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Tragédia
na academia
Menina
de 6 anos vai à aula de natação e
morre
prensada
em elevador para deficientes
Milton Michida/AE
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Álbum de família
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Armando Favaro/AE
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Vytoria
(acima) em
foto tirada no
ano passado. Acima,
à esquerda, o
elevador para deficientes onde aconteceu a
tragédia. No
Cemitério do
Morumby, o
ministro Marcos Vinicios Vilaça, avô
da menina, recebeu manifestações
de
apoio |
A
pequena Vytoria Evellinne D'Aloia Vilaça, 6 anos, saiu
de sua casa, em Moema, antes das 9 da manhã da última
quarta, para a aula de natação na Fórmula
Academia, no Shopping Eldorado. Deixou a piscina às
10 horas, tomou banho e vestiu o uniforme da Escola Morumbi
para participar do curso de ginástica acrobática.
Estava acompanhada de três coleguinhas e de uma monitora.
Nesse momento, andou em direção ao elevador
para deficientes físicos, abriu a porta, entrou e,
assim que começou a subida, tentou sair. Ficou presa
num vão de 15 centímetros entre a plataforma
do elevador e a parede de vidro. Foi arrastada até
o 2º andar. Só conseguiu soltar-se depois de esforços
de médicos, bombeiros e do administrador de empresas
José Carlos Bucci Muoio, 45 anos, que se preparava
para uma sessão de musculação. "Ela estava
desmaiada e não tinha ferimentos aparentes", afirma
Muoio, o primeiro a segurá-la no colo após o
acidente. Vytoria teve uma parada cardíaca e foi reanimada
pela cardiologista da academia, com técnicas de respiração
artificial. Dali, seguiu de helicóptero, sempre inconsciente,
até o Hospital das Clínicas, onde faleceu às
3 da tarde. O boletim médico do HC informa que a menina
foi vítima de uma "parada cardiorrespiratória
decorrente de trauma torácico-abdominal" e que passou
por manobras de ressuscitação e por uma cirurgia
de emergência.
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"Tomamos
o maior cuidado para evitar acidentes. A monitora
trabalha conosco há catorze anos. Havia só
quatro crianças no grupo. Vytoria se afastou
e o pior aconteceu diante dos olhos de todos."
José
Carlos de Andrade,
coordenador da Escola Morumbi |
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O
casal Alessandra e Rodrigo Otaviano Vilaça submeteu-se
a cinco anos de tratamento médico antes de Vytoria,
sua única filha, nascer. Popular tanto na escola quanto
no prédio onde morava, era extrovertida e dava-se bem
com adultos e crianças. No último domingo, foi
vista passeando de bicicleta no playground de seu prédio
ao lado dos pais. Neta do ministro do Tribunal de Contas da
União Marcos Vinicios Vilaça e sobrinha do galerista
Marcantonio Vilaça, morto no réveillon de 2000,
cursava a pré-alfabetização na Escola
Morumbi da Avenida Cidade Jardim. Tido como um colégio
conservador, mantinha desde 1998 convênio com a Fórmula
para atividades físicas extracurriculares. "A monitora
trabalha conosco há catorze anos e acompanhava apenas
três crianças além de Vytoria", diz o
coordenador de ensino da escola, José Carlos de Andrade.
"Não temos motivos para acreditar que falhamos com
a segurança. O pior aconteceu diante dos olhos de todos."
Depois do enterro, realizado na quinta passada no Cemitério
do Morumby, a família divulgou uma nota em que afirmava
confiar "nos trabalhos que as autoridades policiais estão
realizando". O Departamento de Controle do Uso de Imóveis
(Contru) acusa a academia de não registrar devidamente
a instalação dos dois elevadores para deficientes.
"Para nós, eles são clandestinos", afirma Clayton
Claro da Costa, diretor do órgão. "Além
disso, o vão de 15 centímetros entre a plataforma
e a parede não obedece às normas brasileiras
de segurança." A Fórmula defende-se alegando
que seus equipamentos cumprem todas as exigências da
legislação. Os elevadores foram instalados em
1997 e, segundo a academia, o Contru realiza vistorias anuais
no local. "Se estavam irregulares, por que não foram
interditados antes?", diz o diretor-presidente, Manoel Carrano
Neto. O laudo sobre as causas do acidente só deve ser
divulgado pelo Instituto de Criminalística em um mês.
Além da perda da pequena Vytoria, a família
sofre com a incerteza de quem são os responsáveis
pela tragédia.
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