Surpresas no copo

Sucos de clorofila, alfafa e blueberry são
algumas das novidades desta estação

Otávio Canecchio

 
Fotos Renato Chaui

Uva verde com água-de-coco: invenção do Qualyfruit

Clorofila: lista de espera pelas polpas congeladas

Acerola com laranja, açaí com pó de guaraná e abacaxi com hortelã são algumas das misturas que, até o verão passado, reinavam absolutas nos restaurantes e lanchonetes. Agora, uma nova leva de sucos ainda mais inusitados está nos cardápios da cidade. O preferido é o de clorofila. Proprietários de casas naturais garantem que precisam montar até uma lista de espera para vender as garrafinhas de 40 mililitros da polpa congelada (1 real cada uma). "Tenho várias encomendas", afirma Karen Favretto, proprietária do restaurante Orange, no Jardim Paulista. Para suavizar o sabor do pigmento verde responsável pela fotossíntese das folhas, o refresco é misturado a frutas como laranja, abacaxi e maçã. O preço não é tão diferente dos tradicionais sucos de laranja e limão. O copo custa, em média, 2 reais. "Apresentei aos meus colegas do teatro e hoje todo o elenco da peça tem o hábito de tomar", conta o ator Denis Victorazo, em cartaz no musical Vítor ou Vitória.

Uma das empresas pioneiras na venda de polpa de clorofila congelada é a Vale do Thithamá, de Salesópolis, que extrai o pigmento de uma combinação que leva alfafa, trigo, aveia e capim selvagem. Segundo o produtor Thadeu Meneghini, é comercializada 1 tonelada por mês. "Trabalhamos com isso há dez anos, mas só agora as pessoas estão descobrindo seu valor nutricional", diz Meneghini. Naturalistas acreditam que, entre outras funções, a clorofila aumenta a oxigenação do sangue e ajuda a combater os radicais livres.



Blueberry: fruta originária dos Estados Unidos teria substância que estimula a memória

Com baixo teor de calorias e de gordura e rico em vitamina C, ácido fólico e fibras, o broto de alfafa também atrai quem se preocupa em cuidar da saúde. "O gosto é forte, mas vale a pena porque faz bem", acredita Norma Edith Lopes, proprietária do Delícia Natural, na Lapa. Que ninguém pense, porém, que se trata de produtos milagrosos. "A maioria das pessoas toma esses sucos exóticos por puro modismo", afirma a nutricionista Claudia Juzwiak, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Não adianta virar vários copos de clorofila e ter uma alimentação pouco saudável." Quem gosta de uma mistura nada ortodoxa – mesmo que não prometa nenhum benefício ao corpo – pode experimentar o de uva verde com água-de-coco. No Qualyfruit, na Vila Olímpia, ele é um dos sucessos do cardápio.

Menos esquisita e mais saborosa, a blueberry, uma fruta de cor azulada originária dos Estados Unidos, está aos poucos sendo descoberta como fonte de um refrescante suco. "Alguns clientes ficam curiosos e resolvem experimentar", diz Luiz Daniel dos Santos, de O Fino da Fruta, no Jabaquara. "Atualmente está entre os que mais vendemos." Uma recente pesquisa feita pela Tufts University, em Massachusetts, nos Estados Unidos, revelou que a frutinha silvestre pode ser de boa ajuda para quem nunca se lembra de onde colocou a chave do carro ou mesmo da data do aniversário da namorada. Ela teria um elemento que estimula a memória. Mas há uma contra-indicação. As pessoas alérgicas ao ácido salicílico, presente na aspirina, devem evitá-la, pois a blueberry tem alto teor dessa substância.

 

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