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MÚSICA
Punks de bermudas
Ídolos
dos adolescentes, os
roqueiros da banda
CPM 22
lançam seu terceiro
CD
Rodrigo
Pereira
Julio Vilela
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Luciano,
Wally, Portoga,
Badaui e
Japinha: festa no
Hangar 110
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Em
férias no litoral catarinense, em janeiro de 2001, o vocalista
Badaui recebeu a notícia de que precisava voltar urgentemente
a São Paulo. Pelo telefone, soube apenas que era algo relativo
à sua banda, o CPM 22. Ao chegar, descobriu que o produtor
Rick Bonadio (Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr. e Tihuana) resolvera
apadrinhá-la depois de ouvir o CD independente A Alguns
Quilômetros de Lugar Nenhum. Foi a partir do disco seguinte
que o grupo antes conhecido apenas no circuito underground paulistano
começou a tocar em rádios como a 89 FM e a Brasil
2000, além de emplacar seus clipes na programação
da MTV. Não demorou para que se transformasse no novo queridinho
dos adolescentes.
O CPM 22 mistura hardcore (ritmo mais acelerado que o punk-rock)
com letras sentimentais. É o que se convencionou chamar emocore.
Os rapazes apresentam-se em média três vezes por semana
em todo o país, não raro diante de platéias
de dezenas de milhares de pessoas. Para o lançamento oficial
de seu terceiro trabalho, no entanto, na próxima quinta-feira,
eles fizeram questão de marcar um show no Hangar 110, uma
casa de estilo cult, no Bom Retiro. "Fomos a primeira banda a subir
naquele palco, em 1998", explica o baixista Portoga. Mesmo antes
da fama, o quinteto apresentava-se ali para 800 espectadores, a
lotação máxima do lugar, deixando um número
quase igual de fãs frustrados do lado de fora.
A
trajetória do CPM 22 (segundo eles, significa "caixa postal
1022", seu endereço postal) começou há sete
anos. Da atual formação, o guitarrista Wally é
o único que está presente desde o início. Os
outros foram chegando aos poucos. Para lançar A Alguns
Quilômetros de Lugar Nenhum, cuja tiragem de 4.000 cópias
se esgotou rapidamente, os músicos investiram 10.000 reais
do próprio bolso. Japinha dividia seu tempo entre ensaios
e aulas de inglês, Wally ensinava violão, Portoga trabalhava
no restaurante do pai, Badaui ganhava a vida como distribuidor de
produtos alimentícios e Luciano era relações-artísticas
da MTV. Três deles moram em Alphaville, condomínio
fechado de classe média alta. Parte do fenômeno da
banda pode ser creditada à identificação com
seu público. Todos os integrantes têm entre 24 e 29
anos, mas agem, falam e se vestem como a legião de adolescentes
que conhece de cor suas canções, pródigas em
rimar verbos no infinitivo. Voltar ao palco onde tudo começou
os fará sentir-se em casa. "Em vez de pedir autógrafo,
a moçada do Hangar nos convida para tomar cerveja e trocar
idéias sobre o nosso som", diz Badaui.
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