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MEMÓRIA
O
tesouro da Luz
Livro
conta a história do presépio de Ciccillo
Matarazzo exposto no Museu de Arte Sacra
Erika
Sallum
Fotos Iatã Cannabrava
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| Cena
do nascimento de Jesus: 1 620 peças napolitanas do século XVIII
retratam nobres, trabalhadores e estrangeiros, como o circassiano
com o manto bordado a ouro |
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Em
sua batalha particular para tirar do jornalista Assis Chateaubriand
o título de grande mecenas da cidade, o empresário
Francisco Matarazzo Sobrinho, o "Ciccillo", trabalhou duro. Enquanto
o rival dos Diários Associados montou o Masp, Ciccillo
ajudou a criar o TBC, a Bienal, os estúdios da Vera Cruz
e o MAM. No final dos anos 40, deu à capital outro presente
e tanto: um valiosíssimo presépio napolitano do século
XVIII, composto de 1 620 peças. É considerado um dos
três maiores exemplares do gênero existentes no mundo.
Elaborado por artistas como Giuseppe Sanmartino, o conjunto reproduz
com fidelidade cenas do cotidiano de uma vila italiana daquela época.
A trajetória dessa preciosidade está agora retratada
no belo livro O Presépio Napolitano de São Paulo,
recém-lançado pela Retrato Publicidade em parceria
com o Instituto Takano.
Iatã Cannabrava
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| Camponeses
dançando a típica tarantela: reprodução perfeita dos costumes
de uma vila italiana |
São
144 páginas recheadas com 120 fotos, entre elas algumas históricas,
que mostram São Paulo em um de seus períodos de maior
efervescência cultural, entre o final dos anos 40 e o início
dos 50. Os textos que acompanham as imagens relatam os feitos de
Ciccillo, um industrial apaixonado por arte que se empenhou para
fazer da cidade um grande pólo cultural. "Quisemos homenagear
um dos nossos maiores heróis", afirma José Roberto
Walker, organizador do livro. Dono de uma metalúrgica e leitor
voraz, Ciccillo participava ativamente da fundação
de museus, teatros e exposições. Sua dedicação
levou-o a presidir a comissão encarregada de montar os festejos
do quarto centenário da fundação de São
Paulo, em 1954. Para a comemoração, participou pessoalmente
da elaboração do projeto de construção
do Parque do Ibirapuera.
Reprodução do
livro O Presépio Napolitano de São Paulo
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Arquivo Histórico da
Fundação Bienal de São Paulo
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| Ciccillo:
o mecenas ajudou São Paulo a se tornar pólo cultural
e presidiu os festejos do quarto centenário, que levaram
multidões ao Anhangabaú em 1954 |
Ciccillo
que morreu em 1977, aos 79 anos fez inúmeras
viagens à Europa em busca de obras de arte que estavam dando
sopa depois da II Guerra. Foi em uma delas que encontrou o presépio
napolitano. Doado à capital em 1949, o conjunto de esculturas
passou pela Galeria Prestes Maia e pelo Ibirapuera antes de juntar-se
ao acervo do Museu de Arte Sacra, em 1985. Ficou catorze anos encaixotado,
e desde 1999 está em exposição permanente,
acompanhado de uma cenografia com casas, ruas e igrejas. "Assim,
ambientado em uma cidadezinha, o visitante percebe que os bonecos
têm tamanhos diferentes, para dar a noção de
perspectiva", explica Mari Marino, diretora do museu. As bonitas
fotos de Iatã Cannabrava que ilustram o livro são
um convite para admirar o presépio ao vivo. Com a ajuda de
monitores, podem-se notar os minúsculos detalhes das obras,
como as roupinhas com fios de ouro que cobrem o séquito dos
reis magos. Ou as pequenas quinquilharias levadas por uma trupe
de ciganos que visita o menino Jesus. "É uma maravilha que
todo paulistano tem de ver de perto pelo menos uma vez na vida",
diz Mari.
Museu
de Arte Sacra de São Paulo. Avenida
Tiradentes, 676, Luz,
3326-1373, Metrô Tiradentes. Terça a sexta, 11h
às 18h; sábado e domingo, 10h às 19h. R$
2,00 (estudantes) e R$ 4,00. Grátis para menores de
8 anos e pessoas com mais de 65. |
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