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12 de abril de 2006
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O mão-leve

Peruano é preso pela terceira vez
roubando laptops em aeroportos

Rodrigo Brancatelli


WValente/AE
Guerreiro: jogo de gato e rato


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Atenção, senhores passageiros

Ex-eletricista, Carlos Alberto Guerreiro Torres saiu há cinco anos de Lima, no Peru, e desembarcou em São Paulo disposto a ganhar um bom dinheiro com sua mão leve. Sem falar português e com alguns contatos de outros peruanos radicados por aqui, ele alugou um quartinho no 9º andar de um prédio antigo na Rua General Osório, no centro, e começou a roubar notebooks de passageiros incautos que transitam pelos aeroportos do país. Ele tomava o cuidado de não agir durante mais de três meses seguidos no mesmo local – Guerreiro já foi flagrado pelas câmeras dos aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Viracopos, em Campinas, Galeão, no Rio de Janeiro, e Salgado Filho, em Porto Alegre. Revendia os laptops nas ruas 25 de Março e Santa Efigênia, onde receptadores pagam de 500 a 700 reais por computador. Em sua vida de crimes, conseguia ganhar até 8 000 reais por mês. Ele foi preso pela Polícia Civil em maio de 2004, em Guarulhos, mas não ficou nem seis meses encarcerado. Em 7 de janeiro de 2005, acabou mais uma vez sendo pego em flagrante no mesmo local. Depois de onze meses e dez dias estava de novo nas ruas. O jogo de gato e rato ganhou outro capítulo no último dia 25, no piso de embarque de Cumbica. Ao tentar furtar o laptop de uma turista que iria embarcar para Manaus, Guerreiro voltou a ser preso. Está agora no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.

Guerreiro não é o único exemplo da onda de roubos que ronda os aeroportos da cidade. Segundo a Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista (Deatur), houve dezoito ocorrências só nos três primeiros meses deste ano. São furtos de notebooks, aparelhos de MP3 e câmeras fotográficas. "Em 2005, tivemos 46 registros em Cumbica e 27 em Congonhas", diz o delegado Antônio Carlos Bueno Torres, diretor da Deatur. "Colocamos mais policiais e câmeras nos aeroportos para tentar reduzir esses índices."

Os números da polícia não mostram, porém, um esquema que está sendo cada vez mais adotado pelos criminosos. Olheiros observam quem desembarca com equipamentos caros e avisam comparsas fora do aeroporto. Com motos, eles seguem o carro ou o táxi da vítima para atacar à mão armada longe das câmeras de vigilância e dos policiais. Foi o que ocorreu com o engenheiro gaúcho Juliano Simões, de 28 anos. No último domingo (2), às 22 horas, vindo de Guarulhos, ele chegou de táxi a um flat na região dos Jardins. Foi abordado por criminosos, reagiu e levou um tiro no abdômen. Morreu no local. Uma hora antes, dois irmãos recém-vindos do Rio de Janeiro haviam sido obrigados a entregar as malas à mesma quadrilha. Para não virar alvo em potencial de assaltantes como Guerreiro, é preciso que o passageiro tome precauções dentro e fora do aeroporto. "A partir do momento do desembarque, sempre existe a possibilidade de você estar sendo observado", diz o consultor de segurança Ricardo Chilelli, da RCI First. "Evite ostentar jóias, relógios ou canetas caras. Se estiver carregando um laptop, procure trocar a tradicional maleta por uma mochila comum ou mesmo colocar o computador dentro de um envelope."

 

A ação dos criminosos


Reprodução
ução
Grupo de quatro ladrões combina abordagem em Cumbica, no início de março De terno, suspeito (à esq.) circula pelos corredores e observa as possíveis vítimas


Bando é preso pela Polícia Civil. No carro dos assaltantes foram encontrados laptops roubados

     
   
 
 
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