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CIDADE
Brasil às moscas
Tradicional avenida paulistana está
com 15% de seus imóveis vazios
Edison Veiga
Daniela Toviansky
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| Vende-se ou aluga-se: em
alguns trechos, placas tomam conta da paisagem |
Basta um passeio rápido pelos 2,5 quilômetros
da Avenida Brasil, no Jardim América, para notar a abundância
de placas de imobiliárias: de cada sete imóveis da
via, um está disponível para venda ou locação.
Uma média de 15%, mais que o dobro da encontrada no restante
da capital. Os altos preços cobrados pelos proprietários,
as restrições da Lei de Zoneamento e a idade dos imóveis
são as causas da baixa procura. "Quando analisam a relação
custo-benefício, os interessados optam por instalar seus
escritórios na região da Paulista, por exemplo", afirma
Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos
de Patrimônio (Embraesp). O aluguel de um casarão na
Brasil chega a custar 80 000 reais mensais. Para se tornar dono
do imóvel, então, é preciso assinar um cheque
de até 10 milhões de reais.
Antes estritamente residencial, a Avenida Brasil
atualmente é ocupada por quase duas dezenas de clínicas
e laboratórios médicos, além de escritórios.
Estão ali uma unidade do Hospital Albert Einstein e consultórios
como o do cirurgião plástico Munir Curi, o do especialista
em reprodução humana Roger Abdelmassih e o da dermatologista
Ligia Kogos. "A região vem se caracterizando por ter centros
médicos de boa qualidade", acredita Abdelmassih, que paga
mais de 25 000 reais de aluguel por uma casa de 1 600 metros quadrados.
"É um lugar tradicional e de fácil acesso a quem vem
de fora", diz Ligia, que há seis anos atende em um sobrado
construído no início do século passado. A avenida
também é o endereço de dez lojas de material
para construção, todas camufladas como showrooms (a
Lei de Zoneamento permite apenas serviços no local, restringindo
o comércio a alimentação, móveis, farmácias,
antiquários e bancas de revistas).
Quando foi urbanizado, em 1915, o corredor era uma
das vitrines da São Paulo que se modernizava. Ganhou amplos
canteiros centrais, ornamentados com palmeiras, tipuanas e paineiras,
e assumiu o posto de principal via do Jardim América, loteamento
da companhia inglesa City planejado pelo arquiteto e urbanista Barry
Parker. Foi lá que ocorreu uma das primeiras provas automobilísticas
da cidade, em 1936, vencida pelo lendário italiano Carlo
Pintacuda. O evento terminou em tragédia: a também
famosa corredora francesa Hellé-Nice perdeu o controle de
seu Alfa Romeo e matou quatro espectadores. Outros 22 ficaram feridos.
Algumas décadas depois, muitos moradores migraram para ruas
do miolo dos Jardins, onde o barulho causado pelo trânsito
é menor e a privacidade, maior.
Se as condições atuais continuarem
espantando interessados, os casarões vazios devem provocar
a desvalorização de seu entorno. Enquanto um imóvel
leva em média cerca de três meses para ser negociado
em São Paulo, na Brasil esse processo tem demorado mais de
seis. "A tendência é que, a médio prazo, os
preços caiam", acredita Pompéia.
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