Publicidade
 

 
 
 


12 de fevereiro de 2003
CONSUMO
COMPORTAMENTO
MÚSICA
COMIDA
LAZER
TERRAÇO PAULISTANO
AS BOAS COMPRAS
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

COMPORTAMENTO

O arco-íris da Paulista

Com a multiplicação de bares, restaurantes
e clubes GLS, a região concentra hoje metade
dos endereços gays existentes na cidade

Valéria França

 
Leo Feltran
Pista cheia no Ultralounge: espelhos, paredes vermelhas e noitadas que atraem até 500 pessoas


Veja também
O circuito da balada gay

A região da Avenida Paulista já abrigou palacetes dos barões do café e prédios residenciais. Na década de 60, com a Rua Augusta, chegou a reinar absoluta entre a galera da jovem guarda. Hoje, suas transversais continuam badaladas. Só que a freqüência mudou. E como mudou. Multiplicaram-se pela Rua da Consolação, Alameda Itu e Alameda Franca bares, restaurantes e clubes GLS. Estima-se que metade dos endereços com público predominantemente homossexual espalhados na cidade fique nos arredores da Paulista. "A cena gay conquistou o trecho nobre da capital e deixou de ser uma cultura de subterrâneo", diz o jornalista Mário Viana, que na semana passada lançou o Guia Gay São Paulo.

Heudes Regis
Allegro, na Consolação: ponto de partida da balada


Boates com ar decadente foram substituídas por casas refinadas e modernas. Nas caixas rola música eletrônica e, no cardápio, há comida e bebida de primeira. Apesar de adotados pelos homossexuais, alguns restaurantes fincados no circuito, como Ritz, Mestiço e Spot, não se consideram gay friendly, nome pelo qual são conhecidas as casas receptivas a esse público
(veja quadro). "A noite aqui era dos mauricinhos e patricinhas", afirma Daniela Siqueira, proprietária do Director's Gourmet, aberto há treze anos na Alameda Franca. "Aos poucos, os gays foram conquistando espaço e, hoje, os Jardins são deles." A ferveção rola principalmente no quarteirão do Gourmet. Não é raro o trânsito parar por ali. As pessoas começam bebericando em bares como Allegro, Terra Madre e Hertz. Muitas rumam depois para o Ultralounge, onde a azaração vai até o amanhecer. Com decoração caprichada em vermelho e dourado, a casa noturna tem uma pista cheia e animadíssima. Chega a receber 500 pessoas por noite, público superior ao do Massivo, clube GLS pioneiro da região.

Rogerio Albuquerque
O Gourmet, na Alameda Franca: a proposta inicial era a de um bar underground heterossexual


A comunidade que antes só fazia a cena noturna passou a freqüentar shoppings, cinemas e academias das imediações. Na praça de alimentação do Shopping Paulista, aos domingos à tarde, acontece uma espécie de happy hour gay. No Top Center, homossexuais preferem a academia Runner, instalada na própria galeria. O Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca, também entra nessa rota, com pré-estréias que abordam a diversidade sexual. Há ainda marcas que conquistaram o bolso dessa turma, como A Mulher do Padre e a Slam, ambas na Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta.

"Trata-se de um público com ótimo poder aquisitivo que, por não ter mulher nem filhos, gasta mais com roupas e diversão", explica Franco Reinaudo, presidente da Associação dos Empresários GLS do Brasil. Uma das iniciativas de seus organizadores foi providenciar aulas de boas maneiras para que funcionários de hotéis, livrarias e restaurantes aprendam a lidar com a clientela GLS. Desse modo, pretendem evitar situações constrangedoras, risinhos e piadas preconceituosas. "São Paulo tem toda a vocação para ser a São Francisco da América do Sul", acredita André Fischer, diretor do Mix Brasil. Por isso, respeitar as diferenças virou quase uma regra para os estabelecimentos instalados no entorno da colorida Paulista.

 

Parece, mas há quem diga que não é

Rogerio Albuquerque
O Ritz: "Não queremos ficar restritos aos gays", diz o dono


Com alto poder de compra, os consumidores gays são considerados fundamentais para agitar e criar o burburinho de certos restaurantes, bares e casas noturnas. Nem todos os estabelecimentos com freqüência GLS, no entanto, gostam de ser reconhecidos como tais. É o caso do Ritz, na Alameda Franca, uma das mais fervilhantes mesas dos Jardins. Vive lotado, seja no almoço, seja no jantar. No horário comercial, de segunda a sexta, circula por ali um público convencional. À noite, o ambiente esquenta. Há muita gente de coluna social, publicitários e garotas bonitas. Por volta da meia-noite, sua porta vira ponto de encontro gay. Mais badalado e maior, o Spot, na Ministro Rocha Azevedo, não tem uma rotina muito diferente. Mesmo assim seus proprietários preferem não vê-lo rotulado. "Não é preconceito, só não queremos ficar restritos a uma clientela gay", explica Sergio Kalil, sócio do Ritz e do Spot. O Mestiço, na Rua Fernando de Albuquerque, também adota a mesma postura. "Surpreendentemente, casas que há muito foram incorporadas pela comunidade não quiseram fazer parte do meu livro", diz Mário Viana, editor do Guia Gay.

 

         
     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados