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Morro
acima
Associação
comunitária cobra 5 reais
por visita
monitorada à favela Monte Azul
Marcella
Centofanti
Fotos Mário Rodrigues
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tour começa no centro cultural e termina na lojinha que
vende produtos confeccionados pelos moradores (à
dir.): 3 500 pessoas vivem em 480 barracos |
Na última
quarta-feira, a tradutora paulistana Lolita Sala esteve pela
primeira vez em uma favela. Durante cerca de uma hora e meia,
atravessou um córrego que exala um cheiro horrível
e passou por ruelas estreitas e sujas. Testemunhou, de perto,
as condições em que vivem os 3.500
moradores da favela Monte Azul, no Jardim São Luís,
na Zona Sul. São 480 barracos, quase todos de alvenaria.
Apesar do cenário desolador, as más impressões
pararam por aí. Lolita pagou 5 reais para participar
da visita monitorada promovida desde 1996 pela Associação
Comunitária Monte Azul (Acoma). O trajeto nada
ameaçador já foi percorrido por 425 pessoas.
A idéia da associação é sensibilizar
os visitantes para os trabalhos sociais desenvolvidos ali.
O tour
começa no centro cultural da Acoma, onde há
salas de aula e teatro. Lá, relata-se um breve histórico
da Monte Azul. A 500 metros dali, a primeira parada é
em uma das oito creches existentes na favela. Em seguida,
visitam-se as oficinas de reciclagem de papel e de marcenaria.
Quinze alunos revezam-se de manhã e à tarde
na confecção e restauração de
móveis. Um dos locais mais impressionantes, no entanto,
é o ambulatório. Cerca de 3.000
pessoas são atendidas por mês, entre consultas
com clínico-geral, ginecologista, pediatra, dentista,
fonoaudióloga e psicóloga. O percurso termina
na loja da associação, que vende móveis,
brinquedos educativos e objetos de papel (13,20 reais uma
boneca de pano e 100 reais uma mesa de centro de madeira patinada).
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Oficina
de
papel reciclado: quinze
alunos em dois turnos
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Loja
com móveis e brinquedos educativos: 13,20 reais
por uma boneca de pano |
"É
a favela mais tranqüila da região", diz Waldemar
Alves Carneiro Junior, delegado titular do 92º Distrito
Policial, encarregado das ocorrências na Monte Azul.
A responsável por essas experiências bem-sucedidas
é a pedagoga Ute Craemer, que há 23 anos se
dedica à comunidade. Ela trocou a Alemanha pelo Brasil
na década de 60. Instalou-se na Vila das Belezas, próxima
à Monte Azul, e abriu as portas de sua casa às
crianças carentes do bairro. Em 1979, seu quintal ficou
pequeno e, com a verba doada por um advogado alemão,
juntou amigos e moradores para construir um barracão
e fundar a Acoma. O trabalho cresceu e hoje envolve 12.000
pessoas por mês, dentre elas 1.000
crianças, abrangendo também a favela da Peinha
e o bairro Horizonte Azul. Com os bons resultados, vieram
os pedidos de visitas e a idéia de monitorá-las.
"Um dos objetivos é desmitificar a imagem negativa
que as favelas têm", explica Ute. Mas, segundo ela,
existe o risco de o visitante achar que a comunidade superou
seus problemas e já não necessita de ajuda.
"A Monte Azul tem carências e nós precisamos
de voluntários e dinheiro", diz. A associação
tem déficit mensal de 20.000
reais. Metade dos 200.000 reais
consumidos por mês é custeada pela prefeitura
e pelo governo estadual. O restante vem de doações
dos 10.000 sócios e de dez
empresas. Na semana passada, a Acoma ganhou um reforço.
Depois de participar da visita, Lolita tornou-se a 53ª
voluntária da Acoma. "O mundo só vai melhorar
quando todos deixarem de olhar para o próprio umbigo."
Associação
Comunitária Monte Azul.
Avenida Tomás de Sousa, 552, Jardim São
Luís,
5851-5370. Visitas de segunda a quarta, 8h. R$ 5,00. |
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Esclarecimento
Gostaríamos
de esclarecer que temos 340 sócios-contribuintes,
e não 10.000, como
foi informado na reportagem. Acrescentamos também
que os 425 visitantes se referem apenas ao ano de 2001.
Associação Comunitária Monte
Azul
Carta
publicada na seção Opinião
do Leitor de VEJA
São Paulo de 20/03/2002
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