Sinal de vida

Marginal Pinheiros exibe os primeiros
resultados do projeto São Paulo Pomar

Fernando Souza

Rogério Montenegro

Canteiro de biris: entre 240 000 mudas


As margens do Rio Pinheiros, entre o Jaguaré e Santo Amaro, estão de cara nova. No lugar do matagal, centenas de primaveras, lírios, jerivás e ipês, ao lado de sessenta espécies de árvores, vinte de arbustos e dezoito de herbáceas, dão cor ao caminho de quem passa pela marginal. Circulam por ela, diariamente, nos dois sentidos, cerca de 400.000 veículos. Foram plantadas 240.000 mudas nesse trecho de 14 quilômetros, ou seja, dezessete a cada metro. O jardinzão faz parte do projeto São Paulo Pomar, criado em 1999 pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Onze parceiros patrocinam a empreitada. Cada um investiu 150.000 reais e pagará outros 3.000 reais por mês, como manutenção, pelos próximos cinco anos. O surpreendente é que as empresas fazem isso sem receber nenhum incentivo fiscal. "Esta é uma tentativa de restabelecer o afeto entre o paulistano e seu rio", diz o secretário do Meio Ambiente, Ricardo Trípoli.

Além do solo muito compactado e de baixa fertilidade, o vento poluído pelo tráfego, as linhas aéreas de transmissão de energia, as redes de esgoto, o espaço reservado ao desassoreamento do canal e a estrada de serviço eram obstáculos ao plantio. "Optamos por plantas rústicas e mais resistentes", diz Arnaldo Rentes, arquiteto responsável pelo projeto. Entre as árvores, a palmeira jerivá, nativa da região, é a campeã em número de mudas: há 920 exemplares. Seu coquinho atrai periquitos e outros bichos. A água do próprio rio, tratada pelo processo de flotação, é usada na irrigação dos canteiros (veja quadro).

O urbanista Cândido Malta e o arquiteto Benedito Abbud têm sugestões para aprimorar o programa. "Se transferissem os cabos de eletricidade para o subsolo, poderiam plantar árvores de maior porte e obter um resultado mais harmônico", propõe Malta. "As marginais estão inundadas de outdoors, e isso acaba desconcentrando o olhar das pessoas", aponta Abbud. A partir do próximo dia 22, o Pomar começa a contemplar a outra margem do Pinheiros, com mais 170.000 mudas. Ali, apenas seis parceiros serão necessários para viabilizar sua implantação, porque a linha férrea local estreita a área aproveitável. Duas empresas já assinaram com a secretaria. Na Marginal Tietê, por enquanto, o que continuará chamando a atenção é o vasto matagal, pois o projeto só chegará lá quando estiver concluída a obra de rebaixamento da calha do rio. A previsão é de que isso aconteça dentro de três anos.

 

A água suja pode voltar à vida

Claudio Rossi

Rio Pinheiros: 100 milhões
de dólares para despoluição


O sistema de flotação, usado na irrigação do projeto Pomar, está sendo apontado como a solução para a despoluição do Rio Pinheiros. Essa mesma técnica já foi testada com sucesso no Córrego do Sapateiro, no Ibirapuera. Consiste em adicionar coagulantes químicos à água suja, fazendo com que os resíduos se aglutinem em flocos. Após a injeção de oxigênio na água, os flocos bóiam e são recolhidos à rede coletora de esgoto. Com o rio limpo, a água pode ser bombeada para a Represa Billings, o que deve gerar aumento na produção de energia elétrica em Cubatão. Orçada em 100 milhões de dólares, a implantação de sete estações de tratamento (três no rio e quatro em afluentes) depende de licitação, programada para março. A empresa vencedora irá bancar os custos e, em troca, ficará com a receita da venda da energia excedente.

 

 

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