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11 de maio de 2005
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URBANISMO

Novos ares na Roosevelt

Promessa de reforma, bares e teatros
agitam arredores da praça

Rodrigo Brancatelli

 
Fotos Heudes Régis
Praça Roosevelt: a prefeitura quer demolir estrutura de concreto em forma de pentágono



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Programação dos teatros da Praça Roosevelt
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Segundo uma queixa apresentada em 1875 por moradores à Câmara Municipal, todo o esgoto da chácara do médico Martinho Prado – localizada no perímetro formado hoje pelas ruas da Consolação, Caio Prado e Augusta – corria direto para os chafarizes da Luz e para o Riacho Anhangabaú. Em vez de resolver o problema, ele achou mais vantajoso doar o terreno todo para a prefeitura. Durante quase um século, a administração municipal não fez nada ali. Apenas em 1970 foi erguida no local a Praça Franklin Roosevelt. Praça é maneira de falar. Trata-se de uma área de 30 000 metros quadrados quase sem árvores, cercada por muros e com uma cobertura em forma de pentágono. No meio de tudo isso, há um supermercado popular. "Esse foi o maior equívoco urbano já cometido em São Paulo", afirma o arquiteto Rubens Capuano. "E o pior é que o primeiro posto policial foi instalado ali apenas na década de 80." Não demorou para a Roosevelt ficar conhecida como um território livre para prostitutas, travestis e traficantes de drogas.

No mês passado, a prefeitura anunciou que pretende revitalizar o espaço. Se isso de fato acontecer, é uma ótima notícia. Estão sendo estudadas propostas para derrubar a cobertura de concreto e instalar equipamentos para exercícios físicos. "Vamos acabar com a fama ruim da Praça Roosevelt", afirma Andrea Matarazzo, subprefeito da Sé. "Em 2006 ela estará diferente." Mesmo antes do início das obras, a praça vem passando por uma boa sacudida graças a companhias de teatro que se mudaram para lá nos últimos cinco anos. O primeiro a apostar na área foi o grupo Os Satyros, que em 2000 alugou um degradado imóvel no número 214 e atualmente promove espetáculos de segunda a domingo. "Não existe mais aquele medo de andar por aqui", diz o diretor Rodolfo García Vázquez. Também se mudaram para a Roosevelt o Studio 184 e o Teatro X. O antigo Cine Bijou foi reformado e rebatizado de Recriarte Bijou.

 

Mudança de público: peças atraem jovens a cafés, bares e restaurantes

Jovens que vão assistir às peças passaram a freqüentar cafés, bares e restaurantes próximos. "O reflexo mais aparente dessa mudança é a valorização dos imóveis do entorno", aponta Andréa Cavalcante, vice-presidente da ONG Ação Local Roosevelt. Segundo ela, há quatro anos o metro quadrado de um apartamento à venda na praça não custava mais que 600 reais. Hoje, esse valor pulou para até 1 300 reais. "E há muito mais pessoas interessadas do que imóveis disponíveis." Essa atmosfera recupera um tempo em que a Praça Roosevelt era reduto da boemia paulistana. O produtor e crítico musical Zuza Homem de Mello lembra que, entre as décadas de 50 e 60, mantinha ali uma garçonnière (apartamento para encontros amorosos) e passou muitas madrugadas tomando uísque no restaurante Baiúca, ouvindo canjas da cantora Elis Regina e de músicos como Moacyr Peixoto e Walter Wanderley. "Era o único lugar da cidade onde havia um contato direto do público com o artista", lembra. "Após os shows, sentávamos todos juntos para conversar."

     
   
 
 
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