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12 de abril de 2006
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GASTRONOMIA

A nova aposta de Arno

Chef reabre o La Vecchia Cucina com
menos mesas e preços mais baixos

Nana Caetano

 

Fotos Daniela Toviansky
Sergio Arno, no Il Nuovo La Vecchia Cucina: "Ninguém quer pagar tão caro para comer"


Veja também
Receitas elaboradas pelo chef Sergio Arno
  Carpaccio de peixe e presunto cru
  Arroz de pato, lingüiça portuguesa e morcela
  Nhoque com molho pesto e camarão
  Sopa de feijão branco com camarão
  Tiramisu com calda de café
  Veloutê de abóbora ao curry com vieiras grelhadas
Receitas
  Site reúne mais de 200 receitas de pratos já indicados pela Vejinha

Sergio Arno está com o braço quebrado. Partiu o pulso direito ao socar uma mesa, empolgado, durante reunião com funcionários. Recomendação médica após a cirurgia reparadora: um mês de imobilização parcial, sem carregar peso nem se mexer demais. Em vez de sossegar, porém, o hiperativo chef comandou uma reforma e a reinauguração de seu La Vecchia Cucina, no Itaim, na última segunda-feira, sob o nome de Il Nuovo Vecchia Cucina. Arno agitou-se tanto que despedaçou a tala que usava. "Não acreditei quando o vi varrendo o chão e carregando caixas", conta um dos garçons. Paredes foram quebradas, um bar surgiu no centro do salão, cadeiras, mesas e cardápio foram trocados e os banheiros ficaram mais espaçosos. As obras duraram doze dias e consumiram 300.000 reais.

Inaugurado em 1987 e funcionando desde 1991 no prédio onde está hoje, na entrada de um flat, o Vecchia foi um marco na renovação da alta gastronomia italiana na cidade e transformou Sergio Arno em celebridade instantânea dos fogões. Seu cardápio criativo estava sempre mudando, mas com o tempo a casa se acomodou. Ultimamente, dava prejuízo. Segundo Arno, no ano passado ele perdeu ali 250.000 reais. "Estava na hora de mudar", afirma. "O restaurante era antiquado e caro." Na carta, mantêm-se os risotos, os assados e as massas recheadas, mas entram novas carnes, saladas e molhos. O salão passa a ter setenta lugares, em vez de 96, e o gasto médio por pessoa deve cair de 120 para 80 reais. "Diminuí a estrutura e minha margem de lucro", explica. "Ninguém quer pagar tão caro para comer."

Versátil e amante confesso da baixa gastronomia, Arno ganha dinheiro mesmo com suas múltiplas casas mais populares, franquias e licenciamentos. Aos 45 anos, ele é dono do La Pasta Gialla (com uma unidade própria mais nove franquias em todo o país), do Alimentari, da hamburgueria General Prime Burger, do bar Universidade da Cachaça e do restaurante Duets, em Ribeirão Preto. Além disso, empresta seu nome e know-how a vinhos, cachaças, massas, panelas e um café gourmet. Diz que dá conta de tudo porque dorme no máximo cinco horas por noite e trabalha até durante viagens de lazer. É objetivo e aceleradíssimo em tudo o que faz. Acostumar-se ao ritmo da fala do chef leva alguns minutos. Ele praticamente não dá pausa entre uma palavra e outra, além de emendar assuntos e histórias exaustivamente. "É assim desde criança", diz a mãe, Ana Maria, sócia do La Pasta Gialla e da Universidade da Cachaça – o pai de Sergio, o empresário italiano Carlos Arno, foi o criador da indústria de eletrodomésticos à qual empresta o sobrenome.

 

O salão dos fundos do restaurante, após a reforma: paredes claras e luz natural

Sergio Arno toma conta de todos os empreendimentos pessoalmente. Além de ficar no Vecchia, a cada dia ele visita pelo menos dois de seus restaurantes, geralmente a pé, pois quase todos ficam no Itaim. Palpita em minúcias como funcionamento de fornos, compra e venda de equipamentos e pormenores da decoração. É ele quem lê as fichas de sugestões e reclamações dos clientes. Com o novo Vecchia, pretende ser menos empresário e mais cozinheiro. "Quero fazer almoço e jantar no mínimo cinco vezes por semana", afirma. É tanta energia que o braço direito nem tem feito assim tanta falta.

     
   
 
 
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