| |
| |  | |
POLÍCIA
O mão-leve
Peruano é preso pela terceira
vez
roubando laptops em aeroportos
Rodrigo Brancatelli
WValente/AE
 |
| Guerreiro: jogo de gato e rato |
Ex-eletricista, Carlos Alberto
Guerreiro Torres saiu há cinco anos de Lima, no Peru, e desembarcou
em São Paulo disposto a ganhar um bom dinheiro com sua mão
leve. Sem falar português e com alguns contatos de outros
peruanos radicados por aqui, ele alugou um quartinho no 9º
andar de um prédio antigo na Rua General Osório, no
centro, e começou a roubar notebooks de passageiros incautos
que transitam pelos aeroportos do país. Ele tomava o cuidado
de não agir durante mais de três meses seguidos no
mesmo local Guerreiro já foi flagrado pelas câmeras
dos aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Viracopos, em Campinas,
Galeão, no Rio de Janeiro, e Salgado Filho, em Porto Alegre.
Revendia os laptops nas ruas 25 de Março e Santa Efigênia,
onde receptadores pagam de 500 a 700 reais por computador. Em sua
vida de crimes, conseguia ganhar até 8 000 reais por mês.
Ele foi preso pela Polícia Civil em maio de 2004, em Guarulhos,
mas não ficou nem seis meses encarcerado. Em 7 de janeiro
de 2005, acabou mais uma vez sendo pego em flagrante no mesmo local.
Depois de onze meses e dez dias estava de novo nas ruas. O jogo
de gato e rato ganhou outro capítulo no último dia
25, no piso de embarque de Cumbica. Ao tentar furtar o laptop de
uma turista que iria embarcar para Manaus, Guerreiro voltou a ser
preso. Está agora no Centro de Detenção Provisória
de Guarulhos.
Guerreiro não é
o único exemplo da onda de roubos que ronda os aeroportos
da cidade. Segundo a Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista
(Deatur), houve dezoito ocorrências só nos três
primeiros meses deste ano. São furtos de notebooks, aparelhos
de MP3 e câmeras fotográficas. "Em 2005, tivemos 46
registros em Cumbica e 27 em Congonhas", diz o delegado Antônio
Carlos Bueno Torres, diretor da Deatur. "Colocamos mais policiais
e câmeras nos aeroportos para tentar reduzir esses índices."
Os números da polícia
não mostram, porém, um esquema que está sendo
cada vez mais adotado pelos criminosos. Olheiros observam quem desembarca
com equipamentos caros e avisam comparsas fora do aeroporto. Com
motos, eles seguem o carro ou o táxi da vítima para
atacar à mão armada longe das câmeras de vigilância
e dos policiais. Foi o que ocorreu com o engenheiro gaúcho
Juliano Simões, de 28 anos. No último domingo (2),
às 22 horas, vindo de Guarulhos, ele chegou de táxi
a um flat na região dos Jardins. Foi abordado por criminosos,
reagiu e levou um tiro no abdômen. Morreu no local. Uma hora
antes, dois irmãos recém-vindos do Rio de Janeiro
haviam sido obrigados a entregar as malas à mesma quadrilha.
Para não virar alvo em potencial de assaltantes como Guerreiro,
é preciso que o passageiro tome precauções
dentro e fora do aeroporto. "A partir do momento do desembarque,
sempre existe a possibilidade de você estar sendo observado",
diz o consultor de segurança Ricardo Chilelli, da RCI First.
"Evite ostentar jóias, relógios ou canetas caras.
Se estiver carregando um laptop, procure trocar a tradicional maleta
por uma mochila comum ou mesmo colocar o computador dentro de um
envelope."
|