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ESTILO
Criativos,
descolados
e mais em conta
Com
preços acessíveis e projetos
adequados
ao dia-a-dia dos paulistanos,
objetos feitos por designers
conquistam
espaço no
mercado da decoração
Valéria
França
| Fotos Fabio Mangabeira/produção
Kiki Romero e Flávia Salvetti |
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Escultura
de madeira (também em laranja, branco e amarelo) de
Jaime Prades, R$ 180,00. Arango, Praça Benedito Calixto,
42, Pinheiros, 3061-5127.
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Porta-retratos
da dupla Bufe e Luzio. R$ 10,00 o menor
e R$ 86,00 o maior, com função de calendário.
Arango.
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Apoio
de livro (também em azul) de Bernardo Krasniansky, R$ 85,00.
Inter/Design, Alameda Lorena, 1647, Jardim Paulista, 3062-9896.
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Luminária
de acrílico (disponível em outras quatro cores), de Luciana
Martins e Gerson de Oliveira, R$ 220,00. Ovo, Rua Gomes de Carvalho,
830, Vila Olímpia, 3045-0309. |
Quando
está em busca de um presente diferente, com jeitão
moderno e descolado, o paulistano muitas vezes acaba entrando numa
loja de design. Lá, apesar da infinidade de peças
bonitas nas prateleiras, ele enfrenta algumas dificuldades para
sair com o que deseja. A serventia de muitos dos objetos expostos
é um enigma para o consumidor. Outros, mesmo funcionais,
custam uma pequena fortuna. Há, finalmente, a questão
da praticidade. Certas poltronas e sofás com desenho assinado
carregam a fama de ser tão desconfortáveis quanto
uma cama de faquir. Com tantos problemas, não é de
estranhar que o cliente, não raro, saia de mãos vazias.
Mas essa história está mudando. Aos poucos, produtos
concebidos por designers criativos que viraram grife estão
se tornando mais práticos e acessíveis. Profissionais
que abastecem sofisticadas casas de decoração vendem,
simultaneamente, para pequenas lojas de bairro, magazines e até
supermercados. "Mais do que um luxo, quando deparamos com algo assinado
por um designer temos garantia de qualidade", diz Auresnede Pires
Stephan, coordenador do curso de desenho industrial da Faculdade
de Belas Artes de São Paulo. "E hoje não precisamos
pagar por isso um preço absurdo."
Heudes Regis
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| Duílio
Ferronato, que ganhou fama com uma luminária de bolinhas de
gude: produtos de 30 a 407 reais, como o castiçal de alumínio
fundido, da Benedixt |
Formado em desenho industrial, o paulistano Duílio Ferronato
é um exemplo dessa transformação. Ferronato
ficou conhecido por ter desenvolvido uma luminária com bolinhas
de gude, que há uma década é copiada. Atualmente
tem à venda outras 102 peças. Projeta de revisteiros
de plástico a castiçais de aço fundido, encontrados
em endereços especializados, como a Benedixt, em Pinheiros,
e em grandes casas de decoração e presentes, como
a Mickey ou a Cleusa. H&aas, como a Benedixt, em Pinheiros,
e em grandes casas de decoração e presentes, como
a Mickey ou a Cleusa. Há um mês, ele foi contratado
por uma indústria de papel para desenhar uma linha de guardanapos.
Entre os supermercados, o Pão de Açúcar foi
o primeiro a apostar nesses profissionais. Em prateleiras das chamadas
lojas especiais da rede apareceram artigos diferenciados, caso das
refinadas bandejas de vidro desenhadas por Camila Fix. "Como os
supermercados trabalham com grandes quantidades, meus utilitários
tinham preços compatíveis com qualquer produto exposto",
afirma Camila. Segundo o Pão de Açúcar, artigos
como esses devem voltar às gôndolas na temporada de
vendas de Natal.
Heudes Regis
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| Os
irmãos Humberto e Fernando Campana: dois anos de pesquisas
com materiais para reduzir o preço da estante Labirinto
de 4.000 para 1.652 reais |
De
olho no filão, a Camicado, uma mistura de magazine e loja
de presentes, contratou a ex-gerente de produtos da Tok&Stok
Adriana Pereira dos Santos para identificar nomes no mercado que
teriam um perfil adequado à loja. "Não podemos ficar
de fora dessa nova tendência", diz Adriana. A Tok&Stok,
com sete lojas na capital, foi uma das pioneiras no trabalho com
designers. Buscar novos talentos também é a função
de Baba Vacaro, diretora de arte da Dominici, especializada em luminárias.
Além de coordenar toda a área de estilo, ela faz projetos
próprios. "Meu cargo é a prova de que a indústria
está reconhecendo a necessidade de pensar no visual", acredita
Baba.
| Fotos Fabio Mangabeira/produção
Kiki Romero e Flávia Salvetti |
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Cadeira
Spaguetti (mais três cores), de Fernando Jaeger,
R$ 174,00. Fernando Jaeger Design, Avenida Miruna, 300, Moema,
5543-4320.
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Moringa
(R$ 260,00) e saboneteira
(R$ 80,00) de porcelana, de Isabelle Touchband. Sob encomenda.
3887-2720.
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Cestos
de plástico maleávelde Carol Gay.
O pequeno tem 15 centímetros de altura
(R$ 33,00) e o grande, 37 centímetros de altura
(R$ 110,00). Disponíveis ainda em verde, vermelho e azul. Zona
D, Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 147, Jardim América,
3082-1769. |
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Revisteiro
Spaguetti,
de Duílio Ferronato,
R$ 39,90. Feito também com plástico transparente e amarelo.
Tok & Stok, Avenida Eusébio Matoso, 1231, Pinheiros,
3813-2800. |
Prato
pequeno (R$ 23,61) e grande (R$ 96,24), de Jacqueline Terpins.
Rua Gustavo Teixeira, 374, Pacaembu,
3872-4497. |
Nos
últimos dez anos, o design nacional cresceu muito. Há
uma turma de paulistanos que ganhou fama e projeção.
Os mais bem-sucedidos são os irmãos Humberto e Fernando
Campana. Um advogado e outro arquiteto, eles começaram a
trabalhar juntos em 1984. Nove anos depois, criaram a Vermelha,
uma poltrona de formas arredondadas feita de cordas que foi colocada
no mercado pela empresa italiana Edra. Coisa rara: além de
bonita, era confortável. Esse foi o primeiro projeto de uma
série de vinte que a dupla desenvolveu com a indústria
italiana. A partir daí, puderam deixar de lado a produção
artesanal que encarecia o produto. e passaram a fabricar
em escala industrial. "Aprendemos a viabilizar nossas idéias",
afirma Fernando. "Agora pensamos em funcionalidade e custo", completa
Humberto.
Mario Rodrigues
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| Jaeger:
"Artesãos dão toque diferenciado aos móveis" |
Em
agosto último, os irmãos lançaram a estante
Labirinto. Desenhada em 1997, ela tinha custo inicial bastante alto:
4.000 reais. Seu preço caiu para 1.652 reais. "Levamos dois
anos para chegar à versão mais econômica", diz
o francês Régis Dubrule, presidente da Tok&Stok,
que patrocinou o projeto. Dubrule é um apaixonado por design.
Ele calcula que, em suas lojas, nove de cada dez produtos são
assinados. Alguns estão na exposição Gênios
do Design, que fica até 1º de dezembro na filial
de Pinheiros. São nove peças elaboradas para um público
jovem, com preços mais acessíveis e linhas arrojadas,
como a luminária dos irmãos Ana e Dino Galli. Confeccionada
em acrílico, em formato de cone, ela pode ser colocada em
cima da mesa ou no chão. Custa 120 reais. "Não nos
preocupamos em fazer móveis para a vida toda, pois o gosto
das pessoas muda com o tempo", explica Dubrule. "Móvel tem
de ser como roupa: fácil de trocar."
Renata Ursaia
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| Luciana
Martins e Gerson de Oliveira: tapete montável com dezessete
cores |
Tais
produtos costumam ter muito mais valor agregado do que suas formas
deixam transparecer. Os designers, em geral, se preocupam com a
mão-de-obra envolvida na produção e com a procedência
do material. Alguns estabelecem parcerias com organizações
não-governamentais. Veterano no ramo de móveis, Fernando
Jaeger dá a artesãos a oportunidade de fazer o acabamento
de suas peças. "Além de gerar emprego, consigo me
diferenciar ainda mais", diz Jaeger, que trabalha apenas com madeira
certificada retirada de áreas de reflorestamento ou
extraída sob o controle do Ibama. "Tudo isso acaba encarecendo
a mercadoria", afirma. Mesmo assim, a poltrona Decô (480 reais)
está na faixa de preço de outras, do mesmo estilo,
à venda em qualquer loja de decoração da Rua
Teodoro Sampaio, em Pinheiros.
Heudes Regis
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| Isabelle
Touchband: "Consegui colocar um pouco de arte no cotidiano"
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"Uma
das vantagens das peças planejadas é poder oferecer
maior funcionalidade", diz o professor Stephan. Luciana Martins
e Gerson de Oliveira, por exemplo, bolaram um tapete montável,
formado por quadrados individuais de 30 centímetros ligados
por velcro. O cliente escolhe entre dezessete cores, que podem ser
combinadas entre si, e regula o tamanho e o formato do tapete conforme
suas necessidades. Outro destaque da linha da dupla é a mesa-lousa
para reuniões. Produzida com uma pintura especial, permite
anotações de giz sobre sua superfície. Na quinta-feira
passada, na Vila Olímpia, Luciana e Oliveira inauguraram,
com uma exposição, sua primeira loja.
Heudes Regis
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| Baba
Vacaro, entre os modelos que produziu para a Dominici: missão
de encontrar novos talentos para a empresa |
Com
o mercado efervescente, não faltam profissionais cheios de
boas idéias. Na cidade, existem quarenta cursos dessa área
em faculdades. Tem tanta gente se formando que o Museu Brasileiro
de Escultura (MuBE), na Avenida Europa, 218, cedeu um espaço
permanente para quarenta novos designers divulgarem suas produções.
Todo sábado, das 10 às 18 horas, eles vendem desde
jóias até móveis. A partir das 15 horas, há
shows de jazz. "Precisamos estar abertos aos trabalhos de vanguarda",
afirma Marilisa Rodrigues Rathsam, fundadora do MuBE. O limite entre
arte e design é tênue. Até porque há
muito artista plástico que enveredou por esse caminho. Jacqueline
Terpins, que começou trabalhando com vidro, faz parte do
grupo. Hoje, ela tem uma loja de 180 metros quadrados no Pacaembu.
Produz 1.000 peças por mês, em sua maioria compradas
por 190 revendedores. Entre elas, há copos com textura de
bolhas, vasos e lamparinas estilizadas. Jacqueline virou uma grife
que, ao lado dos irmãos Campana, volta e meia é citada
com destaque em revistas italianas de decoração e
estilo. Ela também cria móveis, como poltronas de
vidro muito mais bonitas do que gostosas de sentar. Isabelle
Touchband tem um perfil semelhante. Cresceu brincando com as tintas
do pai, que era pintor, e dedica-se à pintura, mas ficou
conhecida por suas porcelanas. Como se fossem um mimo, as xícaras
brancas de Isabelle são decoradas com figuras estilizadas
e dizeres amorosos escritos em dourado. "Fazer coisas bonitas para
o dia-a-dia foi o jeito que encontrei de colocar um pouco de beleza
no cotidiano", diz ela. É essa arte que agora está
um pouco mais próxima do consumidor.
Mario Rodrigues
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| Jacqueline
Terpins, especializada em vidro: 1.000 peças por mês e 190 revendedores |
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