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FILME
Divulgação

Henry
Fool e o amigo Simon: esquisitões |
AS CONFISSÕES DE HENRY FOOL. Não foi à
toa que, em 1998, esta comédia dramática levou
o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes. O
diretor americano Hal Hartley (Amateur) supera sua
habitual criatividade ao se debruçar sobre dois tipos
marginalizados. Depois de sair da cadeia, Henry Fool (Thomas
Jay Ryan) vai morar no porão da casa do abobalhado
lixeiro Simon (James Urbaniak). O ex-presidiário é
um sujeito adorável e irresponsável que insiste
para o novo amigo exercitar sua queda para as letras. Acontece
o improvável. O lixeiro vira poeta erótico de
mão-cheia. Simon (incompreendido, polêmico, pornográfico,
indeciso entre o anonimato e a fama) e Henry (independente,
farsante, solidário e ao mesmo tempo cafajeste) funcionam
como alter ego do diretor. Nunca, em seus filmes, Hartley
havia exposto suas feridas tão a fundo.
SHOW
Christian Lantry

O
trio Yo la Tengo: enciclopédia do pop |
YO LA TENGO. Noites de festa para roqueiros antenados
com a cena underground dos Estados Unidos. Na quarta (14)
e na quinta (15), passa por São Paulo a primeira turnê
sul-americana do Yo la Tengo. O cultuado grupo de Nova Jersey
foi criado em 1984 pelo crítico musical Ira Kaplan
(guitarra, voz e órgão) e sua mulher, Georgia
Hubley (bateria e voz). Atualmente, a banda conta com James
McNew no baixo e no órgão. O som é uma
enciclopédia da música pop, tendo como principal
verbete o rock vanguardista do Velvet Underground. A lista
de influências engloba punk, new wave, folk e até
jazz. Para os shows, que costumam durar mais de duas horas,
o trio seleciona canções de seus dez CDs, incluindo
o mais recente, o belo e melancólico And Then Nothing
Turned Itself Inside-Out.
EXPOSIÇÃO

Objeto
Emblemático 11
(1969): ode às raízes afro-baianas |
RUBEM VALENTIM ARTISTA DA LUZ. As coloridas esculturas
e pinturas do baiano Rubem Valentim (1922-1991) integraram
muitas e grandes exposições. A última
foi a Mostra do Redescobrimento. Nos últimos
anos de vida, ele acalentava o sonho de ver seu ateliê,
em Brasília, transformado numa fundação.
O objetivo era ter o trabalho preservado e à vista
do público. Isso não aconteceu e em breve boa
parte do legado, hoje nas mãos da filha, deverá
estar espalhada por museus do Brasil. Na Pinacoteca, um conjunto
representativo traça um panorama da trajetória
do artista a partir dos anos 50. São 51 peças.
O geometrismo e as cores vigorosas unem-se em signos e alfabetos
próprios, combinados e recombinados de maneiras variadas.
O ápice dessa linguagem singular encontra-se em uma
interessante ambientação cenográfica
que ocupa uma sala. Sob efeitos de luz e sombra, estão
seis altares, espécie de ode às raízes
afro-baianas que mestre Valentim tão bem representou.
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