|
ENTRETENIMENTO
Um mundo de arte, esporte e lazer
Com onze unidades na capital, o Sesc faz sessenta anos e se firma como o
maior produtor cultural da cidade. São 700 shows, sessões de
cinema, peças de teatro e apresentações de dança
por mês Isabela Barros e Sandra
Soares
Todos
os meses, cerca de 670.000 pessoas circulam pelas onze unidades do Serviço
Social do Comércio (Sesc) na capital. É uma multidão que
poderia lotar oito vezes o Estádio do Morumbi. Toda essa gente está
interessada em fazer ginástica, nadar, levar os filhos para ouvir histórias
ou participar dos seus mais de 700 eventos, como shows, sessões de cinema,
peças de teatro e apresentações de dança. Maior produtor
cultural da cidade, o Sesc faz parte da programação e da paisagem
de São Paulo há quase sessenta anos, a serem completados na próxima
quarta (13). A arquitetura arrojada de algumas de suas unidades mudou a cara de
bairros. Na Pompéia, desde 1982, é impossível não
notar a construção projetada pela italiana Lina Bo Bardi, arquiteta
do Masp e seu imenso vão livre, que transformou uma antiga fábrica
de tambores em centro de artes e lazer. Na Vila Mariana, os dois prédios
(cada um com dez andares) são unidos por duas chamativas passarelas de
aço. O gordo orçamento
da rede, cerca de 156 milhões de reais por ano, é distribuído
entre todas as unidades, da mais antiga (Carmo, construída em 1960) à
mais nova (Santana, erguida no ano passado). Tamanha força está
ligada ao crescimento do varejo em São Paulo, que na década de 70
começou a tirar da indústria o título de principal atividade
econômica da cidade. O Sesc é sustentado pelos empresários
dos setores de comércio e serviço, que são obrigados por
lei a lhe destinar 1,5% de suas folhas de pagamento.
Fundado em setembro de 1946, um ano depois que um grupo de empreendedores se reuniu
numa conferência em Teresópolis, no Rio de Janeiro, o Sesc nasceu
com a idéia de oferecer lazer e bem-estar aos comerciários
visando também a motivá-los e assim aumentar sua produtividade.
Em 30 de outubro, uma sala no prédio da Associação Comercial
de São Paulo, na Rua Boa Vista, virou sede da entidade. O primeiro complexo
voltado ao entretenimento de seus freqüentadores, nos moldes de outros que
existem hoje, foi aberto em 1948. As regras sempre foram as mesmas: qualquer pessoa
pode usar as instalações do Sesc, mas comerciários e empregados
do setor de serviços têm prioridade e pagam taxas menores.
Para comemorar os sessenta anos do Sesc, sua agenda de eventos está mais
turbinada do que nunca. Serão dois meses de programação,
que começa na quinta (14). Entre as mais de sessenta atrações
previstas estão um show inédito de Caetano Veloso com o filho, Moreno,
e a apresentação das coreografias Dom Quixote e Covariance,
do israelense Niv Sheinfeld. Os palcos do Sesc sempre fizeram história.
Até hoje, peças como Macunaíma (1978), Romeu e
Julieta (1984) e Paraíso Zona Norte (1989) são lembradas
como marcos do Centro de Pesquisa Teatral (CPT), comandado pelo diretor Antunes
Filho e sediado na unidade da Consolação. O mais famoso entre os
2.218 funcionários do Sesc na capital, Antunes revelou talentos como os
atores Luís Melo e Giulia Gam. "O Sesc sempre me deu total liberdade de
criação", diz. "Para mim, ele é o verdadeiro Ministério
da Cultura." Não menos agitado, o ótimo teatro do Vila Mariana,
um dos melhores da cidade, já recebeu espetáculos que ficaram na
memória do público, como Rei Lear, com Raul Cortez, visto
por 24.000 pessoas em 2000. Criado em 1999, no Pompéia, o projeto Prata
da Casa realiza, todas as terças-feiras, shows com artistas desconhecidos,
selecionados entre aqueles que enviam seus CDs para lá. O programa apostou
em nomes que depois se tornariam famosos, como Vanessa da Mata e Fernanda Porto.
Naturalmente, cada unidade ganhou
um perfil ao longo dos anos. Em Interlagos, famílias e atletas de fim de
semana só querem saber de descansar e curtir a paisagem verde que se estende
por 500.000 metros quadrados. Como se não bastassem as árvores (mais
de 40.000), um braço da Represa Billings que passa por ali completa o clima
de campo. Pertinho do Parque da Independência, a filial do Ipiranga mantém
o ar bucólico mais perto do centro, com seu quintal, muito agradável
para ler e fazer ginástica em dias de sol. O Pompéia, além
de um teatro para lá de desconfortável (obra também da arquiteta
Lina Bo Bardi, que dava uma no cravo e outra na ferradura), ficou famoso pela
agitada choperia, com capacidade para 800 pessoas. Já o orgulho da unidade
de Pinheiros é o seu teatro de 1 010 lugares, o maior da rede.
Nos próximos quatro anos, os paulistanos devem ganhar duas novas unidades:
uma na Rua Aldino Bueno, no Bom Retiro, e a outra na Rua 24 de Maio, no centro.
"Queremos levar o Sesc para o maior número possível de bairros",
diz Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do
Estado de São Paulo (Fecomercio). No Bom Retiro, serão investidos
30 milhões de reais para erguer uma sede com teatro e área para
exposições. As obras devem terminar no segundo semestre do ano que
vem. O Sesc da 24 de Maio vai ocupar o antigo prédio da Mesbla, que terá
sua estrutura interna refeita para receber uma piscina, uma praça e um
teatro, entre outras instalações. Com projeto do arquiteto Paulo
Mendes da Rocha, deve abrir suas portas em 2010 ao custo de 40 milhões
de reais. As duas construções serão tocadas paralelamente
às reformas das filiais Avenida Paulista, Santo Amaro (que funciona agora
de forma provisória numa casa alugada na Avenida Adolfo Pinheiro) e Belenzinho,
que ganhará um prédio novo.
Cada Sesc que abre é um acontecimento e tanto para a vizinhança
e sua área de influência, com impacto comparável ao de um
novo shopping center. "Um Sesc serve como âncora de venda para os edifícios
ao redor", explica Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de
Estudos do Patrimônio (Embraesp). "Vira uma área de lazer para os
moradores." Freqüentador do Sesc Pompéia há mais de vinte anos,
onde costuma almoçar, o viúvo Nelson Lopes, 83, não perde
as partidas de xadrez ali disputadas durante todo o dia. "Os homens ficam de um
lado e as mulheres do outro", diz Lopes. "Mas todo mundo se paquera de longe."
As irmãs Marina, 16 anos, Amanda, 14, e Natália Brabo, 10, não
tinham muitas opções de passeios quando iam visitar a avó,
em Santana. Desde que uma filial do Sesc foi aberta na Avenida Luiz Dumont Villares,
há pouco menos de um ano, as três a elegeram como programa predileto
para os fins de tarde. "Virou um ponto de encontro para a nossa turma", diz Marina.
"A programação não é escrava do sucesso comercial",
diz Zuza Homem de Mello, produtor e crítico de música. "Estar no
Sesc é como receber um selo de qualidade."
A identidade construída pelo Sesc ganhou força a partir de 1984,
ano em que Abram Szajman escolheu o sociólogo e filósofo Danilo
Santos de Miranda como diretor regional para São Paulo. Das onze unidades
em funcionamento na capital, seis foram abertas sob o seu comando. "Apenas dei
um foco mais claro ao objetivo da instituição, que é promover
o bem-estar e a cultura", afirma Miranda. Figurinha fácil nos prédios
da rede, com sua barba grisalha, Miranda conta que costumava ir ao Sesc muito
antes de se tornar diretor. Nadava no Consolação e levava as duas
filhas, hoje adultas, para brincar no Interlagos. Atualmente, ele vai a pelo menos
quatro eventos do Sesc por semana. Ele e milhares de paulistanos, em busca de
opções criativas, atraentes e acessíveis de lazer. SESC
PINHEIROS
Fotos
Mario Rodrigues
 |
Rua Paes Leme, 195,
3095-9400 Inauguração
Setembro de 2004 Freqüência
80 100 pessoas por mês O
que tem de melhor Brinquedos como o xadrez gigante (1) e a cama
elástica (2) costumam atrair muitas crianças para a unidade,
que oferece ainda três piscinas. Em horários específicos,
os pequenos são entretidos por uma equipe de monitores. Os adultos têm
à disposição uma "cedeteca" (3) com oitenta títulos.
Ali também está localizado o maior teatro da rede Sesc, com capacidade
para 1 010 espectadores.  | Fernando
Moraes
 |
SESC
CARMO Rua do Carmo, 147, centro,
3105-9121 Fotos
Fernando Moraes
 |
Inauguração Dezembro de 1960
Freqüência 72 300 pessoas por mês
O
que tem de melhor Seus dois restaurantes (1) são uma boa
e barata opção de almoço e jantar no centro da cidade
o preço da refeição varia entre 3 e 8,80 reais. A unidade,
que é a mais antiga da rede, promove principalmente atividades de caráter
social, como as oficinas de artes e brincadeiras para crianças carentes
(2). SESC
POMPÉIA Rua Clélia, 93,
3871-7700 Inauguração Agosto
de 1982 Freqüência 118
000 pessoas por mês Mario
Rodrigues
 | Divulgação
 |
O que tem de melhor A unidade está instalada
em um prédio de 1938, onde funcionou uma fábrica de tambores. Ele
foi adaptado pela arquiteta Lina Bo Bardi, que também assina o desenho
do ginásio de esportes (1). O forte da programação
são os shows musicais, realizados em uma choperia com capacidade para 800
pessoas. Por lá passaram nomes como a cantora Rosa Passos (2), que
fez duas disputadas apresentações há uma semana.
SESC VILA MARIANA Rua Pelotas, 141,
5080-3000 Fotos
Daniela Toviansky
 |
Inauguração Dezembro
de 1997 Freqüência 69
900 pessoas por mês O que
tem de melhor É conhecido pela programação teatral.
Com capacidade para 608 pessoas, o teatro (1) já apresentou
mais de 100 peças somente entre janeiro e julho deste ano. A piscina coberta
é decorada por um painel de ferro criado por Tomie Ohtake (2).
SESC INTERLAGOS
Avenida Manuel Alves Soares, 1100,
5662-9500
Inauguração Outubro de 1975
Freqüência 55 000 pessoas por mês
O
que tem de melhor Com cara de clube de campo e 500 000 metros quadrados
de área, é uma das mais bonitas unidades da rede. As crianças
se divertem principalmente nos brinquedos (1) e os adultos nos três
campos de futebol (2).
SESC CONSOLAÇÃO Rua Doutor
Vila Nova, 245,
3234-3000 Inauguração
Novembro de 1967 Freqüência 58
000 pessoas por mês
O
que tem de melhor Sede do Centro de Pesquisa Teatral (CPT), do diretor
Antunes Filho, é famoso pelo Teatro Anchieta. No Centro Experimental de
Música (CEM), os alunos podem pegar os instrumentos emprestados para aprender
a tocar. Oferece aulas gratuitas de alongamento toda sexta (à dir.).
SESC ITAQUERA
Avenida Fernando do Espírito Santo
Alves de Mattos, 1000,
6523-9200
Inauguração Outubro
de 1992 Freqüência 55
500 pessoas por mês O que
tem de melhor O parque aquático (à dir.) , com 5 000
metros quadrados de espelhos-d'água, reúne oito toboáguas.
Cercada de verde, a unidade tem três parques infantis temáticos,
nove quadras poliesportivas e três minicampos de futebol.
SESC SANTANA
Avenida Luiz Dumont Villares, 579,
6971-8700 Inauguração Outubro
de 2005 Freqüência 74
500 pessoas por mês
O
que tem de melhor Última filial da rede a ser inaugurada e a primeira
unidade aberta na Zona Norte, chama atenção pelas instalações,
que ainda estão tinindo. O ginásio coberto tem 1 600 metros quadrados
e duas quadras poliesportivas (à dir.).
SESC AVENIDA PAULISTA
Avenida Paulista, 119,
3179-3700 Inauguração Maio
de 1978
Mario
Rodrigues
 |
Freqüência 12
200 pessoas por mês
O que
tem de melhor Quatro andares do prédio, que até novembro
de 2005 funcionava como sede administrativa do Sesc, foram adaptados para abrigar
espetáculos teatrais. O cenógrafo J.C. Serroni ambientou o pavimento
onde é encenada a montagem Leonce e Lena (à dir.),
dirigida por Gabriel Villela. SESC
IPIRANGA Rua Bom Pastor, 822,
3340-2000 Inauguração Novembro
de 1992 Freqüência 49
500 pessoas por mês
O
que tem de melhor Disputado sobretudo nos fins de semana, quando alguns
visitantes aproveitam para tomar sol, o quintal é o maior destaque do lugar.
No espaço, separado do Parque da Independência por um muro, acontecem
aulas grátis de ioga aos domingos pela manhã (à dir.).
|