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CIDADE
Crise
de identidade
Moradores
protestam contra a
implantação de pista de ônibus
na deteriorada Rebouças
Otávio
Canecchio
Fotos Heudes Regis
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gis
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| O
trânsito na terça passada e a faixa dos moradores no detalhe:
polêmica |
Uma
das mais movimentadas vias de ligação entre o centro
e as zonas Oeste e Sul, a Avenida Rebouças voltou a suscitar
polêmica. Tudo porque a prefeitura pretende instalar ali pistas
exclusivas de ônibus nas faixas da esquerda. O anúncio
da obra revoltou as associações de moradores e lojistas
da região. "Estão tentando transformá-la numa
nova Santo Amaro", diz Fernanda Bandeira de Mello, uma das líderes
do Movimento Rebouças Viva.
Há
dois meses, a administração municipal iniciou um amplo
projeto de revitalização do corredor, que, apesar
de manter algumas tradicionais lojas de aluguel de roupas para noivas
e concessionárias de automóveis, tem a maioria de
seus imóveis à venda, esperando inquilino ou abandonados.
Orçada em 2,5 milhões de reais, a recuperação
inclui o recapeamento de asfalto, a mudança da iluminação
nas calçadas e o plantio de 300 árvores no canteiro
central. As chamadas "vias rápidas" fazem parte da última
fase das reformas e deverá custar outros 2,5 milhões
de reais aos cofres públicos.
A
prefeitura alega que as pistas exclusivas para ônibus vão
diminuir os monstruosos congestionamentos. "Não se trata
de um corredor de ônibus", diz o secretário dos Transportes,
Jilmar Tatto. "Na verdade, estamos criando uma pista rápida,
sem muros nem canaletas." Tatto explica que os passageiros irão
pegar a condução no canteiro central, onde oito pontos
serão instalados. Em horários de pico, cerca de 340
ônibus atravessam por hora os dois sentidos da Rebouças,
segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Na
semana passada, várias faixas de protesto contra as obras
foram afixadas pela avenida. De acordo com as associações
de moradores e lojistas, a prefeitura nem sequer apresentou um projeto
técnico. "Só nos mostraram alguns rascunhos e não
souberam explicar o impacto dessa mudança", reclama o vice-superintendente
da Associação Comercial Distrital de Pinheiros, Fernando
José de Paula e Silva. O temor é que o comércio
da região seja prejudicado. "As pessoas ficarão concentradas
nos pontos de ônibus e deixarão de circular pelas calçadas",
acredita Paula e Silva. O secretário das Subprefeituras Antonio
Donato, por sua vez, argumenta que, sem a concentração
de ônibus na pista da direita, os estacionamentos das lojas
não serão mais bloqueados.
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