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ENTRETENIMENTO
Guerra aos micos
Para atenderem um público
cada vez mais exigente, casas
de espetáculos estão acabando
com os lugares de má visibilidade
Sandra Soares
Divulgação
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Sala São Paulo: o novo site deverá
ter fotos que mostram a visão
de cada setor |
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Mapas |
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O administrador de empresas Augusto
Cândido perdeu cerca de 10% do concerto da Osesp na sexta-feira
da semana passada. Não que ele tenha chegado atrasado à
Sala São Paulo, onde a orquestra tocou peças de Mozart,
Rachmaninov e Schumann diante de uma platéia lotada. Cândido
teve o azar de sentar-se em uma poltrona de frente para um dos pilares
de sustentação do mezanino. Resultado: com a visão
parcialmente bloqueada, não pôde ver os violoncelistas
tocar. "Se tivessem me avisado da pilastra, é claro que eu
não teria optado por essa cadeira", afirma ele, que desembolsou
288 reais pela assinatura anual o mesmo valor pago por seus
vizinhos de fileira, acomodados em lugares mais privilegiados. Isso
significa que Cândido estará preso ao mico até
dezembro. O mapa de assentos disponível no site da Sala São
Paulo, por meio do qual o administrador fez sua escolha, não
indica que a cadeira E14 da platéia elevada tem visão
comprometida. "Não deveriam nem oferecê-la", afirma.
Está certíssimo. E, se uma casa de espetáculos
insiste em comercializar seus lugares micados, o mínimo que
se espera é que informe o público disso. "Quando a
compra dos tíquetes é feita nas bilheterias, as funcionárias
dão o alerta", garante o diretor executivo da Fundação
Osesp, Marcelo Lopes. "Quanto ao site, ele está sendo reformulado
para evitar problemas como esse."
Veja São Paulo visitou
sete casas da cidade para mapear as poltronas que, por estarem próximas
de equipamentos como parapeitos e spots de luz, não permitem
a total visualização do palco. O mesmo teste havia
sido feito no Teatro Municipal, tema da reportagem de capa da edição
de 15 de março. Lá, vários micos estão
à solta. Desta vez, foram analisados 13 987 assentos distribuídos
entre o Auditório Ibirapuera, o Credicard Hall, o Teatro
Alfa, o Teatro Cultura Artística, o Via Funchal (estes cinco
praticamente não têm setores com má visibilidade),
a Sala São Paulo e o Tom Brasil. A Sala São Paulo,
apesar de ser um dos mais belos espaços culturais da capital
e de ter acústica excepcional, é a que oferece mais
cadeiras problemáticas (veja
mapa). São 64. A boa notícia é que
grande parte das casas que apresentavam problemas vem tratando de
solucioná-los.
Hélvio Romero/AE
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Auditório Ibirapuera, inaugurado
no fim de 2004:
todas as cadeiras são boas |
O antigo Palace, por exemplo, hoje
batizado de Citibank Hall, passa por uma reforma para livrar-se
de sua má reputação. Famoso pelas cadeiras
localizadas atrás de pilastras, o espaço será
reinaugurado na próxima terça-feira com 1 448 lugares.
Serão 262 a menos que no projeto original, exatamente aqueles
considerados cegos. "Ao longo dos anos, o nível de exigência
do consumidor aumentou e tivemos de nos adaptar", diz Marcelo Politi,
diretor de operações da CIE Brasil, proprietária
do lugar. O Teatro Alfa, aberto em 1998, é outro que reagiu
às reclamações dos freqüentadores. Quatro
cadeiras localizadas atrás de um guarda-corpo alto (balaústre
que protege o público de quedas) não são mais
vendidas. "Elas só continuam ali para que a fila não
fique banguela", afirma o gerente operacional e de programação
do teatro, Fernando Guimarães. No Credicard Hall, as piores
cadeiras aquelas localizadas atrás da mesa de som,
por exemplo estão bloqueadas para a venda. Todos os
guarda-corpos da sala são de vidro, de forma a não
comprometer a visibilidade do palco. Os poucos lugares com visão
prejudicada são vendidos até pela metade do preço
de outros localizados nas mesmas fileiras.
Divulgação
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Belo exemplo: o Teatro Alfa bloqueou a
venda
de poltronas cegas |
Na hora de comprar ingresso, o público
tem exigido cada vez mais garantias de que está adquirindo
um lugar com boa visibilidade. "Perguntam tudo, da altura do palco
à largura dos corredores", conta a chefe de bilheteria do
Tom Brasil, Rosana Nascimento. Quem se sentir lesado pode reclamar
ao Procon. "É necessário apenas guardar o bilhete",
diz Paulo Arthur Góes, chefe de gabinete da entidade. Ele
explica que os lugares com visibilidade prejudicada devem ser sempre
assinalados no mapa ou informados ao comprador. O melhor seria se
os espectadores não tivessem de pagar esse mico.
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