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SOCIEDADE Autógrafos
em alta Nada de vinho branco quente. Lançamento
de livro vira programa chique Paula Ungar Fotos
Heudes Régis
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A chef Rita Lobo assina um exemplar para o arquiteto Isay Weinfeld: badalação
no Baretto |
Os convidados começam
a chegar por volta das 19 horas. Ansiosa, a anfitriã senta-se confortavelmente
em um sofá no fundo do bar, enquanto o pianista arrisca algumas notas de
jazz. Tudo indica que será uma noite tranqüila, própria para
uma segunda-feira. Que nada. Cerca de meia hora depois, o salão fica pequeno
para o número de amigos que conversam em pequenas rodas ou esperam na fila
para cumprimentar a estrela do encontro. Motivo para tamanha badalação:
o lançamento do livro Cozinha de Estar, da chef Rita Lobo, no Baretto,
bar do Hotel Fasano. Foi-se o tempo em que noite de autógrafos era sinônimo
de um programa tedioso, em que autores passavam todo o tempo atrás de uma
mesinha e garçons circulavam com vinho branco quente. Nos últimos
tempos, algumas editoras têm organizado festas sob medida para chamar atenção.
 | | A
festa de Luiza Brunet: música ao vivo e champanhe |
"Como
o número de lançamentos hoje é muito grande, está
cada vez mais difícil se destacar", afirma Marino Lobello, vice-presidente
de comunicação da Câmara Brasileira do Livro. Todas as semanas,
acontecem cerca de 25 noites de autógrafos em São Paulo. No mês
passado, outra chef, Ana Luiza Trajano, lotou a Fnac de Pinheiros para apresentar
seu Brasil a Gosto. Ana viajou pelo país durante quatro meses pesquisando
pratos típicos e trouxe algumas de suas principais descobertas, como tartar
de surubim defumado, sorvete de tapioca com calda de açaí e caipirinha
com sorvete de cachaça. Uma exposição de fotos e a exibição
de um DVD de oito minutos sobre a viagem completaram o programa. "Não teve
nem mesa de autógrafos. Assinava os livros em pé mesmo", conta Ana.
ChrisVon
Amelin
 | | A
consultora de etiqueta Claudia Matarazzo, no lançamento de
Brasil a Gosto: mesa com cachaças |
As
editoras de pequeno e médio porte são as que mais apostam no oba-oba.
Responsável pela edição do livro de Rita Lobo, no ano passado
a Códex levou 250 pessoas à loja da Suxxar na Avenida Nova Faria
Lima para o lançamento do Guia de Tintos & Brancos (e Rosados),
do crítico Saul Galvão. A editora Jaboticaba, que chegou
ao mercado há um ano e meio, armou uma festança em fevereiro no
bar Bunker, nos Jardins, onde o apresentador João Gordo autografou Consciência
do Gordo. Nos pick-ups, punk-rock. "Tivemos de colocar um segurança
na porta para controlar a entrada e a saída de pessoas", conta a gerente
comercial de marketing Ana Serra. "Nem vendemos tantos livros assim, mas foi um
acontecimento." Ronaldo
Ceravolo/Fotoagência
 | | A
empresária Gabriela Pascolato (à esq.) e João Gordo,
no bar Bunker: punk-rock |
As festas
não saem barato para as editoras. Para o lançamento de Cozinha
de Estar, por exemplo, a Códex gastou 15.000 reais. A venda de livros
na sessão de autógrafos, claro, não basta para cobrir os
gastos no dia 2 (segunda-feira), 200 pessoas pagaram 55 reais pelas receitas
de Rita Lobo. "Nosso objetivo é fazer barulho suficiente para alavancar
a divulgação da obra", diz Alberto Quartim de Moraes, proprietário
da editora. Já que o importante é o tititi, alguns eventos são
restritos a convidados, como o de Luiza Brunet Uma Mulher Brasileira,
com relatos de experiências e dicas de moda e beleza da ex-modelo. A festa
também se realizou no Baretto, um dia depois da de Rita Lobo. O cenário
era o mesmo, mas o número de presentes, bem menor. Entre os petiscos, canapés
de queijo brie e presunto do tipo Parma. Para beber, champanhe francês.
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