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11 de dezembro de 2002
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Gênio barroco

Mostra reúne a maior coleção particular
de peças atribuídas ao mestre Aleijadinho

Orlando Margarido

Fotos divulgação/Coleção Renato Whitaker
talker
Sant'Ana Mestra: reconhecimento do Patrimônio Histórico Nossa Senhora da Conceição: mistério para especialistas


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as obras

O escultor barroco Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é um mistério para estudiosos que se debruçam sobre sua vida e obra. Não se sabe ao certo a data de seu nascimento. Alguns falam em 1730, outros, em cinco ou oito anos depois. Há dúvidas também sobre a legitimidade de todas as obras atribuídas a ele. Para o público, no entanto, a beleza e o requinte da produção do gênio nascido na mineira Vila Rica, hoje Ouro Preto, são admiráveis, independentemente de questões técnicas. Essa popularidade será novamente testada a partir deste domingo (8), na Pinacoteca do Estado, com a exibição pela primeira vez do maior acervo particular de obras atribuídas a Aleijadinho no país. Trata-se da coleção do empresário paulista Renato Whitaker, dono de 46 esculturas supostamente do artista, vitimado por uma doença degenerativa que lhe atrofiou mãos e pés. A seleção inclui também dez trabalhos do contemporâneo Mestre Piranga.

Exposto em sua totalidade, o lote de imagens de santos entalhados em madeira faz com que se retome a discussão sobre a autenticidade da obra de Aleijadinho. Prolífico, mas pouco organizado, ele costumava assinar alguns recibos informais de suas encomendas para a Igreja. Tais documentos são os únicos atestados de seu legado. Estima-se, contudo, que tenha produzido, até sua morte, em 1814, cerca de 5.000 trabalhos. Por isso, a organização da mostra faz questão de frisar que as imagens reunidas são atribuídas a ele ou estão sendo estudadas por especialistas. É o caso de dez figuras expostas. Há ainda duas imagens, uma Sant' Ana Mestra e uma Nossa Senhora do Rosário, que foram tombadas pelo Patrimônio Histórico (o que garante sua importância histórica, não a autoria). Em 1998, uma Nossa Senhora das Dores nessas mesmas condições foi arrematada em leilão por 420.000 dólares.

Centurião romano
de Mestre Piranga: corpo desproporcional

A dúvida quanto à legitimidade das obras não arranha o interesse de conferir esse fabuloso acervo. Ao visitá-lo, o público pode divertir-se tentando encontrar algumas características do autor. São detalhes como quatro dedos iguais em uma das mãos, uma pálpebra quase sempre maior que a outra e os sapatos trocados. Essas artimanhas ajudam os pesquisadores na investigação e podem ser detectadas nas estátuas de Santo Antônio, São José de Botas e no Cristo Crucificado, por exemplo. Se Aleijadinho era sutil, seu colega Mestre Piranga não fazia questão de esconder as marcas pessoais. Batizado com o nome de sua cidade natal, nos arredores de Ouro Preto, ele é conhecido pelas coloridas imagens humanas ou sacras com o corpo desproporcional, caso do centurião romano exposto. Mas, assim como os trabalhos do criador dos profetas de Congonhas do Campo, boa parte das obras de Piranga tem sua assinatura questionada.

 
Aleijadinho e Mestre Piranga – Imagens da Coleção Renato Whitaker. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, 229-9844, Metrô Luz. Terça a domingo, 10h às 18h. Grátis. Até 19 de janeiro. A partir deste domingo (8).

         
     
 
 
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