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URBANISMO
Novos ares na Roosevelt Promessa de reforma,
bares e teatros agitam arredores da praça Rodrigo
Brancatelli Fotos
Heudes Régis
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Roosevelt: a prefeitura quer demolir estrutura de concreto em forma de pentágono
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Segundo uma queixa
apresentada em 1875 por moradores à Câmara Municipal, todo o esgoto
da chácara do médico Martinho Prado localizada no perímetro
formado hoje pelas ruas da Consolação, Caio Prado e Augusta
corria direto para os chafarizes da Luz e para o Riacho Anhangabaú. Em
vez de resolver o problema, ele achou mais vantajoso doar o terreno todo para
a prefeitura. Durante quase um século, a administração municipal
não fez nada ali. Apenas em 1970 foi erguida no local a Praça Franklin
Roosevelt. Praça é maneira de falar. Trata-se de uma área
de 30 000 metros quadrados quase sem árvores, cercada por muros e com uma
cobertura em forma de pentágono. No meio de tudo isso, há um supermercado
popular. "Esse foi o maior equívoco urbano já cometido em São
Paulo", afirma o arquiteto Rubens Capuano. "E o pior é que o primeiro posto
policial foi instalado ali apenas na década de 80." Não demorou
para a Roosevelt ficar conhecida como um território livre para prostitutas,
travestis e traficantes de drogas.
No mês passado, a prefeitura anunciou que pretende revitalizar o espaço.
Se isso de fato acontecer, é uma ótima notícia. Estão
sendo estudadas propostas para derrubar a cobertura de concreto e instalar equipamentos
para exercícios físicos. "Vamos acabar com a fama ruim da Praça
Roosevelt", afirma Andrea Matarazzo, subprefeito da Sé. "Em 2006 ela estará
diferente." Mesmo antes do início das obras, a praça vem passando
por uma boa sacudida graças a companhias de teatro que se mudaram para
lá nos últimos cinco anos. O primeiro a apostar na área foi
o grupo Os Satyros, que em 2000 alugou um degradado imóvel no número
214 e atualmente promove espetáculos de segunda a domingo. "Não
existe mais aquele medo de andar por aqui", diz o diretor Rodolfo García
Vázquez. Também se mudaram para a Roosevelt o Studio 184 e o Teatro
X. O antigo Cine Bijou foi reformado e rebatizado de Recriarte Bijou.  | | Mudança
de público: peças atraem jovens a cafés, bares e restaurantes |
Jovens que vão assistir às peças passaram a freqüentar
cafés, bares e restaurantes próximos. "O reflexo mais aparente dessa
mudança é a valorização dos imóveis do entorno",
aponta Andréa Cavalcante, vice-presidente da ONG Ação Local
Roosevelt. Segundo ela, há quatro anos o metro quadrado de um apartamento
à venda na praça não custava mais que 600 reais. Hoje, esse
valor pulou para até 1 300 reais. "E há muito mais pessoas interessadas
do que imóveis disponíveis." Essa atmosfera recupera um tempo em
que a Praça Roosevelt era reduto da boemia paulistana. O produtor e crítico
musical Zuza Homem de Mello lembra que, entre as décadas de 50 e 60, mantinha
ali uma garçonnière (apartamento para encontros amorosos)
e passou muitas madrugadas tomando uísque no restaurante Baiúca,
ouvindo canjas da cantora Elis Regina e de músicos como Moacyr Peixoto
e Walter Wanderley. "Era o único lugar da cidade onde havia um contato
direto do público com o artista", lembra. "Após os shows, sentávamos
todos juntos para conversar." |