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11 de dezembro de 2002
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O tesouro da Luz

Livro conta a história do presépio de Ciccillo
Matarazzo exposto no Museu de Arte Sacra

Erika Sallum


Fotos Iatã Cannabrava
Cena do nascimento de Jesus: 1 620 peças napolitanas do século XVIII retratam nobres, trabalhadores e estrangeiros, como o circassiano com o manto bordado a ouro


Em sua batalha particular para tirar do jornalista Assis Chateaubriand o título de grande mecenas da cidade, o empresário Francisco Matarazzo Sobrinho, o "Ciccillo", trabalhou duro. Enquanto o rival dos Diários Associados montou o Masp, Ciccillo ajudou a criar o TBC, a Bienal, os estúdios da Vera Cruz e o MAM. No final dos anos 40, deu à capital outro presente e tanto: um valiosíssimo presépio napolitano do século XVIII, composto de 1 620 peças. É considerado um dos três maiores exemplares do gênero existentes no mundo. Elaborado por artistas como Giuseppe Sanmartino, o conjunto reproduz com fidelidade cenas do cotidiano de uma vila italiana daquela época. A trajetória dessa preciosidade está agora retratada no belo livro O Presépio Napolitano de São Paulo, recém-lançado pela Retrato Publicidade em parceria com o Instituto Takano.


Iatã Cannabrava
Camponeses dançando a típica tarantela: reprodução perfeita dos costumes de uma vila italiana

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Galeria de fotos

São 144 páginas recheadas com 120 fotos, entre elas algumas históricas, que mostram São Paulo em um de seus períodos de maior efervescência cultural, entre o final dos anos 40 e o início dos 50. Os textos que acompanham as imagens relatam os feitos de Ciccillo, um industrial apaixonado por arte que se empenhou para fazer da cidade um grande pólo cultural. "Quisemos homenagear um dos nossos maiores heróis", afirma José Roberto Walker, organizador do livro. Dono de uma metalúrgica e leitor voraz, Ciccillo participava ativamente da fundação de museus, teatros e exposições. Sua dedicação levou-o a presidir a comissão encarregada de montar os festejos do quarto centenário da fundação de São Paulo, em 1954. Para a comemoração, participou pessoalmente da elaboração do projeto de construção do Parque do Ibirapuera.


Reprodução do livro O Presépio Napolitano de São Paulo
Arquivo Histórico da Fundação Bienal de São Paulo
Ciccillo: o mecenas ajudou São Paulo a se tornar pólo cultural e presidiu os festejos do quarto centenário, que levaram multidões ao Anhangabaú em 1954

Ciccillo – que morreu em 1977, aos 79 anos – fez inúmeras viagens à Europa em busca de obras de arte que estavam dando sopa depois da II Guerra. Foi em uma delas que encontrou o presépio napolitano. Doado à capital em 1949, o conjunto de esculturas passou pela Galeria Prestes Maia e pelo Ibirapuera antes de juntar-se ao acervo do Museu de Arte Sacra, em 1985. Ficou catorze anos encaixotado, e desde 1999 está em exposição permanente, acompanhado de uma cenografia com casas, ruas e igrejas. "Assim, ambientado em uma cidadezinha, o visitante percebe que os bonecos têm tamanhos diferentes, para dar a noção de perspectiva", explica Mari Marino, diretora do museu. As bonitas fotos de Iatã Cannabrava que ilustram o livro são um convite para admirar o presépio ao vivo. Com a ajuda de monitores, podem-se notar os minúsculos detalhes das obras, como as roupinhas com fios de ouro que cobrem o séquito dos reis magos. Ou as pequenas quinquilharias levadas por uma trupe de ciganos que visita o menino Jesus. "É uma maravilha que todo paulistano tem de ver de perto pelo menos uma vez na vida", diz Mari.

 
Museu de Arte Sacra de São Paulo. Avenida Tiradentes, 676, Luz, 3326-1373, Metrô Tiradentes. Terça a sexta, 11h às 18h; sábado e domingo, 10h às 19h. R$ 2,00 (estudantes) e R$ 4,00. Grátis para menores de 8 anos e pessoas com mais de 65.

         
     
 
 
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