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11 de maio de 2005
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O homem do padre

Ex-dono de uma banca de camisetas,
o estilista Vinicius Campion faz sucesso
com roupas, salão de beleza, loja
de móveis, gravadora...

Nana Caetano

 

Fotos Heudes Régis
Vinicius Campion, na loja A Mulher do Padre em Pinheiros: criações sem decotes, barrigas de fora nem transparências

Para alavancar suas vendas, boa parte dos estilistas brasileiros aposta em uma mesma receita: peças com muitos decotes, barrigas de fora e transparências. Exatamente o contrário do que propõe a grife A Mulher do Padre, do paulistano Vinicius Campion. A marca é anti-sexy por natureza. Em suas criações, Campion trabalha basicamente com modelagens fechadas, quase austeras. Mas o que poderia ser um tiro no pé fez sucesso entre os modernos da cidade. E vem conquistando um público cada vez maior, mesmo fora das trincheiras dos fashionistas e clubbers. "Além de ser original, ele é um bom modelista e produz roupas com caimento perfeito", afirma a consultora de moda Costanza Pascolato.

A grife A Mulher do Padre, ou AMP, como é conhecida, nasceu em 1995, como uma banca de camisetas e paletós no Mercado Mundo Mix. Teria permanecido restrita ao universo underground não fosse a diversificação do negócio e sua transformação em um selo de moda e entretenimento. Hoje, aos 33 anos, Campion comanda a grife de roupas – vendida em quatro endereços próprios e em outras 170 lojas multimarcas espalhadas por todo o Brasil, além de quinze no exterior –, um clube noturno, uma gravadora, uma agência de DJs, uma loja de decoração e um salão de beleza. Ele faz questão de cuidar pessoalmente de toda a parte criativa. A área financeira fica nas mãos de sua mulher, a argentina Paula Ferrali. O quartel-general do casal – que tem uma filha de 1 ano – funciona em um predinho antigo na Rua Fradique Coutinho, em Pinheiros.

 
O salão de beleza e a loja de móveis: cabelo, maquiagem e decoração para os descolados

No subsolo e no térreo do edifício está o ampgalaxy, misto de casa noturna e bar bicampeão na categoria o melhor espaço para dançar da edição especial O Melhor da Cidade, de Veja São Paulo. O térreo abriga também a Riviera, loja de móveis e objetos antigos garimpados pessoalmente por Campion em galpões e depósitos. No 1º andar ficam a loja de roupas e o recém-inaugurado salão de beleza, batizado de Hairy Label Superstars. No 2º pavimento, dividem espaço o escritório, a gravadora de discos ampgalaxy Records e a agência de DJs hairylabelsuperstars (assim mesmo, tudo junto e com letras minúsculas), responsável pela vinda a São Paulo de renomadas feras estrangeiras dos pick-ups, como o americano Larry Tee.

 
Celina Germer
Heudes Régis
A atriz Débora Falabella, com um dos modelos criados por Campion, e a pista efervescente do ampgalaxy: negócio que une moda e entretenimento

O faturamento da AMP e seus subprodutos gira em torno de 700.000 reais por mês, número que surpreende até mesmo o dono disso tudo. "No dito popular, a mulher do padre é quem chega por último. É um conceito suicida, de antimoda", diz Campion, formado em moda pela Faculdade Santa Marcelina. A inspiração para suas coleções, apresentadas todos os anos nos desfiles alternativos da Semana de Moda, nunca são as tendências, mas alguma viagem pessoal – na última, o ponto de partida foi um vídeo dirigido por ele com a história de um homem que brigava com os próprios pêlos. É comum também que o desfile seja substituído por uma performance ou instalação. Por incrível que pareça, o resultado nem é assim tão estranho. "As roupas dele são discretas, modernas, femininas e deixam o corpo bonito", garante a atriz Débora Falabella, uma das muitas clientes famosas da AMP.

     
   
 
 
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