizam duas outras atividades gratuitas. O Salão de Idéias incentiva a interatividade do público em assuntos que vão do terrorismo ao mundo de duendes e gnomos. O Café Paulicéia foca os 450 anos da cidade. Num espaço com mesinhas e cafeteria, personalidades como o cineasta Ugo Giorgetti, o bibliófilo José Mindlin e os irmãos cartunistas Paulo e Chico Caruso falam de sua relação com a metrópole.

A criançada recebe atenção especial em uma área lúdica de 240 metros quadrados. A porta de entrada reproduz um livro gigante. Lá dentro, na companhia de monitores, os pequenos conhecem a cultura de imigrantes que vivem no Brasil, além dos costumes dos indígenas e dos migrantes nordestinos, uma forte presença em São Paulo. Teatro, pocket shows e oficinas complementam a programação do espaço. Do lado de fora, as editoras infantis não poupam esforços para seduzir os leitores mirins. Ziraldo, o pai do Menino Maluquinho, comparece com novos lançamentos e Mauricio de Sousa dá o ar da graça acompanhado da Mônica, do Cebolinha e do resto da turma.

Como atrativo para todas as idades, a Bienal oferece bons descontos. Na promoção Livro do Dia, cada um dos 830 selos em exposição pode eleger até cinco títulos que serão vendidos com até 30% de desconto. Além disso, a cada compra o visitante recebe o cheque-livro – um cupom de desconto equivalente a 10% do valor da compra, para ser usado posteriormente em qualquer livraria do país. Localizado no quilômetro 1,5 da Rodovia dos Imigrantes, o pavilhão da Bienal conta com duas entradas: a da própria Imigrantes e outra na Avenida Miguel Stéfano. No local há estacionamento para 5 200 veículos. O acesso também é garantido por ônibus gratuitos que saem de cinco em cinco minutos, entre 8h30 e 21h30, da Estação Jabaquara do metrô. Tudo para facilitar o embarque do paulistano no mundo das letras.

 
Pode-se dizer que o nova-iorquino Nick McDonell, de 20 anos, é uma espécie de Eminem da literatura. Assim como o ídolo do rap, McDonell gosta de provocar. Ele chega ao Brasil para lançar seu primeiro romance, Doze, traduzido para dez idiomas. McDonell criou um retrato cruel da juventude americana, no qual a relação degradante com a família, as drogas e o dinheiro serve de combustível para a trama. No dia 19, às 20h30, ele fala sobre "Geração desencontrada", no Salão de Idéias. Depois disso, às 21h30, promove uma sessão de autógrafos no estande da Geração Editorial.

 

Representantes da nova geração de escritores do Brasil e de Portugal, Adriana Lisboa e Rui Zink participam do Salão de Idéias no sábado (17), às 17h, ao lado das portuguesas Margarida Rebelo Pinto e Filipa Melo e da brasileira Marilene Felinto. A discussão gira em torno da ficção produzida nos dois países. Autora do romance Um Beijo de Colombina e ganhadora do Prêmio José Saramago de Literatura em 2003, a carioca Adriana Lisboa faz sessão de autógrafos no espaço reservado à editora Rocco, às 18h30.

 

divulgação
Com uma idéia aparentemente simples, o australiano Bradley Trevor Greive fez fortuna. Ele é o responsável por aquela coleção que combina fotos de animais em graciosos momentos com frases de auto-estima. Com mais de 6 milhões de livros vendidos em 35 países – 1,5 milhão somente no Brasil –, Trevor Greive lança e autografa O Amanhã, oitavo título da série, dia 17, nos estandes das editoras Sextante, às 15h, e Siciliano, às 17h.

 

Romance de estréia do jornalista Mario Sabino, redator-chefe de VEJA, O Dia em que Matei Meu Pai traz uma narrativa provocante. Questão crucial na obra, o narcisismo é o assunto que ele debate com o psicanalista Joel Birman, no Salão de Idéias, dia 22, às 19h.

 

Mirian Monteiro/Strana
No dia 18, entre 16h e 19h, no estande da Melhoramentos, o cartunista Ziraldo e o poeta guatemalteco Humberto Ak'Abal autografam o livro infanto-juvenil Os Meninos Morenos. No dia seguinte, a partir das 18h, a dupla fala de suas obras no Salão de Idéias. Ziraldo volta à Bienal no dia 24 para lançar mais uma historinha sobre seu mais famoso personagem: O Livro de Informática do Menino Maluquinho.

 

O escritor irlandês Eoin Colfer chega à Bienal para falar do que mais entende: magia, gnomos e duendes. Ele é o autor da trilogia que tem como personagem principal o jovem Artemis Fowl, um mago mirim cuja diversão é trapacear seres fabulosos como fadas milionárias e elfos criminosos. Colfer participa do Salão de Idéias, dia 21, às 15h. Em seguida, no estande da Record, ele autografa o terceiro volume da série, Artemis Fowl – O Código Eterno, e também distribui um conto inédito, O Sétimo Anão. divulgação

 

Leo Feltran
Jornalista prolífico, o paulistano Marcelo Duarte divide a mesa de debate com os comentaristas esportivos Juca Kfouri e Paulo Vinícius Coelho mais a ex-jogadora de vôlei Ana Moser. O assunto não poderia ser outro: o mundo dos esportes. A partida acontece no Salão de Idéias, dia 22, às 15h.

 

Os livros de reflexões da gaúcha Lya Luft são os que mais vendem no Brasil. Pensar É Transgredir, sua 15ª obra, saiu da gráfica com 40 000 cópias impressas. Um número respeitável para os padrões brasileiros. Assunto recorrente em suas obras, a felicidade e as desventuras da vida servem de base para o Salão de Idéias de sábado (17), às 18h.

 

Adi Leite
Autor do romance Feliz Ano Velho, um marco na literatura da década de 80, o escritor, dramaturgo e jornalista paulistano Marcelo Rubens Paiva traça a relação de suas obras no teatro e na literatura com a cidade de São Paulo. Recém-lançado, seu sétimo livro, Malu de Bicicleta, conta a história de um típico paulistano que se apaixona pela carioquíssima Malu. O encontro está marcado para o dia 19, às 19h, no Café Paulicéia.

 

Aos 71 anos, Lygia Bojunga é uma das principais autoras do país na seara dos livros infantis. Em mais de três décadas, publicou vinte títulos, muitos deles traduzidos para outros idiomas. Três semanas atrás, ela ganhou o Astrid Lindgren, um prêmio concedido pela Suécia no valor de 670 000 dólares. O Salão de Idéias de que ela participa, na sexta (16), às 11h, terá como tema a importância da literatura na formação das pessoas.

 

 

18ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Centro de Exposições Imigrantes. Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, 5073-7799. De 15 a 25 de abril, das 10h às 22h. R$ 4,00 (estudantes) e R$ 8,00. Grátis para crianças menores de 12 anos, pessoas com mais de 65 e deficientes físicos. Estac. R$ 12,00. www.bienaldolivrosp.com.br.

         
   
     
 
 
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