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COMIDA
A
vez da tapioca
O
prato popular do Nordeste agora
ganha destaque em mesas sofisticadas
Silvana
Azevedo
Mario Rodrigues
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| Especialidade
do Vila Bia: coco com
damasco |
Bastante
comum nas mesas do Norte e do Nordeste do país, a tapioca
até pouco tempo atrás era encontrada por aqui apenas
em barracas do centro e feiras livres. Mas bastou a farinha extraída
da mandioca cair nas mãos de grandes chefs para ganhar um
toque de sofisticação e virar destaque do cardápio
de alguns restaurantes badalados. O Emiliano, instalado no moderno
hotel da Rua Oscar Freire, incorporou ao menu o blini de tapioca
ao coco fresco com sorvete de banana e calda de caramelo e gengibre.
Ao lado de sobremesas festejadas, como a tarte tatin, o folhado
de frutas com musse de laranja e o petit gâteau, ele lidera
os pedidos. "Preparo cerca de quarenta tapiocas por semana", diz
o chef Antonio Faustino de Oliveira, o "Russo". O mesmo acontece
no Vila Bia, restaurante acoplado a uma butique de roupas femininas
na Vila Madalena. Lá, a massa recheada de coco fresco com
calda de damasco caiu no gosto da clientela. "Mudei o menu inteiro,
mas precisei manter essa sobremesa", conta a chef Gisele Makinde.
Leo Feltran
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| Blini
com sorvete de banana: sobremesa do Emiliano |
O prato virou até nome de bar na Vila Olímpia. Aberto
em outubro, o Tapioca Café oferece catorze variações
de recheio. Além do tradicional coco com queijo, há
opções como bacalhau, camarão, polvo, carne-seca,
lagosta e nutela com morango. Custam entre 3,50 e 5,50 reais. "Muita
gente não conhece e prova por curiosidade", diz o sócio
Marcelo Felice. "No fim das contas, pede bis." Por incrível
que pareça, um dos primeiros chefs a incluir tapioca no cardápio
foi o francês Laurent Suaudeau, que pesquisa e procura utilizar
produtos nacionais em seus pratos. "Infelizmente, os ingredientes
populares não têm posição de destaque
na cozinha urbana. Por isso, um dos papéis do cozinheiro
é transportá-los para a gastronomia", afirma o chef
Alex Atala, que há dois anos serve no restaurante D.O.M.
uma versão salgada com queijo-de-minas e tomate confit.
O Canto da Tapioca é boa opção para quem procura
uma receita preparada ao jeitão rústico das barracas,
mas com ingredientes confiáveis e preços acessíveis.
Dirigido pela filha de baianos Arlete Alcântara, o quiosque
fica no Shopping Light, junto ao Viaduto do Chá. Sua panqueca
é feita com farinha peneirada na hora e coco fresco. Do jeitinho
que manda a tradição das famosas tapioqueiras do Alto
da Sé, em Olinda, embora com certa adaptação
ao paladar do paulistano. Entre os 38 tipos de recheio, não
faltam o de frango com catupiry e o de queijo cheddar com orégano.
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RECEITA
BÁSICA (5 porções)
INGREDIENTES
1/2
litro de água filtrada
400
gramas de polvilho doce
MODO
DE PREPARO
Em
uma tigela, coloque
200 gramas do polvilho.
Acrescente a água lentamente, mexendo sempre. Cubra
a tigela com um pano ou filme plástico e deixe descansar
por quatro horas. Aos poucos, o polvilho vai separar-se da
água e formar uma placa dura no fundo da tigela. Jogue
fora toda a água que sobrou e acrescente o restante
do polvilho seco, sem misturar. Cubra a tigela novamente e
deixe
descansar por mais quatro horas. Aproveite apenas o polvilho
duro que se formou e rale-o em peneira de furos médios.
Espalhe 3 colheres (de sopa) dessa farinha numa frigideira
bem quente.
Em poucos segundos, a tapioca estará pronta. Cubra
com
o recheio, dobre ao meio
e retire do fogo.
RECHEIO
Pode ser de coco ralado fresco com leite condensado, queijo
branco, manteiga ou qualquer outro, a gosto.
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