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11 de junho de 2003
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Crise de identidade

Moradores protestam contra a
implantação de pista de ônibus
na deteriorada Rebouças

Otávio Canecchio


Fotos Heudes Regis
gis
O trânsito na terça passada e a faixa dos moradores no detalhe: polêmica

Uma das mais movimentadas vias de ligação entre o centro e as zonas Oeste e Sul, a Avenida Rebouças voltou a suscitar polêmica. Tudo porque a prefeitura pretende instalar ali pistas exclusivas de ônibus nas faixas da esquerda. O anúncio da obra revoltou as associações de moradores e lojistas da região. "Estão tentando transformá-la numa nova Santo Amaro", diz Fernanda Bandeira de Mello, uma das líderes do Movimento Rebouças Viva.

Há dois meses, a administração municipal iniciou um amplo projeto de revitalização do corredor, que, apesar de manter algumas tradicionais lojas de aluguel de roupas para noivas e concessionárias de automóveis, tem a maioria de seus imóveis à venda, esperando inquilino ou abandonados. Orçada em 2,5 milhões de reais, a recuperação inclui o recapeamento de asfalto, a mudança da iluminação nas calçadas e o plantio de 300 árvores no canteiro central. As chamadas "vias rápidas" fazem parte da última fase das reformas e deverá custar outros 2,5 milhões de reais aos cofres públicos.

A prefeitura alega que as pistas exclusivas para ônibus vão diminuir os monstruosos congestionamentos. "Não se trata de um corredor de ônibus", diz o secretário dos Transportes, Jilmar Tatto. "Na verdade, estamos criando uma pista rápida, sem muros nem canaletas." Tatto explica que os passageiros irão pegar a condução no canteiro central, onde oito pontos serão instalados. Em horários de pico, cerca de 340 ônibus atravessam por hora os dois sentidos da Rebouças, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Na semana passada, várias faixas de protesto contra as obras foram afixadas pela avenida. De acordo com as associações de moradores e lojistas, a prefeitura nem sequer apresentou um projeto técnico. "Só nos mostraram alguns rascunhos e não souberam explicar o impacto dessa mudança", reclama o vice-superintendente da Associação Comercial Distrital de Pinheiros, Fernando José de Paula e Silva. O temor é que o comércio da região seja prejudicado. "As pessoas ficarão concentradas nos pontos de ônibus e deixarão de circular pelas calçadas", acredita Paula e Silva. O secretário das Subprefeituras Antonio Donato, por sua vez, argumenta que, sem a concentração de ônibus na pista da direita, os estacionamentos das lojas não serão mais bloqueados.

         
     
 
 
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