Publicidade
 
 

 
 


12 de abril de 2006
NEGÓCIOS
GASTRONOMIA
CIDADE
ENTRETENIMENTO
POLÍCIA
Portal Veja São Paulo
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

ENTRETENIMENTO

Guerra aos micos

Para atenderem um público
cada vez mais exigente, casas
de espetáculos estão acabando
com os lugares de má visibilidade

Sandra Soares

 
Divulgação
Sala São Paulo: o novo site deverá ter fotos que mostram a visão
de cada setor


Veja também
NESTA REPORTAGEM
Mapa da Sala São Paulo
EXCLUSIVO ON-LINE
Mapas
  Teatro Municipal
  Tom Brasil
  Teatro Alfa
  Via Funchal

O administrador de empresas Augusto Cândido perdeu cerca de 10% do concerto da Osesp na sexta-feira da semana passada. Não que ele tenha chegado atrasado à Sala São Paulo, onde a orquestra tocou peças de Mozart, Rachmaninov e Schumann diante de uma platéia lotada. Cândido teve o azar de sentar-se em uma poltrona de frente para um dos pilares de sustentação do mezanino. Resultado: com a visão parcialmente bloqueada, não pôde ver os violoncelistas tocar. "Se tivessem me avisado da pilastra, é claro que eu não teria optado por essa cadeira", afirma ele, que desembolsou 288 reais pela assinatura anual – o mesmo valor pago por seus vizinhos de fileira, acomodados em lugares mais privilegiados. Isso significa que Cândido estará preso ao mico até dezembro. O mapa de assentos disponível no site da Sala São Paulo, por meio do qual o administrador fez sua escolha, não indica que a cadeira E14 da platéia elevada tem visão comprometida. "Não deveriam nem oferecê-la", afirma. Está certíssimo. E, se uma casa de espetáculos insiste em comercializar seus lugares micados, o mínimo que se espera é que informe o público disso. "Quando a compra dos tíquetes é feita nas bilheterias, as funcionárias dão o alerta", garante o diretor executivo da Fundação Osesp, Marcelo Lopes. "Quanto ao site, ele está sendo reformulado para evitar problemas como esse."

Veja São Paulo visitou sete casas da cidade para mapear as poltronas que, por estarem próximas de equipamentos como parapeitos e spots de luz, não permitem a total visualização do palco. O mesmo teste havia sido feito no Teatro Municipal, tema da reportagem de capa da edição de 15 de março. Lá, vários micos estão à solta. Desta vez, foram analisados 13 987 assentos distribuídos entre o Auditório Ibirapuera, o Credicard Hall, o Teatro Alfa, o Teatro Cultura Artística, o Via Funchal (estes cinco praticamente não têm setores com má visibilidade), a Sala São Paulo e o Tom Brasil. A Sala São Paulo, apesar de ser um dos mais belos espaços culturais da capital e de ter acústica excepcional, é a que oferece mais cadeiras problemáticas (veja mapa). São 64. A boa notícia é que grande parte das casas que apresentavam problemas vem tratando de solucioná-los.

 

Hélvio Romero/AE
Auditório Ibirapuera, inaugurado no fim de 2004:
todas as cadeiras são boas

O antigo Palace, por exemplo, hoje batizado de Citibank Hall, passa por uma reforma para livrar-se de sua má reputação. Famoso pelas cadeiras localizadas atrás de pilastras, o espaço será reinaugurado na próxima terça-feira com 1 448 lugares. Serão 262 a menos que no projeto original, exatamente aqueles considerados cegos. "Ao longo dos anos, o nível de exigência do consumidor aumentou e tivemos de nos adaptar", diz Marcelo Politi, diretor de operações da CIE Brasil, proprietária do lugar. O Teatro Alfa, aberto em 1998, é outro que reagiu às reclamações dos freqüentadores. Quatro cadeiras localizadas atrás de um guarda-corpo alto (balaústre que protege o público de quedas) não são mais vendidas. "Elas só continuam ali para que a fila não fique banguela", afirma o gerente operacional e de programação do teatro, Fernando Guimarães. No Credicard Hall, as piores cadeiras – aquelas localizadas atrás da mesa de som, por exemplo – estão bloqueadas para a venda. Todos os guarda-corpos da sala são de vidro, de forma a não comprometer a visibilidade do palco. Os poucos lugares com visão prejudicada são vendidos até pela metade do preço de outros localizados nas mesmas fileiras.

 

Divulgação
Belo exemplo: o Teatro Alfa bloqueou a venda
de poltronas cegas

Na hora de comprar ingresso, o público tem exigido cada vez mais garantias de que está adquirindo um lugar com boa visibilidade. "Perguntam tudo, da altura do palco à largura dos corredores", conta a chefe de bilheteria do Tom Brasil, Rosana Nascimento. Quem se sentir lesado pode reclamar ao Procon. "É necessário apenas guardar o bilhete", diz Paulo Arthur Góes, chefe de gabinete da entidade. Ele explica que os lugares com visibilidade prejudicada devem ser sempre assinalados no mapa ou informados ao comprador. O melhor seria se os espectadores não tivessem de pagar esse mico.

 

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados