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GASTRONOMIA
A nova aposta de Arno
Chef reabre o La Vecchia Cucina com
menos mesas e preços mais baixos
Nana Caetano
Fotos Daniela Toviansky
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| Sergio Arno, no Il Nuovo La Vecchia Cucina:
"Ninguém quer pagar tão caro para comer" |
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Veja também |
Receitas
elaboradas pelo chef Sergio Arno |
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Sergio Arno está com o braço quebrado.
Partiu o pulso direito ao socar uma mesa, empolgado, durante reunião
com funcionários. Recomendação médica
após a cirurgia reparadora: um mês de imobilização
parcial, sem carregar peso nem se mexer demais. Em vez de sossegar,
porém, o hiperativo chef comandou uma reforma e a reinauguração
de seu La Vecchia Cucina, no Itaim, na última segunda-feira,
sob o nome de Il Nuovo Vecchia Cucina. Arno agitou-se tanto que
despedaçou a tala que usava. "Não acreditei quando
o vi varrendo o chão e carregando caixas", conta um dos garçons.
Paredes foram quebradas, um bar surgiu no centro do salão,
cadeiras, mesas e cardápio foram trocados e os banheiros
ficaram mais espaçosos. As obras duraram doze dias e consumiram
300.000 reais.
Inaugurado em 1987 e funcionando desde 1991 no prédio
onde está hoje, na entrada de um flat, o Vecchia foi um marco
na renovação da alta gastronomia italiana na cidade
e transformou Sergio Arno em celebridade instantânea dos fogões.
Seu cardápio criativo estava sempre mudando, mas com o tempo
a casa se acomodou. Ultimamente, dava prejuízo. Segundo Arno,
no ano passado ele perdeu ali 250.000 reais. "Estava na hora de
mudar", afirma. "O restaurante era antiquado e caro." Na carta,
mantêm-se os risotos, os assados e as massas recheadas, mas
entram novas carnes, saladas e molhos. O salão passa a ter
setenta lugares, em vez de 96, e o gasto médio por pessoa
deve cair de 120 para 80 reais. "Diminuí a estrutura e minha
margem de lucro", explica. "Ninguém quer pagar tão
caro para comer."
Versátil e amante confesso da baixa gastronomia,
Arno ganha dinheiro mesmo com suas múltiplas casas mais populares,
franquias e licenciamentos. Aos 45 anos, ele é dono do La
Pasta Gialla (com uma unidade própria mais nove franquias
em todo o país), do Alimentari, da hamburgueria General Prime
Burger, do bar Universidade da Cachaça e do restaurante Duets,
em Ribeirão Preto. Além disso, empresta seu nome e
know-how a vinhos, cachaças, massas, panelas e um café
gourmet. Diz que dá conta de tudo porque dorme no máximo
cinco horas por noite e trabalha até durante viagens de lazer.
É objetivo e aceleradíssimo em tudo o que faz. Acostumar-se
ao ritmo da fala do chef leva alguns minutos. Ele praticamente não
dá pausa entre uma palavra e outra, além de emendar
assuntos e histórias exaustivamente. "É assim desde
criança", diz a mãe, Ana Maria, sócia do La
Pasta Gialla e da Universidade da Cachaça o pai de
Sergio, o empresário italiano Carlos Arno, foi o criador
da indústria de eletrodomésticos à qual empresta
o sobrenome.
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| O salão dos fundos do restaurante,
após a reforma: paredes claras e luz natural
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Sergio Arno toma conta de todos os empreendimentos
pessoalmente. Além de ficar no Vecchia, a cada dia ele visita
pelo menos dois de seus restaurantes, geralmente a pé, pois
quase todos ficam no Itaim. Palpita em minúcias como funcionamento
de fornos, compra e venda de equipamentos e pormenores da decoração.
É ele quem lê as fichas de sugestões e reclamações
dos clientes. Com o novo Vecchia, pretende ser menos empresário
e mais cozinheiro. "Quero fazer almoço e jantar no mínimo
cinco vezes por semana", afirma. É tanta energia que o braço
direito nem tem feito assim tanta falta.
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