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COMPORTAMENTO
O
arco-íris da Paulista
Com
a multiplicação de bares, restaurantes
e
clubes GLS, a região concentra hoje metade
dos
endereços gays existentes na cidade
Valéria
França
Leo Feltran
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| Pista
cheia no Ultralounge: espelhos, paredes vermelhas e noitadas
que atraem até
500 pessoas |
A
região da Avenida Paulista já abrigou palacetes dos
barões do café e prédios residenciais. Na década
de 60, com a Rua Augusta, chegou a reinar absoluta entre a galera
da jovem guarda. Hoje, suas transversais continuam badaladas. Só
que a freqüência mudou. E como mudou. Multiplicaram-se
pela Rua da Consolação, Alameda Itu e Alameda Franca
bares, restaurantes e clubes GLS. Estima-se que metade dos endereços
com público predominantemente homossexual espalhados na cidade
fique nos arredores da Paulista. "A cena gay conquistou o trecho
nobre da capital e deixou de ser uma cultura de subterrâneo",
diz o jornalista Mário Viana, que na semana passada lançou
o Guia Gay São Paulo.
Heudes Regis
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| Allegro,
na Consolação: ponto de partida da balada |
Boates com ar decadente foram substituídas por casas refinadas
e modernas. Nas caixas rola música eletrônica e, no
cardápio, há comida e bebida de primeira. Apesar de
adotados pelos homossexuais, alguns restaurantes fincados no circuito,
como Ritz, Mestiço e Spot, não se consideram gay friendly,
nome pelo qual são conhecidas as casas receptivas a esse
público (veja
quadro).
"A noite aqui era dos mauricinhos e patricinhas", afirma Daniela
Siqueira, proprietária do Director's Gourmet, aberto há
treze anos na Alameda Franca. "Aos poucos, os gays foram conquistando
espaço e, hoje, os Jardins são deles." A ferveção
rola principalmente no quarteirão do Gourmet. Não
é raro o trânsito parar por ali. As pessoas começam
bebericando em bares como Allegro, Terra Madre e Hertz. Muitas rumam
depois para o Ultralounge, onde a azaração vai até
o amanhecer. Com decoração caprichada em vermelho
e dourado, a casa noturna tem uma pista cheia e animadíssima.
Chega a receber 500 pessoas por noite, público superior ao
do Massivo, clube GLS pioneiro da região.
Rogerio Albuquerque
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| O
Gourmet, na Alameda Franca: a
proposta inicial era
a de um bar underground
heterossexual
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A comunidade que antes só fazia a cena noturna passou a freqüentar
shoppings, cinemas e academias das imediações. Na
praça de alimentação do Shopping Paulista,
aos domingos à tarde, acontece uma espécie de happy
hour gay. No Top Center, homossexuais preferem a academia Runner,
instalada na própria galeria. O Unibanco Arteplex, no Shopping
Frei Caneca, também entra nessa rota, com pré-estréias
que abordam a diversidade sexual. Há ainda marcas que conquistaram
o bolso dessa turma, como A Mulher do Padre e a Slam, ambas na Galeria
Ouro Fino, na Rua Augusta.
"Trata-se
de um público com ótimo poder aquisitivo que, por
não ter mulher nem filhos, gasta mais com roupas e diversão",
explica Franco Reinaudo, presidente da Associação
dos Empresários GLS do Brasil. Uma das iniciativas de seus
organizadores foi providenciar aulas de boas maneiras para que funcionários
de hotéis, livrarias e restaurantes aprendam a lidar com
a clientela GLS. Desse modo, pretendem evitar situações
constrangedoras, risinhos e piadas preconceituosas. "São
Paulo tem toda a vocação para ser a São Francisco
da América do Sul", acredita André Fischer, diretor
do Mix Brasil. Por isso, respeitar as diferenças virou quase
uma regra para os estabelecimentos instalados no entorno da colorida
Paulista.
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Parece,
mas há quem diga que não é
Rogerio Albuquerque
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| O
Ritz: "Não queremos ficar restritos aos gays",
diz o dono
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Com alto poder de compra, os consumidores gays são
considerados fundamentais para agitar e criar o burburinho
de certos restaurantes, bares e casas noturnas. Nem todos
os estabelecimentos com freqüência GLS, no entanto,
gostam de ser reconhecidos como tais. É o caso do Ritz,
na Alameda Franca, uma das mais fervilhantes mesas dos Jardins.
Vive lotado, seja no almoço, seja no jantar. No horário
comercial, de segunda a sexta, circula por ali um público
convencional. À noite, o ambiente esquenta. Há
muita gente de coluna social, publicitários e garotas
bonitas. Por volta da meia-noite, sua porta vira ponto de
encontro gay. Mais badalado e maior, o Spot, na Ministro Rocha
Azevedo, não tem uma rotina muito diferente. Mesmo
assim seus proprietários preferem não vê-lo
rotulado. "Não é preconceito, só não
queremos ficar restritos a uma clientela gay", explica Sergio
Kalil, sócio do Ritz e do Spot. O Mestiço, na
Rua Fernando de Albuquerque, também adota a mesma postura.
"Surpreendentemente, casas que há muito foram incorporadas
pela comunidade não quiseram fazer parte do meu livro",
diz Mário Viana, editor do Guia Gay.
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