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11 de dezembro de 2002
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Punks de bermudas

Ídolos dos adolescentes, os
roqueiros da
banda CPM 22
lançam seu
terceiro CD

Rodrigo Pereira

 
Julio Vilela

Luciano, Wally, Portoga, Badaui e Japinha: festa no Hangar 110


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Músicas da banda

Em férias no litoral catarinense, em janeiro de 2001, o vocalista Badaui recebeu a notícia de que precisava voltar urgentemente a São Paulo. Pelo telefone, soube apenas que era algo relativo à sua banda, o CPM 22. Ao chegar, descobriu que o produtor Rick Bonadio (Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr. e Tihuana) resolvera apadrinhá-la depois de ouvir o CD independente A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum. Foi a partir do disco seguinte que o grupo antes conhecido apenas no circuito underground paulistano começou a tocar em rádios como a 89 FM e a Brasil 2000, além de emplacar seus clipes na programação da MTV. Não demorou para que se transformasse no novo queridinho dos adolescentes.

O CPM 22 mistura hardcore (ritmo mais acelerado que o punk-rock) com letras sentimentais. É o que se convencionou chamar emocore. Os rapazes apresentam-se em média três vezes por semana em todo o país, não raro diante de platéias de dezenas de milhares de pessoas. Para o lançamento oficial de seu terceiro trabalho, no entanto, na próxima quinta-feira, eles fizeram questão de marcar um show no Hangar 110, uma casa de estilo cult, no Bom Retiro. "Fomos a primeira banda a subir naquele palco, em 1998", explica o baixista Portoga. Mesmo antes da fama, o quinteto apresentava-se ali para 800 espectadores, a lotação máxima do lugar, deixando um número quase igual de fãs frustrados do lado de fora.

A trajetória do CPM 22 (segundo eles, significa "caixa postal 1022", seu endereço postal) começou há sete anos. Da atual formação, o guitarrista Wally é o único que está presente desde o início. Os outros foram chegando aos poucos. Para lançar A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum, cuja tiragem de 4.000 cópias se esgotou rapidamente, os músicos investiram 10.000 reais do próprio bolso. Japinha dividia seu tempo entre ensaios e aulas de inglês, Wally ensinava violão, Portoga trabalhava no restaurante do pai, Badaui ganhava a vida como distribuidor de produtos alimentícios e Luciano era relações-artísticas da MTV. Três deles moram em Alphaville, condomínio fechado de classe média alta. Parte do fenômeno da banda pode ser creditada à identificação com seu público. Todos os integrantes têm entre 24 e 29 anos, mas agem, falam e se vestem como a legião de adolescentes que conhece de cor suas canções, pródigas em rimar verbos no infinitivo. Voltar ao palco onde tudo começou os fará sentir-se em casa. "Em vez de pedir autógrafo, a moçada do Hangar nos convida para tomar cerveja e trocar idéias sobre o nosso som", diz Badaui.

 

         
     
 
 
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